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Ronnie Lessa e esposa são acusados por lavagem de dinheiro

Por Agência Brasil

Ronnie Lessa, suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco, é escoltada por um policial quando ele deixa o departamento de homicídios para prestar depoimento na justiça Rio de Janeiro.

Crédito: REUTERS / Lucas Landau /Direitos reservados

Ronnie Lessa, suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco, é escoltada por um policial quando ele deixa o departamento de homicídios para prestar depoimento na justiça Rio de Janeiro.

O ex-policial militar Ronnie Lessa e sua esposa, Elaine Pereira Figueiredo, tiveram decretadas prisão preventiva, por crime de lavagem de dinheiro. Os mandados, decretados nesta quinta-feira (14), foram expedidos pela 1ª Vara Especializada da Capital, a pedido do Ministério Público (MP), por meio da Força Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Lessa está preso na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande acusado de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Ânderson Gomes, juntamente com o também ex-PM Élcio de Queiroz.

De acordo com o MP, no bojo das investigações dos homicídios, foram produzidos elementos que indicavam a incompatibilidade entre a renda declarada por Ronnie e o padrão de vida mantido por ele e sua família, o que justificou a instauração do inquérito visando à apuração de atos de lavagem de dinheiro, suspeita confirmada nas investigações, que indicaram a ocultação de valores e bens por meio do uso de laranjas.

Colaboravam com o esquema, e por isso foram igualmente denunciados, Denis Lessa, irmão de Ronnie, declarado primeiro proprietário na compra de uma casa; Alexandre Motta de Souza, amigo, usado como laranja na compra de uma lancha e na realização e movimentações bancárias, e Elaine, laranja na documentação de um veículo Jeep Renegade, e que também encontra-se presa.

A partir da quebra do sigilo bancário e fiscal, foi identificado que, apesar de apresentar renda mensal média de R$ 7.095,05, Ronnie movimentou, entre 2014 e 2019, quantia milionária em suas contas bancárias, a maior parcela advinda de depósitos em espécie, de origem não identificada.

No período, segundo o MP, o denunciado recebeu em suas contas créditos que resultam na movimentação total de R$ 5.729.013,40, apesar da renda declarada de Ronnie para o período, na condição de reformado da PM, ser de R$ 416.226,17.

De acordo com as investigações, inúmeros bens foram adquiridos pelo denunciado, incluindo um imóveis de luxo na orla da Barra da Tijuca, em Angra dos Reis e em Mangaratiba, além de uma lancha e veículos de elevado valor.

“A imputação dos delitos de lavagem de dinheiro tem como crimes antecedentes aqueles supostamente praticados pelo denunciado Ronnie Lessa e outros, onde destaca-se a possível prática de crimes dolosos contra a vida, sob encomenda de terceiros e mediante pagamento. No que diz respeito à denunciada Elaine Lessa, há indicativos de sua periculosidade e do alto grau de envolvimento nas ações criminosas lideradas por seu marido, tendo sido condenada pela prática do crime de obstrução de investigações que envolve organização criminosa, uma vez que, ao lado de outros comparsas, providenciou a retirada de fuzis de Ronnie Lessa, que estavam escondidos em um imóvel, jogando-os em seguida ao mar”, diz um dos trechos da decisão.

O advogado Fernando Santana, responsável pela defesa de Ronnie e dos demais citados, informou que ainda não tomou ciência da decisão.