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Ensino mais forte
Rede pública estadual ganha novo status com o Programa de Ensino Integral

Por Romualdo Cruz Filho

‘José Romão’ é uma das escolas do Programa de Ensino Integral

Crédito: Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba

‘José Romão’ é uma das escolas do Programa de Ensino Integral

Com o desenvolvimento da rede pública do Estado de São Paulo, de ensino fundamental e médio, e a adequação das unidades escolares para que seus alunos permaneçam mais tempo na companhia dos seus professores, de manhã e à tarde, em Piracicaba faltam apenas três escolas para a universalização do Programa de Ensino Integral (PEI). São 59 escolas existentes e 56 no regime PEI, que atendem ao todo cerca de 30 mil crianças e adolescentes.

Essa nova proposta de ensino tem atraído as famílias de classe média de tal forma que apenas no ano passado 4.117 alunos deixaram o ensino privado para ingressar na rede pública. O que representa cerca de 12% do total. Este ano foram mais 2.768, totalizando, em dois anos, um crescimento de 20% do público atendido pelo Estado.

O diretor regional de ensino de Piracicaba, Fábio Negreiros, explica que são vários os fatores que têm contribuído para o fortalecimento da rede pública. A crise econômica decorrente da pandemia, as vantagens para os alunos do ensino público terem acesso às melhores universidades do Estado de São Paulo e, o mais importante, o fato de a escola estadual ter dado de fato um salto imenso de qualidade com o PEI, o que tem tranquilizado as famílias que precisaram fazer a migração da rede privada para a pública.

"Inicio minha observação por um aspecto que considero primordial, que é o fato de os professores do PEI darem aula em apenas uma escola, em contrato integral. Isso faz com que haja um vínculo maior com a unidade de ensino e se estabeleça forte identidade entre ambos, o que demonstra respeito ao profissional. Caso um professor precise faltar, ele é automaticamente substituído pelo seu próprio colega de equipe, sem haver a necessidade de buscarmos outro profissional de fora para substituí-lo. Uma condição que dá maior unidade e integração entre os professores, alunos e a escola", explica Negreiros.

Segundo ele, o trabalho do professor com seus alunos, no regime de tempo integral, é mais intenso e pode ser melhor elaborado, exigindo maior envolvimento de ambos. O resultado final é um salto perceptível de qualidade. "Tanto é que nas universidades paulistas houve um crescimento expressivo do número de alunos oriundos da rede pública estadual nos últimos anos. Saltamos de menos de 20% de ingresso para cerca de 50% das vagas disponíveis. Esta é uma verdadeira demonstração de que estamos conseguindo ombrear com alunos do ensino privado", observou.

Para Negreiros, inegavelmente essa mudança estrutural tem se tornado um forte atrativo para as famílias. "Evidentemente que há o fator econômico. Com a pandemia muitas famílias tiveram suas rendas comprometidas, o que exigiu a procura de alternativa, encontrada na rede estadual. Antes da pandemia, em 2019, apenas 1.801 alunos das escolas privadas se matricularam nas escolas estaduais. Tanto é que, com a retomada econômica, este ano (2021) foi menor o número de alunos a migrar para o ensino público, mesmo assim, o número ainda é expressivo". Negreiros disse também que cerca de dois mil alunos da rede estão ainda fora do ensino integral.

Persona

Gabriel Ribeiro Visque é da Escola Estadual José Romão, onde estudam cerca de 450 alunos, da Vila Rezende. Ele vai para a 8º ano em 2022. “No tempo integral a gente aprende mais, tem mais tempo para os amigos e recebe aula de reforço, caso as coisas não andem bem. Por isso gosto muito do sistema em tempo integral, apesar de dar um pouco de sono”.

Sua mãe, Mirela Visque, é uma entusiasta do PEI. “Isso mudou o coneito de escola pública para muito melhor”. E acompanha toda a dinâmica da escola e do filho.

“Devido à pandemia, os alunos estão se adaptando, inclusive porque este é o primeiro ano em tempo integral e eles voltaram a se encontrar presencialmente apenas em novembro. Mas a Romão é muito bem estruturada. No tempo integral é mais fácil para identificar os alunos protagonistas. Com a participação dos pais e envolvimento da sociedade, tem tudo para dar certo”, sintetiza Mirela