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Centenário de Tupi
Importante polo comercial e cultural de Piracicaba, distrito completa 100 anos em 2021

Por Larissa Souza

A cidade ainda tem como núcleo a Igreja São José de Tupi

Crédito: Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba

A cidade ainda tem como núcleo a Igreja São José de Tupi

“Quando o trem chegou foi uma grande felicidade porque os produtos vinham e eram despachados por ele. Não tinha caminhão ou essas facilidades que se tem hoje", comentou a professora Conceição Apparecida Basso Boaretto, 94 anos, uma das mais antigas moradoras do distrito Tupi, que completa 100 anos em 2021. O trem a que Conceição, que hoje vive em uma casa no Centro de Piracicaba, se refere é o que passava pela estação do Tupi, no ramal entre Santa Bárbara d'Oeste e Piracicaba.

A construção do ramal foi o primeiro passo para a criação do que seria, depois, o distrito de Tupi. José Basso, avô de Conceição, foi quem pediu para que a estação fosse construíperto da Fazenda Morro Grande, de acordo com o historiador Antonio Carlos Angolini. "Ele, que era um italiano e já conhecia a ferrovia na Itália, lutou para que fosse inaugurada uma estação próximo à fazenda", comentou.

Depois de muita insistência do fazendeiro, o Governo do Estado de São Paulo concordou em instalar a estação ferroviária, desde que fosse construída a Estação Experimental de Algodão de Piracicaba no Tupi. Basso conseguiu doações de terra para a Estação Experimental de Algodão de Piracicaba, que depois se tornaria o famoso Horto Florestal de Tupi.

Depois de receber a autorização do Estado, a Câmara de Piracicaba, responsável pela construção da estação, comprou 19 alqueires da fazenda Tijuco Preto e loteou seis deles, parte que hoje é o núcleo principal do, hoje, distrito de Tupi. Os outros 13 alqueires foram vendidos para o italiano Marcelino Boaretto. O primeiro morador do Tupi foi Augusto Marengo, que comprou um terreno em 1921, um dos melhores, em frente à estação. Ele montou um pequeno barraco de madeira e um armazém para atender os trabalhadores da ferrovia. "Há 100 anos chegava aqui o primeiro morador", comentou Angolini.

Em 29 de julho de 1922 foi inaugurado o prolongamento do ramal ligando Santa Bárbara d'Oeste em Piracicaba. Foi um dia de grande festa, de acordo com Conceição. Ela fala que um dos principais passeios dos jovens na época era por meio do trem. "A estação era bem conservada", conta.

Após um ano, foi oficializada a criação da Estação Experimental de Algodão de Piracicaba.

Tempos depois, foram criadas três colônias na Fazenda Morro Grande, segundo Conceição, cada uma com cerca de oito casas.

Em 13 de abril de 1923 foi construída a União das Escolas de Tupi, depois nomeada como Grupo Escolar Pedro de Mello. A instituição, que acolhia os filhos dos fazendeiros que residiam na região, foi construída por José Basso e Marcelino Boaretto.

Conceição, que estudou quatro anos no grupo, lembra-se bem da escola. Ela contou que a instituição era dividida em três partes, a central, com classes, outra com o teatro, e outra com mais duas salas. "Nós éramos artistas, a gente declamava, cantava, o senhor Pousa era um diretor dinâmico", contou.

Em meados de 1923, foi construída a Capela de São José, transferida do bairro Quebra-Dente.

No mesmo ano, foi elaborada uma comissão para construir uma capela no bairro. Depois de uma longa discussão, decidiu-se pela demolição da Capela de São José, que existia na divisa com Santa Bárbara D'Oeste, para construir uma capela no Tupi.

O começo

Quando Conceição visita Tupi, hoje, percebe por quantas mudanças o distrito passou durante esses 100 anos.

Em seus primórdios, ela lembra, eram poucos estabelecimentos comerciais. Produtos que hoje são facilmente encontrados no mercado, como o fubá e o arroz, passavam por alguns processos antes de estarem prontos para o consumo.

"Para produzir o fubá, era preciso plantar e colher o milho, depois levar até uma fazenda onde havia uma máquina de moer. O mesmo processo era feito com o arroz. Os fazendeiros cobravam para que os produtos fossem processados.

Na fazenda de seu avô, a Morro Grande, era produzida a pinga Tupi, um produto bem conhecido. Depois, foram instalados alguns estabelecimentos comerciais. Segundo ela, os principais eram uma farmácia, uma loja de tecidos, uma padaria, um armazém, um açougue e uma loja de doces caseiros.

Ela acredita que desde a época em que morou no bairro, em meados de 35, o bairro avançou muito. "Melhorou bastante, hoje dá para se comprar tudo por lá. Tem restaurante, loja", comentou Conceição.

Centenário

Hoje, Tupi é além de local de moradia para um grande número de habitantes, um produtivo polo comercial e cultural.

Com diversas casas, a cidade ainda tem como núcleo a Igreja São José de Tupi, por meio da qual são realizados diversos eventos, como a Festa Junina.

Outro grande evento que é realizado todos os anos pelos moradores é o Natal Luz, que neste ano acontecerá nos dias 10,11, 17 e 18 de dezembro.

A paróquia e toda a praça da igreja estão sendo enfeitadas para a celebração. Elas permanecerão iluminadas com lâmpadas leds e adornos durante toda a programação.

Além dos moradores, 10 empresas da região contribuíram com os enfeites de 10 árvores da praça, que costumam custar em torno de R$ 300,00.

Nos dias 10, 11 e 17, as missas serão celebradas, respectivamente, pelos padres Renato Luis Andreatto, Kleber Fernandes e Reginaldo Brandão, todas às 19h30.

Para a alimentação, as opções serão pastéis, lanche de contrafilé, lanche de pernil, cuscuz, minipizzas, além de cervejas e refrigerantes.

O Natal Luz será a primeira de uma série de atividades que fará parte da comemoração dos 100 anos do distrito de Tupi.