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Energia renovável
Piracicaba na ONU
Quanta Energy, de Piracicaba, integra hub de inovação tecnológica de SP que está na COP26

Por Romualdo Cruz Filho

Fernando Saes é o CEO da empresa Quanta Energy

Crédito: Mateus Medeiros

Fernando Saes é o CEO da empresa Quanta Energy

O Estado de São Paulo enviou para participar da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26, na cidade escocesa de Glasgow, 20 startup. Elas vão apresentar para técnicos e representantes do setor de investimentos projetos alternativos de matriz energética renovável, em substituição à energia fóssil. Entenda, petróleo. Uma delas é a Quanta Energy, de Piracicaba, que integra o hub de inovação tecnológica do governo estadual, Ideiagov, que propõem soluções inteligentes para problemas das cidades.

Com 20 anos de estudos em centros de pesquisas da Europa, os representantes da Quanta Energy elaboraram uma tecnologia para gerar biogás e biofertilizante a partir do tratamento do lixo orgânico, que não provoca efeito estufa. Com isso, vão proporcionar projetos customizados capazes de atender desde um simples restaurante empresarial até uma cidade inteira.

Fernando Saes, CEO da empresa, disse que a Quanta Energy trabalha há um mês em sintonia com o consulado britânico para avaliação da tecnologia proposta. "Fomos convidados pelo governo do Estado de São Paulo para compor o Ideiagov e o governo britânico solicitou ao governo estadual o envio de projetos que pudessem atender às expectativas de investidores globais. Passamos pelas avaliações e estaremos em Glasgou nesta quinta-feira (5)", explicou.

Segundo ele, apenas uma empresa britânica tem realizado estudos equivalentes e há a possibilidade da criação de uma joint venture entre ambas para o desenvolvimento de projetos em conjunto. O otimismo de Saes está relacionado especialmente ao poder dos investidores que estarão na sala temática. "Recentemente 450 fundos globais de investimentos, que movimentam cerca de U$ 130 bi, se reuniram para declarar que estão desistindo de todos os projetos que envolvem combustíveis fósseis e que os aportes financeiros, a partir de agora, estão abertos apenas para geração de energia limpa, para a bioenergia".

A expectativa dos empresários brasileiros, portanto, é abrir as portas para financiamentos internacionais em suas respectivas startups. Saes explicou que o trabalho junto ao governo do estado deve se intensificar a partir da COP-26.

Lixo orgânico

A meta global da COP-26 é limitar o aquecimento global em 1,5 grau em relação à temperatura do planeta antes da revolução industrial. O que exigirá uma grande revolução no campo energético. O lixo orgânico é considerado um dos grandes vilões da sociedade moderna, pelo seu alto poder de agressão ao meio ambiente, ao lado do combustível fóssil.

É exatamente o lixo orgânico a matéria prima escolhida pela Quanta Energy. Seus projetos estão na ordem do dia depois do novo marco legal do gás natural, aprovada este ano, que torna o biogás atrativo a novos investidores, uma vez que teve seu preço equiparado ao do gás natural resultante do petróleo. Uma série de outras mudanças matriciais vai estimular ainda mais o setor devido à facilidade para a comercialização desses produtos, mesmo quando produzidos em baixa escala.

"A rede de gás natural está à disposição para a entrada do biogás. O novo produto, desde que dentro das normas de pureza estabelecidas, pode ser inserido na rede e comercializado, o que deve atrair projetos de várias dimensões e de todos os tamanhos, por representarem novas fontes de geração de riqueza, explicou" Saes.

A Quanta Energy está com vários projetos em andamento, dentre os quais, a instalação de um contêiner móvel plug and play em uma loja de hortifruti, tendo o lixo orgânico da loja como matéria prima para a produção de biogás. O gás resultante será consumido na cozinha da própria empresa e o projeto tende, posteriormente, ganhar em escala envolvendo toda a rede de supermercados da marca.