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Reciclador Solidário
20 anos de história
Com importante papel ambiental e social, Reciclador Solidário celebra conquistas de sua trajetória

Por Larissa Souza

Cooperativa tem, hoje, 41 cooperados, e muitos deles dependem do salário para manter suas famílias

Crédito: Mateus Medeiros

Cooperativa tem, hoje, 41 cooperados, e muitos deles dependem do salário para manter suas famílias

O Reciclador Solidário comemorou ontem seus 20 anos de fundação, completados no dia 3 de novembro, com uma confraternização entre os cooperados. A cooperativa é referência na reciclagem de materiais em Piracicaba, ação que evita o acúmulo de resíduos no meio ambiente e auxilia na conservação dos recursos naturais.

Desde a sua fundação, em 2003, é o primeiro evento realizado pela cooperativa para celebrar seu aniversário, um motivo de orgulho para a atual presidente, Ednalva Corrêa Souza. “Foi o primeiro ano em 20 que a gente conseguiu fazer uma festa paga com o nosso dinheiro”, comentou.

Criado em 2001 por um grupo de aproximadamente 21 pessoas, o Reciclador Solidário foi oficializado em 2003, com cerca de 25 membros. Hoje, tem 41 cooperados.

O Reciclador Solidário tem um convênio com a prefeitura que possibilita que a cooperativa utilize um armazém do município e também a isenta das cobranças da água e da luz.

Por mês, a cooperativa vende de 130 a 140 toneladas de material reciclado, de acordo com Ednalva. São reciclados plástico, papelão, jornal, vidro, alumínio, entre outros materiais. Segundo a presidente, o “carro-chefe” é o papelão.

A coleta do material é feita pela empresa Piracicaba Ambiental e depois repassada para o Reciclador Solidário.

Quando chega na cooperativa, ele é prensado e, em seguida, encaminhado para a comercialização em empresas da região de Piracicaba. Todo o lucro é dividido em partes iguais para os cooperados (se a pessoa falta, o dia é descontado do salário).

De acordo com Ednalva, o Reciclador Solidário obteve muitas vitórias nesses 20 anos de história. Ela destaca a aquisição de um caminhão, um trator, um carro, além de recursos não só para manter a cooperativa, mas também para fornecer um “fundo reserva” (semelhante ao 13) para os funcionários no final do ano. “São coisas que conquistamos com a ajuda de nossos parceiros”, falou.

Impactando vidas

Além de realizar um trabalho fundamental para o meio ambiente, o Reciclador Solidário também auxilia na geração de renda para os moradores de Piracicaba.

Célia Regina Carlin, assessoria técnica que faz parte da cooperativa desde o seu início, conta que o projeto tem um papel social fundamental para os cooperados. “Tinha gente que não contava nem com uma bicicleta para chegar, hoje tem carro, tem a casa melhorada”, conta.

A cooperada Rosana Aparecida de Oliveria Gonçalves reconhece a importância da cooperativa em sua vida. Ela conta que antes, quando atuava no antigo aterro sanitário da cidade, trabalhava “no sol e na chuva”, diferente do seu emprego atual, no qual tem um ambiente confortável de trabalho e um salário maior. “Hoje eu levo uma vida muito boa, graças a Deus”. Ela acredita que, no momento atual, teria dificuldades para conseguir um espaço no mercado de traablho devido a sua idade (54 anos).

Lucélia Rodrigues Lemes também é grata pela oportunidade de contribuir com o Reciclador Solidário. Antes de tornar-se cooperada, ela procurou trabalho por mais de dois anos e recebeu muitos “não”, principalmente por ser ex-presidiária. “O único lugar que abriu as portas para mim, sem me julgar, foi aqui”, falou.

A experiência na cooperativa mudou o modo de Lucélia enxergar o trabalho da reciclagem, com o qual, hoje, sente orgulho de contribuir. “É um bem que eu faço tanto para a natureza quanto para mim, porque eu tiro o sustento da minha família daqui”, comentou.