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Primeiro caso da Ômicron em Piracicaba
Adolescente de 15 anos, que estava vacinada, não precisou de internação e evoluia para cura

Por Romualdo Cruz Filho

A Gazeta visitou duas UPAs e constatou o cenário crítico: lotadas e sem distanciamento

Crédito: Mateus Medeiros

A Gazeta visitou duas UPAs e constatou o cenário crítico: lotadas e sem distanciamento

A Vigilância Epidemiológica (VE) informou ontem o primeiro caso da variante Ômicron em Piracicaba, em uma adolescente de 15 anos, que estava vacinada, não precisou de internação e evoluia para cura. A VE informou também que apenas um caso foi confirmado para Influenza H3N2 no município até o momento.

A Secretaria de Saúde disse que tem havido um crescimento exponencial do número de casos de Covid-19, após o período de festas. “O atendimento nas UPAs está 80% acima da média para o período do ano e a maior parte dos atendimentos realizados é de pessoas com suspeita de gripe (Influenza)”, observa a pasta em nota à imprensa. A Gazeta de Piracicaba visitou duas UPAs e constatou o cenário crítico.

"Passamos de manhã na UPA Vila Cristina com as minhas duas crianças. Como estão com suspeita de Covid, nos encaminharam para cá. Chegamos aqui por volta das 10h. Ficamos durante 5h na fila, sob o sol escaldante. São 2h da tarde e até agora não conseguimos chegar sequer no balcão de atendimento".

Este depoimento de Eduarda C. A. da Silva, 30, do bairro Pompéia, dá uma dimensão de como estava a UPA Piracicamirim no início da tarde de ontem, unidade que funciona como centro de referência para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na rede pública de saúde. Na parte interna da UPA havia muitas pessoas próximas umas da outras, grupos sentados, sem erguer a cabeça por causa do mal-estar, enquanto as chamadas para o atendimento médico fluíam lentamente.

Na tentativa angustiada para resolver o problema, Eduarda disse ao repórter da Gazeta que havia marcado consultas particulares para seus filhos enquanto estava na fila, por não suportar mais a situação. "Elas estão há 5 dias gripadas e o quadro só piora. Eu não imaginava que a UPA estivesse assim", observou.

Outra senhora que passava pela mesma situação era a Jênifer Domingos Márcio, 26, do Perdizes, que acompanhava o esposo, Iury, com quadro de gripe forte. "Ele está com febre, dor de cabeça, ânsia e dor no corpo. Chegamos aqui por volta das 10h e somente agora entramos para passar pela triagem. Ele espera para ser chamado a qualquer momento". Jênifer disse ainda que no dia anterior havia passado em frente ao posto, mas a lotação também era intensa. "Muita gente esperando atendimento".

Vila Cristina

Na UPA Vila Cristina o cenário também estava bem complicado por volta do horário do almoço. Muita gente aguardando consulta e para fazer teste de Covid-19. Dirceu Cordeschi, do Costa Rica, Campestre, disse que só foi atendido rapidamente porque correu atrás do médico dizendo que seu filho, Paulo Sérgio, 50, estava passando muito mal.

"Ele veio ontem aqui e passou pelo médico, mas o remédio não fez efeito. Até que caiu no banheiro e se machucou de tanta moleza no corpo. Teve que voltar hoje e correndo".

Segundo Dirceu, o médico foi sensível e o atendeu prontamente. "Fez todos os exames e amanhã terá que voltar para saber o resultado". Parcela expressiva das pessoas que estava na sala de espera apresentava sintoma de gripe forte. "Daqui de fora a gente vê as pessoas chegando a todo o momento. Cada uma com problema mais grave do que o da outra", disse Dirceu, enquanto esperava seu filho tomar soro.

Ana Lúcia, do Vida Nova, chegou na UPA Piracicamirim às 10h30 com a irmã. Depois de terem passado em outro pronto socorro e serem encaminhadas, ficaram na fila durante um bom tempo. "Era chuva e sol e ninguém recolhia a gente. Agora estamos aqui dentro nesse tumulto e nada da minha irmã ser chamada. Ela já tomou remédio na fila e está delirando de febre. São duas horas da tarde e ela não passou ainda nem pela triagem. Está uma vergonha isso daqui. Cadê o prefeito?”, questionou ela.

Monitorando

A Secretaria de Saúde informou que segue monitorando os casos de síndrome gripal (Influenza) e síndrome respiratória (Covid-19). “Devido as festas de Natal e Ano Novo a pasta tem notado crescimento destes casos em decorrência das aglomerações e descuido no uso da máscara e álcool gel”.

A Secretaria lembra que a vacinação para a Covid-19 não parou e segue com agendamento aberto por meio do site VacinaPira (www.vacinapira.piracicaba.sp.gov.br).