Mercado imobiliário

Secovi-SP apresenta números do setor de Piracicaba

Encontro reuniu um público de 150 pessoas na Frias Neto Consultoria de Imóveis, representantes do poder executivo, legislativo, empresariado e empreendedores

Da Redação
22/04/2022 às 12:14.
Atualizado em 22/04/2022 às 12:42

Evento acontece auditório da Frias Neto Consultoria de Imóveis (Divulgação)

O Encontro Secovi-SP do Mercado Imobiliário de Piracicaba aconteceu na última quinta-feira (7), reunindo cerca de 150 pessoas no auditório da Frias Neto Consultoria de Imóveis.  Na ocasião, foram divulgados os dados da pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica sobre o último ano e trimestre do setor de imóveis em Piracicaba. O sócio-consultor da empresa, Guilherme Werner, apresentou informações que revelam a necessidade urgente de novos empreendimentos na cidade. Toda pesquisa estará disponível para consulta a partir da quarta-feira, 13 de abril, no site da Secovi-SP.

Além dos representantes da Secovi-SP, o vice-presidente do interior, Frederico Marcondes César; e o integrante da diretoria, Angelo Frias Neto, também diretor-presidente da Frias Neto Consultoria de Imóveis; estiveram presentes no encontro diversas personalidades do poder executivo, como o prefeito Luciano Almeida; o procurador geral do município, Guilherme Monaco de Mello; e secretários. Do legislativo, estavam o presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, Gilmar Rotta; bem como o deputado estadual, Alex de Madureira; entre outros. O empresariado também marcou presença, com representantes de construtoras, loteadoras, incorporadoras e imobiliárias.

Werner iniciou a apresentação com informações contextuais sobre o mercado de imóveis, abordando interferências econômicas, políticas e sociais ao longo das décadas. Também trouxe conteúdos sobre taxas e juros que interferem no setor.  Entre as boas notícias atuais estão o crescimento de vagas de empregos formais e a intenção de compra de imóveis, entre 35% a 38%. Outro dado interessante, mas que pode gerar preocupação, é a demanda por imóveis no Brasil, que deve aumentar em 8,9 milhões até 2030.

“Tudo isso nos revela que pode haver falta de mão de obra muito em breve”, afirmou Werner durante a palestra.

Em um segundo momento, o palestrante apresentou dados de Piracicaba, em comparação aos de outras cidades do interior paulista, as regionais que são acompanhadas pela Secovi-SP.

Com uma população de 407 mil habitantes, Piracicaba possui 145.803 imóveis, sendo 88,7% casas e 11,3% apartamentos. Isso caracteriza o município como “horizontal”. Entretanto, a maioria dos imóveis lançados nos últimos anos é vertical (apartamentos).

Em 2021, o primeiro e o quarto trimestre foram os que mais concentraram lançamentos. Sendo 11 empreendimentos ao todo, oito deles verticais e inseridos dentro do programa federal Casa Verde Amarela.

Dos três negócios lançados no último trimestre do ano, verticais e incluídos nas políticas públicas de financiamento, apenas um foi de padrão econômico (até R$ 253 mil) e os outros dois acima disso.

A Brain Inteligência Estratégica também apresentou dados sobre as vendas de lançamentos em Piracicaba em 2021. Foram 1.588 unidades residenciais vendidas, predominantemente verticais. Um VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 436,1 milhões.

No total de vendas, os imóveis econômicos (Casa Verde e Amarela) foram os que mais venderam, com 65,1%, os demais padrões representaram 34,9%. Isso fez com que a disponibilidade de imóveis em Piracicaba chegasse a 21,6% na média geral.

Comparativos - Piracicaba é a 6ª colocada em um ranking entre 8 cidades pesquisadas do interior, em unidades residenciais vendidas, com 2.032.  Acima de Bauru, com 1.219 e Baixada Santista, com 613 unidades. Os outros municípios são: Sorocaba, com 7.401; Campinas, com 6.551; São José do Rio Preto, com 3.549; Jundiaí, com 3.065; São José dos Campos, com 2.328.

O ranking não muda muito em relação aos imóveis lançados, sendo que Sorocaba ficou no topo da lista, com 6.859; e Piracicaba em penúltimo, com 1.867.

