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Até quando?
Ciclistas reivindicam respeito no trânsito
Morte de José da Costa Gonçalves motivou passeata com a participação de 500 pessoas

Por Larissa Souza

Filho e amigos de José da Costa Gonçalves participaram do ato

Crédito: Mateus Medeiros

Filho e amigos de José da Costa Gonçalves participaram do ato

“Até quando? Quantos pais de família vão precisar morrer?”, disse Danilo Mendes da Costa, filho de José da Costa Gonçalves, sobre a falta de infraestrutura para atender às necessidades de ciclistas como seu pai, que morreu na manhã de segunda-feira (22) depois de ser atropelado por um ônibus. Gonçalves foi homenageado em uma passeata realizada na noite de ontem por movimentos de ciclistas, com a participação de cerca de 500 pessoas, segundo estimativa dos organizadores e da Secretaria de Trânsito e Transportes (Semuttran).

“É importante a gente ter essa luta e honrar a memória dele de certa maneira”, falou Costa, que carregava um porta-retrato com a foto do pai. Esse é o segundo acidente fatal envolvendo ciclistas esse ano.

José, ou Deda, como era conhecido segundo seu amigo Leandro Alberico Alves, estava a caminho do banco quando foi atropelado na avenida Comendador Luciano Guidotti. Alves, que era amigo há 20 anos dele, contou que o ciclista era amado por todos. Ele acredita que o acidente poderia ter sido evitado se houvessem mais ciclovias na cidade e estrutura adequada para o tráfego de ciclistas. “Tem que ter mais sinalização, mais infraestrutura, ciclovia, estrutura para a gente estar circulando”, disse.

Os manifestantes, que carregavam cartazes com frases como “respeite a distância de um metro e meio” e “respeite os ciclistas”, faixas e balões pretos, e flores, caminharam pela avenida Luciano Guidotti entoando palavras de ordem que cobravam mais segurança para os ciclistas.

Um dos participantes do ato foi o barman Gabriel Gomes Camilo. Ele perdeu seu irmão, o ciclista Nikolas, há sete anos, também em um acidente envolvendo um ônibus. O jovem de 20 anos foi atingido pelo veículo e teve traumatismo craniano. “Depois de sete anos não foi feito nada. Não podemos mais ficar esperando um ano, dois”, comentou Camilo.

A integrante do movimento Mais Ciclovias, Alessandra Ribeiro, disse que as principais demandas dos ciclistas estão relacionadas com a falta de ciclovia e ciclofaixas, de manutenção das existentes, além de ações que conscientizem os motoristas sobre o respeito no trânsito.

Ela lembra que na apresentação do plano de 100 anos do prefeito Luciano Almeida foi prometido que haveria um aumento de 10 quilômetros de ciclovias por ano, o que não foi feito. “Aconteceram apenas algumas pequenas melhorias nas ciclovias e ciclofaixas já existentes, que somam 5,89 quilômetros”.

Ao final do ato, os ciclistas colocaram bicicletas, cartazes e flores no chão e fizeram uma oração. A Semuttran acompanhou a manifestação.

Presença de autoridades

Os vereadores Thiago Ribeiro e Ana Pavão participaram do ato. De acordo com Ribeiro, os parlamentares encaminharam documento para a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) exigindo esclarecimentos sobre o acidente, tendo em vista que o ônibus que atropelou o ciclista estava irregular. O vereador também reivindicou a criação de ciclovias adequadas. “É isso o que nós queremos e vamos cobrar do Poder Executivo”, disse.