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Mudança de líder do governo na Câmara
Base do governo fica enfraquecida com a saída de Zezinho Pereira da liderança

Por Romualdo Cruz Filho

Zezinho Pereira anunciou sua decisão de deixar a liderança do governo na Câmara na última sessão

Crédito: Guilherme Leite

Zezinho Pereira anunciou sua decisão de deixar a liderança do governo na Câmara na última sessão

A dificuldade de diálogo entre o governo municipal e os vereadores da base causou mais uma mudança no Legislativo esta semana. O líder da bancada, Zezinho Pereira (DEM), anunciou na última sessão que está deixando a função e em seu lugar entra o vereador Josef Borges (SD). No mês passado, foi a vez de Dr. Haroldo perder o cargo de articulador, por não conseguir organizar a base sequer para votações de pautas estratégicas ao Executivo.

Mesmo tentando demonstrar serenidade e de que se mantém alinhado com o governo, Zezinho deixou claro que não faz mais parte da base. Na entrelinha de seu pronunciamento está a informação suficiente para se compreender o que de fato o levou a deixar o posto. "Quero votar com a população", disse na Tribuna, confirmando essa posição à Gazeta.

Votar com a população, para quem acompanha a movimentação diária nos bastidores da Câmara, significa não se comprometer com proposituras de interesse do Executivo que possam desgastar a imagem do vereador perante a opinião pública, como, por exemplo, a PLC 09/21, que aumentava a taxa de lixo na cidade.

Por dois votos a PLC foi rejeitada. Vários vereadores que, em tese, compõem a base do governo, desistiram de apoiá-la no último momento, usando de estratégias de eficácia garantida, como ficar doente do dia para a noite e faltar da sessão. Outros simplesmente votaram contra, sem maiores explicações. Zezinho, por sua vez, votou com o governo e, apesar de negar esta informação, ficou em situação difícil para explicar tal postura aos seus eleitores. Enquanto outros edis, que usaram artimanhas simples, saíram pela tangente, deixando o governo com o mico da não aprovação do projeto.

Ao ver sua base enfraquecida, Luciano Almeida, após a derrota, acionou a Procuradoria-Geral do Município para alterar a Lei Orgânica. Até então, uma PLC precisava de três quintos dos votos para ser aprovada. Como são 23 vereadores, com 14 votos passaria, mas o governo conseguiu apenas 12. Com a aprovação do Projeto de Emenda da Lei Orgânica (PELO), o governo precisará agora apenas da metade dos votos, ou seja, 12, para quando a mesma PLC voltar à pauta, no início do ano que vem.

Josef Borges, apesar da sua inexperiência como vereador, assume a função de Zezinho com gás. Ele disse que o "diálogo" será predominante na sua gestão. "Eu recebi o convite do prefeito e decidi aceitar, porque o meu intuito, assim como o de vocês, é implementar o diálogo, a sinergia com o Executivo, de modo que melhore a qualidade de vida da nossa população. É esse o nosso principal objetivo".

O parlamentar acredita que traz consigo habilidade suficiente para abrir as portas do gabinete de Luciano Almeida para as negociações de interesse da base. Ele defende, por exemplo, que o líder de governo tem que ser mais "amplo", com interlocução mais "ativa" com o governo. Sua força será testada na próxima votação da Taxa do Lixo, com um Executivo fortalecido devido à mudança da Lei Orgânica; com um Legislativo esperançoso de que de fato a interlocução entre Executivo e Legislativo vingue desta vez, e com um voto a menos para aprovar a PLC 09/21 (que virá sob um novo número), o de Zezinho Pereira. Ou seja, mesmo com todo esforço até agora de mudanças de quadros e da regra do jogo, se o chefe do Executivo não mudar de estratégia política, terá dificuldades para ter um Legislativo ao seu lado.

Sobre a troca de liderança, o prefeito Luciano Almeida disse à Gazeta: “Quero agradecer ao vereador Zezinho Pereira que esteve na liderança esses 11 meses, e dizer que neste momento o vereador Josef Borges assume a liderança, numa alternância natural e em comum acordo entre os demais vereadores".