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Sob risco de corte
Com déficit, hospitais filantrópicos pedem ajuda do Legislativo para aumento de subsídios municipais

Por Romualdo Cruz Filho

Gilmar Rotta recebeu ofícios dos hospitais filantrópicos da cidade

Crédito: FABRICE DESMONTS

Gilmar Rotta recebeu ofícios dos hospitais filantrópicos da cidade

Na quinta-feira (11), os hospitais filantrópicos da cidade – Hospital dos Fornecedores de Cana (HFC) e Santa Casa de Piracicaba – enviaram ofício ao presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Gilmar Rotta, pedindo para que os parlamentares intermedeiem a negociação das contratualizações que devem ser assinadas até dezembro, com validade para o ano que vem, sob o risco de as unidades terem que cortar 7.200 internações no ano, o que geraria grande impacto em Piracicaba e na microrregião junto à população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

A redução no atendimento corresponderia a 40% dos serviços prestados ao SUS este ano. Para evitar o problema, pedem um acréscimo de R$ 36 milhões ao ano no valor total repassados às duas entidades.

O ofício é assinado por José Coral, presidente do Hospital HFC e Alexandre Valvano Neto, vice-provedor da Santa Casa. “Encaminhamos ao prefeito Luciano Almeida e ao secretário de Saúde Filemon Silvano proposta para a contratualizaçao do próximo ano prevendo a manutenção do quantitativo de serviços atualmente contratualizados, considerando que a população de Piracicaba e região dependem dos atendimentos prestados pelos hospitais filantrópicos.

No entanto, para que possamos manter esse nível de atendimento, é necessário incremento no valor do incentivo municipal para as duas entidades no valor mensal de R$ 3 milhões de reais”, diz o ofício.

Os missivistas explicam que a tabela SUS não tem reajuste há mais de 15 anos e, atualmente, cobre apenas um terço do custo dos atendimentos, gerando dois terços de prejuízo. “Com o valor de incentivos e emendas é possível cobrir mais um terço, no entanto, falta um terço para cobrir apenas os custos”. Eles alegam ainda que os incentivos municipais não são reajustados desde 2017, sofrendo, inclusive, redução em R$ 300 mil em 2018. “Perguntamos, como manter a quantidade de atendimentos sem incremento financeiro proporcional ao aumento de custos?”

Segundo os hospitais filantrópicos, a estrutura é imensa e de custo elevado. “Os custos fixos referem-se ao salário dos colaboradores, mais de 20 plantonistas em regime presencial e cerca de 22 escalas de médicos em disponibilidade nas mais diversas especialidades, contrato de manutenção, contratos de equipamentos, energia, sistema de informação, locação de equipamentos, lavanderia, manutenção predial, dentre outras variáveis que tiveram seus valores aumentados em níveis insuportáveis, deixando um rombo cada vez maior nos cofres. São custos reajustados anualmente e 60% deles destinados ao SUS”.

Os hospitais argumentam ainda que são responsáveis por 85% das internações de média e alta complexidade em Piracicaba e região, além de 100% dos serviços oncológicos. “Houve investimentos das unidades para o enfrentamento da Covid-19 em leitos e equipes”, destacam. O déficit mensal de ambos os hospitais em 2021, em decorrência dessa defasagem é de R$ 5,6 milhões. Sendo que até setembro já acumularam juntos um déficit de mais de R$ 50 milhões.

O subsecretário da Saúde. Augusto Muzilli, disse que o ofício dos hospitais foi enviado esta semana. “Este é um problema de contabilidade que nos foi apresentado recentemente”. Ele garante também que estão sendo realizados estudos para evitar o agravamento da situação. “Estamos nos reunindo com frequência com o prefeito, secretários e técnicos da saúde, inclusive com representantes dos hospitais, para encontrarmos a melhor equação que proporcione uma solução viável e minimize o problema desses prestadores de saúde”, enfatizou.

Segundo Muzzilli, a situação dos hospitais é compreensível, e que somente o diálogo permitirá uma alternativa saudável, que beneficie ambas as partes e garanta o atendimento da população. “Entendemos que a tabela SUS está aquém da necessidade dos hospitais, porque o pagamento feito pelo Ministério da Saúde não é o suficiente. Apesar de que o HFC tem seu setor particular que suplantam o déficit, o que permite que deem um suporte para a cidade. Mas vamos sim encontrar uma solução para que possamos renovar o contrato para 2022, uma parceria de fundamental importância para toda a população”, concluiu.