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Horta-Escola
Plantando sonhos
No projeto, pessoas surdas têm a oportunidade de aprender uma nova profissão

Por Larissa Souza

Alexsandro Aparecido do Prado e Michael Douglas na horta

Crédito: Divulgação

Alexsandro Aparecido do Prado e Michael Douglas na horta

“O Alex está muito feliz, está acordando cedo, tem disponibilidade, ele chega em casa feliz e está aprendendo muitas coisas boas", disse Mineia Aparecida Rodrigues Ribeiro, mãe de Alexsandro Aparecido do Prado, um dos participantes do projeto Horta-Escola, que oferece aulas técnicas sobre agricultura para membros da comunidade surda que estão desempregados ou em situação de vulnerabilidade social, permitindo que essas pessoas consigam ingressar no ramo e adquirir uma fonte de renda e uma profissão. Ele é desenvolvido pela Assupira (Associação de Surdos - Libras Piracicaba), em parceria com a CJ do Brasil e a Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento).

Para a mãe de Michael Douglas, que também faz parte do Horta-Escola, a iniciativa está auxiliando seu filho a ser mais independente e maduro. "Ele fica menos na televisão e na internet, dorme mais cedo, acorda ativo e com vontade de ir para o projeto. Chega de lá todo contente", contou Adna Miamim de Souza.

Na horta, Alex, Michael, e outras três pessoas, aprendem sobre o ofício de produtor rural, trabalhando com métodos da agricultura urbana e sustentável, com acolhimento e a orientação de profissionais. A equipe de trabalho da horta é formada por voluntários que atuam nas áreas de engenharia agronômica, microbiologia agrícola, nutricionismo, além de um instrutor de Libras e da equipe de tradutores e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa (tils) da Assupira.

De acordo com Bia Turetta, que é segunda secretária da Assupira, a iniciativa também tem o objetivo de ensinar os participantes sobre a alimentação saudável e o valor nutricional dos alimentos.

O Horta-Escola foi idealizado, inicialmente, por Ligia Rualdes, da Aldeia Brasil e, depois, reformulado pela equipe de gestão técnica da Assupira. Para tirar a ideia do papel, a Sema intermediou o contato com a empresa CJ do Brasil, que forneceu um espaço de 1000 metros quadrados para a horta, a título de comodato, uma quantia em dinheiro para o transporte dos participantes, compra de insumos, equipamentos agrícolas, EPI's, além de uma equipe de gestão técnica da alimentação.

"Temos muito orgulho em poder auxiliar na implantação de um projeto que contribuirá para a inclusão e o desenvolvimento da comunidade surda. Estamos muito felizes com essa parceria que certamente já está sendo sucesso na vida dos participantes e suas famílias", comentou Mr. Bae, presidente da Fábrica CJ do Brasil.

A Sema também realizou o encanteiramento da horta e colocou sua equipe técnica à disposição do projeto. "A Horta-Escola é um projeto bastante inovador. A Sema tem a honra de apoiá-lo e de ter ajudado nesta interlocução entre a empresa CJ do Brasil e a Assupira, propiciando a geração de renda e inclusão social dessas famílias por meio da agricultura urbana", disse Nancy Thame, secretária da Agricultura e Abastecimento de Piracicaba.

Com o auxílio de uma grande equipe técnica, os participantes já estão trabalhando na horta. Os primeiros alimentos plantados foram alface americana, rúcula, coentro, cebolinha, alface roxa, couve e ora-pro-nóbis. Ainda está prevista a plantação de abóbora (menina, cabotiá, italiana, moranga), alface (crespa, americana, roxa), berinjela, pimentão verde, tomate-cereja, espinafre da Nova Zelândia, mandioca, salsa, brócolis, pepino caipira, almeirão, chicória, repolho, escarola, maracujá azedo, abacaxi, jiló, pimenta (dedo de moça, Cambuci), quiabo, milho verde, beterraba, rabanete, alho-poró, manjericão verde, alecrim, batata-doce e salsão.

Também faz parte do projeto da horta a criação de sistemas agroflorestais (saf) para a produção de árvores frutíferas.

Ainda há vagas para mais cinco pessoas. Quem decidir ingressar no Horta-Escola, poderá escolher os dias em que participará, de acordo com a disponibilidade de transporte para seu bairro.

Os integrantes do projeto irão aprender a plantar, cultivar, e também vender os alimentos da horta. Parte do dinheiro proveniente das vendas será dividida entre eles e a outra será investida no Horta-Escola, para garantir a sua manutenção.

Segundo Bia, o projeto significa a realização de um sonho do Grupo Libras Piracicaba e Região (GLPR), que deu origem à Assupira. "Espera-se que ao final do projeto as pessoas atendidas sejam capazes de plantar, colher e gerar renda familiar a partir da comercialização dos produtos", comentou.

Apoiadores

O projeto é apoiado pelas empresas Coisas de Nono, IBS mudas, Comercial Paraíba, Nikito Stamp, Madeireira Santa Julia, Orga fertilizantes, LN Construções e Engenharia, Lima e Silva e pelo produtor Joel Souza. "Esperamos que outras empresas se animem a contribuir com o projeto e suas possibilidades de ramificação", afirmou Bia.

Gestão técnica da horta

Deisi Navroski (doutoranda em microbiologia agrícola), Felipe Moraes Rigo (estudante de engenharia agronômica), Gustavo Bogar Rapoport (estudante de engenharia agronômica), Izabelly Cristina Pacífico (mestranda em microbiologia agrícola), Julia Aparecida Tameirão (estudante de engenharia agronômica e licenciatura em ciências agrárias), Letícia Frabetti Cardoso De Mello Tucunduva Gomes (estudante de engenharia agronômica e licenciatura em ciências agrárias) e Lucas Afonso Fernandes Dos Santos (estudante de ciências biológicas). Também fazem parte da equipe de voluntários do projeto Juliana Cruz Soares Garcia (nutricionista) e João da Cruz Alves da Costa (instrutor que oferece aulas de Libras para a equipe de voluntários).

Como participar

Para participar basta enviar uma mensagem para a Assupira demonstrando interesse. O contato pode ser feito pelo e-mail [email protected], pelo whatsapp (19) 97829-6009 ou pelas redes sociais (Facebook e Instagram) @assupira.