Vale da agroindústria

AgroTech Valley

Romualdo Cruz Filho
31/07/2022 às 07:09.
Atualizado em 31/07/2022 às 07:16

(Mateus Medeiros)

Sérgio Marcus Barbosa, engenheiro agrônomo e gerente da EsalqTec, uma incubadora de novas tecnologias instaladas na Fazenda Areão, sob a coordenação da Escolas Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), conta que o processo de criação do vale do silício piracicabano iniciou de fato a partir das discussões sobre as condições da cidade e suas características para operar como um ecossistema de inovação, semelhante em filosofia ao Vale do Silício, nos EUA.

"Porque Piracicaba não tinha apenas potencial para formar profissionais qualificados, como também para desenvolver projetos acadêmicos com dimensão prática, quer seja, com perfil para dar vida a startups, bem como seria capaz de despertar interesse de investidores para esses empreendimentos, como acontece, guardadas as devidas proporções, na Califórnia", conta.

"Inspirados, portanto, no Vale do Silício americano, pensamos em algo com as mesmas características para a nossa cidade. Em Recife, temos o Porto Digital, forte em TI. Em Belo Horizonte existe o São Pedro Valley. Em Porto Alegre há o parque TecnoPUC. No Rio de Janeiro, conhecemos o parque tecnológico de petróleo e gás, em torno da UFRJ. Em São José dos Campos, voltado para a aviação, temos a Embraer. Só faltava ao país um vale para a agroindústria, um setor gigante, com ciência própria para o cultivo em ambientes tropical, subtropical e equatorial. São seis biomas para serem explorados só no Brasil, o que levou o país à autonomia científica para o setor, de forma produtiva e sustentável, tendo a Esalq-USP sempre à frente, em parceria com outras instituições de pesquisa. Temos ainda o cerrado, cuja exploração tecnológica iniciou na década de 1970, com a Embrapa. Então pensamos uma forma de concentrarmos aqui as novas tecnologias de inovação, respeitando, inclusive, nossa tradição empreendedora", conta Marcus Barbosa.

AgTechValley

"Paralelo à concepção da EsalqTec, que estava nascendo, recordo de ter perguntado ao então prefeito, Gabriel Ferrato, 'por que não somos o Vale do Silício em tecnologia da agricultura?'. Na ocasião, todo mundo ficou espantado pela pretensão do que eu estava propondo. Mas decidimos levar isso adiante, para ver se fazia sentido. As pessoas entenderam rapidamente que não se tratava de uma fantasia, mas de algo possível, realizável. Assim, em maio de 2016, foi lançada a marca do projeto, dando vida ao ecossistema do Vale de Piracicaba".

Pesquisa

A EsalqTec está integrada ao AgTechValley e funciona também como um ambiente de inovação. "Há, portanto, uma conjunção de ambientes de geração de conhecimentos em Piracicaba, envolvendo universidades, centros de pesquisas e os ambientes de inovação, como incubadoras de startups, hubs, além das grandes empresas, investidores e o setor público, que define as políticas sociais. "O hub Avance, da Coplacana, e Pulse, da Raízen, são exemplos de plataformas integradoras de inovação que também dão substância ao nosso grande projeto", explica Marcus Barbosa. 

Seis anos depois, com a consolidação do Vale de Piracicaba, as empresas começaram a se movimentar e se posicionar nessa nova realidade. Houve, portanto, a adesão da Coplacana, da Raízen, depois nasceu a AgTech Garage, todos independentes, porém integrados ao território do Parque Tecnológico de Piracicaba e do Hub Piracicaba. "Tudo, no entanto, começou com a EsalqTec. E o que fazemos aqui? Recebemos o empreendedor que tem uma ideia, um powerpoint ou algo ainda em sua fase embrionária. Avaliamos se a proposta faz algum sentido e merece maior atenção. Ao apostarmos no projeto, ele fica incubado em nossa base durante três ou quatro anos, até ganhar dimensão de produto ou serviço. Ou seja, é aqui que o pesquisador/empreendedor vai desenvolver seu produto ou serviço e dar vida a ele", detalha. 

A missão da EsalqTec, além de dar as condições para esse início, abre as propostas que lhe chegam para atrair investidores, seja governamentais, como os setores de fomento à pesquisa, ou privados.

"Seguindo esse protocolo, a WCO2 (desenvolvedora de plataformas remotas das mais diversas naturezas integrativas), começou aqui. A @TECH (com tecnologias voltada para a agropecuária) também iniciou aqui. Cerca de 20 empresas nasceram na EsalqTec e estão no mercado. Somos um ecossistema dentro de um ecossistema. Estamos associados a mais de 100 empresas, inclusive outros hubs e instituições de ensino no Brasil, para troca de informações e parcerias. A Esalq-USP entra na parte de ensino, pesquisa e extensão. Procuramos parcerias para investir nos negócios associados. A Fundação Luiz de Queiroz (Fealq), por exemplo, também está conosco".

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