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Transporte público
Mais que a inflação
Reajuste na tarifa única será de 16,6%, o que vai gerar protesto no Terminal Central

Por Romualdo Cruz Filho

Leitor de cartão indica o preço atual da tarifa única de R$ 4,80 no Terminal Central de Integração

Crédito: Mateus Medeiros

Leitor de cartão indica o preço atual da tarifa única de R$ 4,80 no Terminal Central de Integração

A Prefeitura acumulou os reajustes inflacionários dos dois últimos anos na tarifa do transporte que entra em vigor em janeiro de 2022. O aumento corresponde a 16,6% para a tarifa única, que passa de R$ 4,80 para R$ 5,60, e de 14% para a tarifa social, que vai de R$ 4,30 para R$ 4,90.

"A Prefeitura de Piracicaba repassará ao usuário o menor reajuste da tarifa do transporte coletivo, considerando apenas a variação da inflação do acumulado dos últimos dois anos", diz nota oficial. Ou seja, o governo deixa claro que o fato de não ter repassado o aumento no ano passado, o impacto no bolso do usuário do sistema veio agora e de uma só vez.

A nota do governo, com base em informações da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transportes (Semuttran), detalha que 51% dos usuários utilizam o vale-transporte e para esse público não haverá impacto, uma vez que o desconto no salário é de 6% e o restante do valor é pago pelo empregador.

A Semuttran não explica, porém, como o empregador vai administrar esse impacto em seus custos, que certamente redundará em aumento dos custos dos seus produtos ou serviços, ou, então, no corte de pessoal. A conta acaba, de alguma forma, sendo paga pelo consumidor e refletindo em mais custos para a sociedade. Mesmo a tarifa social, que acumula reajuste "inferior" a 14%, sofreu reajuste que corresponde aproximadamente à correção do salário mínimo dos dois últimos anos (4,7% em 2020 e 10,04% em 2021).

Subsídio

A prefeitura justifica de fato o reajuste pelos benefícios sociais que proporciona a parcela da população. "Aplicamos o menor índice de correção possível, para definir um valor no qual o sistema consiga se sustentar. Lembrando que a prefeitura continuará subsidiando o transporte coletivo e o custeio dos descontos e gratuidades, como 100% para idosos 60+, para pessoas com deficiência e para aposentados por invalidez e 50% para estudantes", explica a responsável pela Semuttran, Jane Franco Oliveira.

Jane lembra que nos últimos dois anos sem reajuste, todos os itens que compõem os custos do sistema de transporte sofreram reajustes. "O diesel, por exemplo, somente neste ano, teve alta em torno de 65%. Sendo assim, se fôssemos considerar tudo que engloba o transporte público, como manutenção, mão de obra, entre outros, esse aumento poderia ter sido maior, cerca de 25%".

Segundo a prefeitura, o custo da tarifa do transporte coletivo tem sido amplamente discutido por vários municípios junto à Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que se mobilizou para pedir apoio ao Governo Federal para que repasse, pelo menos, o valor que corresponde às gratuidades do serviço para idosos.

Protesto

O Movimento Pula-Catraca se reuniu ontem, de forma virtual, para decidir como será a manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. Bruna Ferreira, presidente da União da Juventude Socialista (UJS), disse que mais de 30 entidades, movimentos sociais, lideranças de bairros estão envolvidas nesta questão. “A proposta inicial era que o protesto fosse no dia 5 de janeiro. Mas isso tudo será decidido hoje à noite”(ontem), garantiu.