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Jardim Glória
Memorial Frei Sigrist sofre com ligação clandestina
Há meses a conta de água vem com valor alterado, acima de R$ 3 mil; Semae confirma fraude e afirma que vai agir

Por Romualdo Cruz Filho

Frei Sigrist morou no barraco até a sua morte, em 18 de outubro de 1998

Crédito: Mateus Medeiros

Frei Sigrist morou no barraco até a sua morte, em 18 de outubro de 1998

O grupo de Amigos do Memorial Frei Sigrist está preocupado com a conta de água da sede que preserva a memória do religioso, onde ele morava, no Jardim Glória. Há meses a conta de água está vindo com valor alterado, acima de R$ 3 mil. A de novembro, por exemplo, bateu em exatos R$ 3.500,14. O montante acumulado neste ano já superou R$ 20 mil.

Claudinei Polesel, uma das lideranças do grupo, explicou que a maior preocupação é com o próprio Semae e com a prefeitura, uma vez que, durante o governo anterior, de Barjas Negri, o memorial conseguiu isenção da taxa de água e de luz. "Por isso, nós não pagamos nada desde 2018. Mas como o valor da conta de água está subindo a cada mês, o Poder Público certamente será questionado em algum momento sobre a situação e corremos o risco de perder a isenção dos serviços ou ficarmos sem eles por algo que acontece fora do nosso controle", explicou.

Polesel, que é historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), contou que o grupo tem como missão preservar a memória do frei. Sendo assim, a unidade é utilizada para encontros, missas e visitas monitoradas. Por isso não pode ficar sem energia elétrica e água. "No início foi uma luta, porque o barraco corria o risco de ser invadido, estava sem água e luz, o que colocava em risco esta bela história envolvendo o frei Sigrist. Foi por isso que o grupo de voluntários se reuniu e iniciamos essas atividades".

Segundo ele, há uma unidade habitacional próxima, que era considerada da diocese e funcionou inclusive como associação dos moradores do Jardim Glória, mas ficou abandonada e se tornou da prefeitura. Hoje ela está ocupada clandestinamente e as pessoas que vivem nela utilizam a ligação de água do memorial Frei Sigrist.

"Em nenhum momento o Grupo de Amigos do Memorial Frei Sigrist pensou em despejar essas pessoas. Muito pelo contrário. Queremos que elas tenham moradia. Só o frei, durante sua vida aqui, construiu mais de 100 casas para os moradores do bairro e ele não nos autorizaria falar em despejo. Mas temos que tornar pública esta questão para que o governo tome uma decisão segura, sem prejudicar famílias, sem lesar o erário e preservando o benefício que nos foi concedido", concluiu.

Frei Sigrist morou no barraco até a sua morte, em 18 de outubro de 1998. O bairro passou por um processo de urbanização na década de 1980. Em 2020, a unidade foi tomba pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac). O barraco do refligioso fica na Alameda Frei Sigrist, 100, Jardim Glória.

Prefeitura

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, fiscal do Semae esteve no local, constatou fraude na rede de abastecimento e tomará as medidas cabíveis.