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Ártemis, 86 anos
Antigo districto de paz de João Alfredo, Ártemis faz aniversário hoje

Por Da redação

Inaugurada em 1915, a histórica ponte de ferrro ‘Joaquim Nunes’, em Ártemis, foi tombada em 1992

Crédito: Mateus Medeiros

Inaugurada em 1915, a histórica ponte de ferrro ‘Joaquim Nunes’, em Ártemis, foi tombada em 1992

O Distrito de Ártemis completa 86 anos neste sábado e segue em pleno desenvolvimento socioeconômico e sustentável. O aniversário tem origem no Decreto Estadual nº 2.641 de 15 de janeiro de 1936, assinado pelo então governador do Estado de São Paulo, Armando de Salles OIiveira. Esse decreto estabelece a criação do "districto de paz de João Alfredo" e define o seu território, que fazia divisa do Paredão Vermelho até as Fazendas Santana e Santa Olímpia. Atualmente, a área do distrito é de 218,648 km².

No distrito, a celebração acontece por meio da realização da Feira Cooperativa Ártemis/Lago Azul, que reúne artesãos do distrito e acontcerá das 18h às 22h. Uma reunião solene da Câmara Municipal e atividades esportivas, culturais e de saúde haviam sido programadas pelo vereador Josef Borges (Solidariedade), mas por conta do novo avanço da Covid-19 e casos de síndrome gripal, todas foram adiadas. A intenção é poder promover em março a corrida, o passeio ciclístico, os brinquedos para as crianças e orientações de saúde, além de cultura.

A escolha da data do aniversário do Distrito de Artemis foi oficializada pelo Decreto Legislativo nº 48/2015. Mas a sua história é mais antiga. Piracicaba foi fundada em 1767. O ramal da linha férrea "Ytuana" (Sorocabana) de João Alfredo foi construído em 1887.

Antes de ser distrito, João Alfredo foi considerado vila e bairro de Piracicaba. O porto era usado pelos índios Paiaguás, viajantes, barqueiros, caboclos e outros. A sua localização estratégica, estabelecida às margens do rio Piracicaba, motivou o seu desenvolvimento desde o início da povoação do município. Era um importante entreposto fluvial e férreo da região de Piracicaba e São Pedro.

No dia 4 de março de 1895, na reunião da Câmara Municipal de Piracicaba, presidida por Manoel de Moraes Barros, foi discutido requerimento de Claudio Gomes da Costa para a instalação de uma "pharmácia" em Porto João Alfredo. O documento informa que a vila era uma "grande zona povoada, onde existem 12 fazendas de café, com muitos colonos, e que todos têm de procurar recursos na cidade, em distância de três a seis léguas". O documento histórico está sob a guarda do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo da Câmara.

Em outra ata de 1910, os moradores reivindicavam instalação de uma escola pública em Porto João Alfredo. A praça principal do distrito, localizada em frente à estação ferroviária, teve o terreno de 1.197 metros e 62 centímetros quadrados doado ao município por José Antonio de Oliveira e Victorio Cenedese, conforme ata da Câmara de 20 de maio de 1929.

Nessa mesma data, a ata descreve que moradores de João Alfredo por meio de solicitações, representações e abaixo-assinados, cobravam melhorias para o bairro. Em 15 de julho de 1922, o vereador Samuel da Costa Neves solicitou ao secretário de Justiça a criação de um distrito policial em João Alfredo e Saltinho.

Esse mesmo documento apresenta parecer da Comissão de Obras sobre pedido dos moradores de Porto João Alfredo, Limoeiro, Pau Preto e Pau D'Alho que reivindicaram construção e conservação de estradas de acesso a esses bairros. Essa ata traz uma descrição de como era a povoação em 1922, com 100 casas habitadas, com população de mais de 600 pessoas.

De João Alfredo a Ártemis

O Porto João Alfredo recebeu esse nome em homenagem ao Senador João Alfredo Corrêa de Oliveira. Ele foi um dos autores e incentivadores da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, abolindo a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888.

O registro oficial da mudança do nome de Porto João Alfredo para Artemis ocorre no Decreto Estadual nº 14.344 de 30 de novembro de 1944. O documento define a Divisão Administrativa e Judiciária do Estado de São Paulo e nele, o nome do distrito não possui acento, sendo grafado como Artemis.

Cartões-Postais

A Estação Ferroviária ainda é símbolo de uma época áurea do distrito. Foi inaugurada em 1887. Estiveram na solenidade o presidente da Província, Visconde de Parnaíba, o senador João Alfredo Corrêa de Oliveira, que dava nome ao local.

O trem passou a ligar ao ramal fluvial. O transporte por embarcações foi desativado no ano 1950 e a linha férrea fez a última viagem em 1961.

A ponte de ferro de Ártemis foi uma das maravilhas da época; importada diretamente da Inglaterra é toda rebitada, sem qualquer parafuso em toda a sua construção. Piracicaba deve-a a iniciativa de Paulo de Moraes Barros, então Secretário de Agricultura do governo de São Paulo, em 1913. Foi inaugurada em 1915.

Sua beleza permanece até hoje. A ponte foi tombada em 7 de março de 1999 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac) e é uma referência para o distrito de Ártemis e ela foi totalmente concluída em 1916. Em 1962, com a desativação do ramal ferroviário, passou a ser utilizada para o tráfego de veículos.

O Balneário Municipal de Água Sulfurosa também é outra riqueza do distrito de Artemis. O poço fica às margens do rio Piracicaba e naquele local chegou a existir um espaço para banhos. Vinham pessoas de toda a região que formavam filas.

Depois o local foi desativado. Em 2008, um novo balneário foi construído pela Prefeitura de Piracicaba, na praça João Alfredo com acessibilidade, chuveiros e torneiras para uso da água que continua com suas propriedades minerais e medicinais.

Diversidade e riqueza natural

A Lagoa do Jardim Itaiçaba e a Lagoa do Lago Azul são duas riquezas do nosso Distrito e que podem, no futuro, voltar a colaborar com o abastecimento de água da população. As duas estão em projeto de recuperação e revitalização.

O rio Piracicaba e os córregos como do Ceveiro, Limoeiro, Pau D'Alho, Congonhal e outros que formam a microbacia que dá suporte à produção agrícola diversificada em todo o distrito e que começa a aderir ao conceito de agroecologia, promovendo a sinergia entre a produção de alimentos e a preservação das matas.