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Escola cria orquestra
Alunos da Escola Manassés Ephrain Pereira aprenderem um instrumento de forma gratuita

Por Larissa Souza

Projeto, que existe há 10 anos, foi implantado na Manassés há 90 dias

Crédito: Mateus Medeiros

Projeto, que existe há 10 anos, foi implantado na Manassés há 90 dias

Em três meses, alunos da Escola Estadual Professor Manassés Ephrain Pereira que nunca tinham tocado nenhum instrumento descobriram o amor pela música, já seus professores encontraram grandes talentos ou "cristais que precisavam ser lapidados", como disse o professor de música Rogério Pereira de Souza.

Ele é um dos coordenadores do Projeto Educação Harmoniosa, que dá a oportunidades de alunos de escolas públicas aprenderem um instrumento de forma gratuíta, com aulas semanais.

O projeto, que existe há 10 anos, foi implantado na Escola Manassés Ephrain Pereira há 90 dias. Rogério e Adilson de Souza, ex-guardas mirins e músicos profissionais, ministram aulas de cerca de duas horas todas as sextas-feiras para os alunos do 6º ao 9º ano.

Como a escola é de ensino integral, além das aulas, os estudantes também têm a oportunidade de praticar antes de ir para casa.

Na última quinta-feira (11), os 25 alunos realizaram uma apresentação, formando uma orquestra, com instrumentos da escola e particulares. O desempenho deles impressinou os envolvidos no projeto.

Os estudantes disseram à Gazeta que estão vivendo uma oportunidade única de aproximarem-se do universo musical. O pequeno Samuel Miranda dos Santos, do 7º ano, contou que sempre quis aprender a tocar trompete como seu pai. "Quando apareceu o projeto na escola, eu fiquei muito feliz", falou.

O aluno do 9º ano, Alisson Klaiv Santos Ferreira, considera a experiência importante para compartilhar conhecimentos com seus colegas de escola. "A gente se sintoniza. Eles me ajudaram muito", comentou.

O professor Rogério explica que o aprendizado dos alunos foi um processo iniciado com o direcionamento dos estudantes para os instrumentos que mais se encaixam com o perfil de cada um.

Para ele, o ensino musical é um processo de sociabilização, que interfere na postura, na disciplina, respeito e em vários aspectos da vida do aluno.

Eles também têm a oportunidade de conhecer e até tocar outros estilos musicais que não estão habituados a ouvir.

Depois de conhecer diferentes estilos, é mais fácil para o estudante escolher o seu.

De acordo com Rogério, os alunos têm demonstrado grande interesse em aprender, cada vez mais, sobre os instrumentos. "O desenvolvimento deles é sensacional. Tem várias vezes que eu saio e vou chorar", comenta.

A diretora Cláudia Aparecida Roccia Zanão explica que, antes do início do projeto, os instrumentos estavam guardados. "Não tinha ninguém para ministrar essas aulas. Para nós, como escola, o projeto foi muito importante", acrescentou.

A estudante Deborah do Nascimento Lima, do 9º ano, já tinha tocado trompete e enxergou, no projeto, a chance de aperfeiçoar seus conhecimentos. "É muito prazeroso", disse.

Já Yasmin Rosada, do 6º ano, que também integra a orquestra, está desenvolvendo ainda mais a sua experiência com a caixa. "Eu tocava na minha outra escola e agora o professor ensinou mais coisas", falou.

Outro aspecto positivo da música é a inclusão. De acordo com a coordenadora da escola, Nathália Garcia Natal, um dos alunos que participa da orquestra é autista e têm grandes dificuldades para lidar com sons altos. "Na música ele se encontrou, ali ele se sente bem", contou.