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Em stand by
Sem decisão sobre o Carnaval de 2022
Na expectativa sobre a liberação do Carnaval, blocos de rua não pensam em plano B

Por Romualdo Cruz Filho

Cordão do Mestre Ambrósio sempre arrasta milhares de pessoas

Crédito: Mateus Medeiros

Cordão do Mestre Ambrósio sempre arrasta milhares de pessoas

Diante das incertezas sobre o Carnaval do ano que vem, alguns blocos da cidade estão se movimentando para evitar que a festa do Momo passe mais um ano no gelo por causa da pandemia do novo coronavírus. No entanto, o cenário, por enquanto, não é promissor. A Resolução 151 do governo estadual, em vigor, permite apenas eventos com limite de participantes, com protocolos e controles sanitários, o que impossibilitaria atividades abertas ao grande público.

Juca Ferreira, do Cordão do Mestre Ambrósio, disse que se pandemia estiver sob controle, com índices baixos de contaminação, com imunização em estágio avançado na cidade, ele é a favor de haver carnaval, "seguindo, evidentemente, todas as exigências sanitárias".

A lógica, segundo ele, é permitir que muitas pessoas que vivem de eventos culturais como este possam movimentar o mercado gerando emprego e renda. "Esse setor econômico está parado e faz tempo". Mesmo assim ele considera arriscado apostar em algo sem o respaldo oficial. "Os blocos dependem de patrocinadores e o apoio só vem com a determinação do governo de que podemos festejar".

Na capital paulista, a decisão oficial sobre a realização do Carnaval está em stand by e foi adiada para o final de dezembro, quando as informações sobre os riscos de uma eventual quarta onda da Covid-19, ocupações de leitos hospitalares e cobertura vacinal derem segurança a uma possível abertura.

De acordo com o Estadão de ontem, pelo menos 70 cidades do interior do estado já confirmaram que não vão realizar a festa, seja por medo da pandemia e seu eventual recrudescimento, seja por respeito às famílias que perderam entes queridos por causa da doença.

Posição oficial

A Prefeitura de Piracicaba informou que está seguindo a Resolução 151 do Governo do Estado, o que derruba por hora qualquer expectativa sobre a festa. Mas deixa um álibi:

"No decorrer dos próximos dias, e em virtude do período de férias e festas de final de ano, essa resolução poderá ser alterada, e as medidas serem mais ou menos restritivas, levando em conta a evolução ou diminuição da pandemia".

Em síntese, "a realização ou não do Carnaval 2022 em Piracicaba está condicionada a essa resolução e suas alterações e também a decisões em âmbito municipal, levando em conta o cenário da pandemia".

A Semac montou uma comissão de Carnaval há dois meses para tratar do assunto, com representantes das escolas de samba e representantes de blocos. O prefeito Luciano Almeida está aguardando decisão das cidades que compõem a Região Metropolitana de Piracicaba sobre o assunto para ver se é possível uma decisão em conjunto. A FM Municipal realizou uma enquete esta semana e 87% dos participantes disseram que não gostariam de ver carnaval no ano que vem em Piracicaba.

História recente

O Carnaval de 2020 foi visto como um dos vilões da grande explosão da Covid-19 no Brasil. Tanto é que em 2021 se tornou insano pensar em festa e o Momo ficou em isolamento absoluto.

A questão deste ano é ambígua. Se por um lado poderia haver a festa, uma vez que a pandemia no país está, em tese, sob controle, há de fato o risco de uma quarta onda da Covid-19 vinda novamente da Europa, onde o número de casos já está em crescimento assustador, especialmente em regiões onde a cobertura vacinal é baixa. E o Carnaval seria a porta de entrada para novas cepas do vírus, o que retomaria o drama social dos dois últimos anos, prejudicando ainda mais a população, tão fragilizada.