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Ano se encerra com críticas e alguns elogios, para uma gestão que precisa se renovar

Por Romualdo Cruz Filho

Ano se encerra com críticas e alguns elogios

Crédito: Mateus Medeiros

Ano se encerra com críticas e alguns elogios

O ano que se encerra teve seus altos e baixos para o governo municipal. O primeiro ano de Luciano Almeida, como chefe do Executivo, passou no teste em alguns setores e foi reprovado em outros. O que é natural na gestão pública de uma cidade complexa como Piracicaba.

O rigor no combate à Covid-19 com a vacinação acelerada foi um aspecto positivo. A rede pública trabalhou unida e a centralização do processo no Ginásio de Esporte foi uma marca expressiva. A expertise do setor falou mais alto.

O embate com o Hospital Ilumina e a falta de clareza no contrato entre a instituição e a prefeitura deixou o clima estranho. Até hoje a população não sabe exatamente o que está acontecendo e o que significou a ruptura/não-ruptura entre as partes.

O empenho em tentar mudar a Pinacoteca para o Engenho Central, sem que houvesse ainda um local seguro para as obras de arte e sem diálogo com a sociedade foi um chute errado, que perturbou técnicos, juizes e até bandeirinhas. A torcida só fazia ola, para cá e para lá.

A ruptura do contrato da Secretaria de Educação com o Estado para o fornecimento da merenda escolar demonstrou falta de habilidade política, apontada por todos os consultados pela Gazeta, como os deputados estaduais Roberto Morais e Alex de Madureira.

Na relação com a Câmara Municipal de Vereadores, o ano foi marcado por derrotas desnecessárias, por falta de diálogo, como a nova Taxa de Lixo, que não passou e logo logo volta à cena. Para se garantir, o governo mudou até o ponto da Lei Orgânica para reduzir o número de votos necessários para se aprovar um Projeto de Lei Complementar.

Ficou também a desejar a postura do Executivo quanto aos benefícios dos profissionais de saúde, da educação e da segurança, prejudicados pela Covid-19. A aprovação das PL 153 e 154 e a posterior derrubada dos vetos do prefeito permitiram que Gilmar Rotta, presidente do Legislativo, avançasse em seu projeto político. Ele que foi prefeito por um dia ao promulgar as leis em questão no lutar de Luciano Almeida.

A criação da Região Metropolitana de Piracicaba foi um ganho fenomenal, que permitiu ao prefeito se posicionar como verdadeiro líder regional e Luciano Almeida tem agora um caminho aberto para sua projeção, se o propósito de se criar uma RPM for levada a cabo, seguindo sua finalidade original de união regional para projetos de interesse comum.

A contratualização frustrada com os hospitais HFC e Santa Casa, que exigiu um acordo tampão de apenas três meses, pode ser o sinal de problemas mais graves num futuro próximo. Por sinal, é na saúde que o desempenho do governo tem recebido as melhores notas da população.

A não continuidade do cursinho municipal - pelo menos até o momento é esta a informação que se tem - foi um erro evidente, apontado por pessoas que se manifestaram a respeito, mas pediram para que seus nomes não fossem divulgados.

Voz da rua

Ao invés de continuarmos na retrospectiva, que se espera do último caderno de 2021, a Gazeta achou por bem ir à rua e coletar algumas opiniões sobre temas diversos de pessoas anônimas. Seja ela usuária do sistema público de transporte, dos postos de saúde, seja ela preocupada com a segurança pública e com os espaços turísticos, enfim.

Sônia Cardoso, 64, moradora do Centro, é uma usuária padrão do SUS. Segundo ela, não há motivos para reclamações. "Minha família sempre foi bem atendida". O marido fez ponte de safena no HFC, há cinco anos, com acompanhamento médico de altíssimo nível. O filho sofreu acidente de moto e quase perdeu o movimento da perna. "O atendimento médico para ele foi maravilhoso. Está inclusive recuperando gradativamente sua vida normal, apesar dos 16 parafusos na perna e duas placas". Ela mesma tem problemas de saúde e aguarda por cirurgias. "Mas não posso reclamar do atendimento que tenho tido aqui no postinho do Centro. É muito bom".

Maria Helena Camargo Chiquito e seu marido, João Francisco, disseram que quase sempre tiveram convênio médico, mas depois que precisaram do SUS o atendimento de saúde recebido melhorou ainda mais. "Verdade. Sou mais bem atendida na rede pública do que eu era na rede privada". Ela observa que tudo vai da paciência da pessoa. O que depende de outras unidades fica um pouco mais difícil. "Mas depende de paciência. Não tenho do que reclamar". Tudo o que ela dizia era confirmado pelo companheiro, ao seu lado.

Rosângela Lopes é usuária da linha que liga o Terminal Central à Ártemis. Segundo ela, há ônibus disponíveis apenas nos períodos de entrada e de saída do trabalho, ou seja, de manhã e à tarde. Retiraram o ônibus que havia no horário do almoço. "Para as famílias, não ter três ônibus por dia, pelo menos, dificulta muito".

Silvana Campos, 50, observa que nos finais de semana não há ônibus na linha Unileste/Cecap. "Para qualquer coisa que tenho que fazer, inclusive trabalhar, nos finais de semana, dependo da boa vontade do meu marido, que precisa me levar de carro. Mas antes não era assim".

Telma de Castro, 59, vai direto ao assunto. "O sistema de transporte está péssimo. Veja só, para ir do Centro ao IAA preciso agora ir para o Terminal do Sônia. Porque dependendo do horário não tem ônibus direto, a não ser bem de manhã (das 4h45 às 8h35) e no período da tarde". São observações que precisam ser levadas em consideração uma vez que a passagem de ônibus vai aumentar.

Robson Piza, 52, é morador de rua e acha o atendimento oferecido pelo governo municipal ao público que ele compõe muito ruim. "Estão tirando tudo o que nós temos. Vem o pessoal do catacacareco e leva colchão, cobertor e tudo o mais. No Centro Pop é lugar só para tomar banho e tomar café. Não há qualquer idéia para tirar a gente dessa situação. Sou doente, tenho problema pulmonar, preciso de uma oportunidade de emprego. Eles poderiam muito bem criar uma frente de trabalho para nós. Mas sou visto apenas como um ser estranho e perigoso".

André Luiz Fagundes Melo enfatiza essa falta de uma frente de trabalho para que o pessoal possa alugar um lugar para morar. "Aí sai da rua". Edvaldo José Silva lembrou que o presente de Natal dos moradores de rua foi invertido. "Veio o pessoal do catacacareco e levou tudo, inclusive os panetones que eu tinha ganhado, inclusive meu carrinho de catar papelão. Deixaram a agente apenas com a roupa do corpo".

Maria Cristina, 63, proprietária do restaurante Porto das Águas, da Rua do Porto, disse que "este está sendo o pior governo para os empresários da Rua do Porto. Não temos nenhum benefício, só cobrança. Não temos segurança. Os moradores de rua estão tomando o espaço, não podemos abrir à noite porque a população tem medo de vir em um local escuro, onde falta iluminação. Temos de cortar o mato e varrer o calçadão. Este local é lindo, maravilhoso, mas falta um olhar para ele. Mas este governo não está fazendo nada".