Conforme explica Werner, a adesão ao programa federal de incentivo ao financiamento de imóveis, Casa Verde Amarela, corresponde a 74% de imóveis comercializados na cidade. Um número bem maior que o nacional, em 40%.

Em números gerais, ele também destaca que Piracicaba teve uma velocidade de vendas de 53%. Esse número é considerado alto, por isso, juntamente com número reduzido de lançamentos, há um estoque baixo de imóveis no município.

Números em Análise - Segundo Werner, os resultados revelam possibilidades comerciais. “Piracicaba é a cidade regional da Secovi-SP com menor estoque se comparamos com outras de relevância demográfica parecida. Nossa leitura sobre isso é que existe um espaço para novos lançamentos, sobretudo de médio e alto padrão, para diversificar o mercado, que está muito concentrado no Casa Verde e Amarela”.

Conforme explicou o pesquisador, ter imóveis que se enquadram nos programas governamentais não é um dado ruim. “Naturalmente, é onde se encontra a maior demanda imobiliária brasileira. Mas dada a capacidade demográfica e econômica da cidade, entendemos que existem mais possibilidades, especialmente considerando que os níveis de estoque de lançamentos estão baixos e que a tendência nacional é uma estabilidade de adesão em torno de 40% das comercializações”.

Para Werner, a situação piracicabana não decorre apenas da falta de vontade do empreendedor em investir em lançamentos, mas da delonga em licenciamento pelos órgãos públicos. “Entretanto, vemos um ambiente competitivo positivo em Piracicaba, que não inunda o mercado”.

O palestrante se considera um realista, nem com uma visão catastrófica e nem hiper otimista para o setor. “Os empreendedores estão acostumados a lidar com os desafios e é realmente um momento desafiador. Mas há vários indicadores apontando que o segmento imobiliário será novamente protagonista na economia brasileira, devido a pujança e a demanda que existe no Brasil e no interior paulista como um todo”.

O mercado imobiliário correspondeu a 4.6% do PIB brasileiro em 2021. Já a construção civil foi responsável por 9.7%.

Angelo Frias Neto também interpretou os números por um viés de construção. “No cenário de Piracicaba, o que mais nos chama a atenção é o estoque que temos disponível. São menos de 6 meses de consumo. Por outro lado, isso nos revela a possibilidade de novos empreendimentos. Não só na cidade, como no Brasil há uma crescente demanda por imóveis, que está além da capacidade do mercado de atender. O futuro, portanto, é muito promissor para quem conseguir  desenvolver produtos adequados aos desafios urbanísticos, ao momento mercadológico e a necessidade da população”.

Outras informações que foram apresentadas, segundo Frias Neto, são relacionadas ao trabalho imobiliário em si. “Um fato muito interessante, para o pessoal de imobiliária e corretores, é que 20% dos clientes interessados na compra de imóveis, compram o primeiro imóvel que visitaram. Isso nos mostra o quão importante é a qualidade do primeiro atendimento. Além disso, a Brain Inteligência Estratégica nos trouxe que 60% das pessoas compram imóveis por necessidade, não por conta de questões econômicas ou políticas. É porque casou, vai ter filhos ou se separou. Isso nos faz entender melhor quais dinâmicas operam na vida real das pessoas e que as fazem tomar decisões”.

O vice-presidente do Secovi-SP Interior, Frederico Marcondes César, também apresentou alguns números importantes sobre o interior de São Paulo. “Temos dados que nos fazem entender que o olho do furacão é o interior paulista. Nos últimos 30 anos, o número de domicílios saiu de 5,5 milhões para 11,2 milhões; enquanto na capital foi de 2,5 para 4,1 milhões. Ou seja, a cidade de São Paulo, a maior economia do país, teve um crescimento por volta de 40% a 45%, enquanto o interior superou 100%”.

O setor de loteamentos seguiu a mesma tendência. “Nos últimos 10 anos, o interior paulista licenciou 1,49 milhão de lotes e São Paulo somente 7 mil.  Isso significa que, o crescimento, seja ele vertical ou horizontal, acontece no interior paulista”, afirmou. A importância econômica também foi apontada por Marcondes César. “O interior de São Paulo corresponde a 68% do PIB do estado e 21% do PIB do Brasil. Então, costumo sempre dizer, o crescimento do país passa necessariamente por aqui”.

 Repercussão no setor público - Do setor público ao privado, os dados apresentados no Encontro Secovi-SP do Mercado Imobiliário de Piracicaba servirão de base para novos projetos.

Para o procurador geral do município, Guilherme Monaco de Mello, o setor imobiliário é importante para todas as cidades. “Em uma cidade pujante como Piracicaba esse valor é altíssimo, além de trazer renda, promove muitos empregos”.  Na opinião do secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, e empresário do setor, José Luiz Guidotti Júnior, a pesquisa apresentada foi um raio-x do mercado imobiliário piracicabano. “São informações que servem tanto para o empresário olhar para dentro da própria empresa e negócio, quanto para  a Prefeitura estabelecer as melhores políticas públicas de habitação para a cidade. É uma bússola. Sabemos agora qual a dimensão do mercado, quais são os produtos mais comercializados, a faixa de renda desses produtos, também os maiores déficits”.

Representantes do legislativo ressaltaram a importância de pensar em políticas públicas que contribuam com o setor, resolvendo assim temas como o baixo estoque de imóveis em lançamento. Para o deputado estadual Alex de Madureira, que integra a Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento e a Comissão de Infraestrutura, nesta última como vice-presidente, a obrigação dos parlamentares é não somente legislar, mas também fiscalizar o poder executivo e auxiliar todos os setores da sociedade. “Na verdade, imobiliárias e construtoras não necessitam tanto da ajuda do estado, mas que este não traga dificuldades. Ou seja, que possam continuar crescendo, gerando emprego e renda”.

O vereador por Piracicaba, Pedro Kawai, também segundo secretário da mesa diretora, foi muito importante ter acesso aos números da pesquisa. “Assim, nós do legislativo, podemos trabalhar políticas públicas, principalmente na área da infraestrutura, como fornecimento de  água, energia elétrica, coisas que o poder público não pode deixar de lado para viabilizar os investimentos tão importantes para a economia”.

Segundo o presidente da Câmara de Vereadores, Gilmar Rotta, o objetivo é chamar uma audiência pública para debater o tema. “Devemos estar juntos, dando condições públicas para que o mercado continue crescendo em uma velocidade um pouco mais rápida que hoje. Sabemos que existe muita burocracia. Vamos, portanto, trabalhar primeiro realizando uma audiência pública para resolver as dificuldades em relação à documentação para a realização de novos empreendimentos”. A previsão para a reunião é julho.

 Repercussão no setor privado - Com a revelação dos números sobre o mercado imobiliário, as cartas foram postas na mesa para o setor privado.

O empresário Ricardo Maluf Chain, da MCH  Empreendimentos, pesquisas como a divulgada no evento contribuem para análises mais precisas. “Primeiramente, quero expressar que essa foi uma iniciativa fantástica da Secovi-SP e Frias Neto Consultoria de Imóveis. Para a gente, que está com projetos saindo do forno, é muito importante termos esses parâmetros para analisarmos e sermos cada vez mais mais assertivos.  Piracicaba merece que façamos empreendimentos para as pessoas da cidade”

O diretor da Kraide Engenharia e presidente da Associação das Construtoras de Piracicaba, Ricardo Kraide, destacou a atualidade dos números apresentados. “É muito importante ter dados trimestrais. Antigamente, as informações eram anuais e não representavam a realidade do momento. Agora, a pesquisa apresenta dados fundamentais para tomadas de decisão sobre lançamentos, tipos de produto, mercado, estoque, preço, entre outros. Importante para sabermos qual o caminho certo a seguir”.

O responsável pela Franzolin Incorporadora, Luiz Augusto Franzolin, os dados são essenciais para nortear o empresariado. “Esse conjunto de informações traz segurança para investidores, clientes e empresas que fazem as intermediações.  Já temos um trabalho em conjunto com a Frias Neto Consultoria de Imóveis, uma parceria para identificar e desenvolver os produtos ideais. Comparado ao que escutamos da pesquisa, vimos que o caminho que estamos seguindo está certo, precisamos estar conectados com o que a cidade precisa”.

Angelo Frias Neto finalizou destacando o evento como um espaço para trocas e diálogos.  “O encontro da Secovi-SP foi um sucesso. Mais de 150 participantes, entre poder público, empresários, construtores, incorporadores, imobiliaristas e interessados no setor imobiliário. Depois da palestra, tivemos ainda um momento de troca muito rico, o que colabora para que a cidade se desenvolva, cresça e melhoremos a cultura”.

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