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Época de frutas
Além do valor nutritivo dos frutos, árvores também contribuem para a limpeza do ar

Por Larissa Souza

Essas árvores costumam começar a dar frutos no período da primavera

Crédito: Mateus Medeiros

Essas árvores costumam começar a dar frutos no período da primavera

“É importante comer sem estragar o pé”, alerta o aposentado Darci Guerreiro, enquanto puxa com delicadeza um dos galhos de uma amoreira plantada ao lado do Ginásio Parque Prezotto para colher os pequenos frutos da árvore. Ele conta que costuma passar pelas árvores frutíferas do entorno da rua com frequência, não só para pegar amoras, mas também para retirar pitangas, que são os frutos preferidos da sua esposa. “Ela não gosta de amora, só de pitanga”, disse.

Essas árvores costumam começar a dar frutos no período da primavera, em momentos diferentes, de acordo com as características de cada espécie. Em Piracicaba, não há um número estimado de árvores frutíferas, o único dado referente à arborização urbana é de uma pesquisa da prefeitura, feita em 2020, que identificou que existem aproximadamente 96 mil árvores no perímetro urbano.

Transitando pelas ruas da cidade, é possível ver que há um grande número de árvores frutíferas nos bairros Piracicamirim, Novo Horizonte, Nova Piracicaba, Jardim Monumento, entre outros.

As espécies da cidade variam entre as nativas e as exóticas, de acordo com o doutor em ciências florestais Flávio Henrique Mendes. Ele explica que a amora, a acerola e a ameixa são alguns dos exemplos das exóticas. A primeira foi trazida da região da América Central e as outras duas da Ásia.

De acordo com Mendes, a diversidade é importante para garantir que, em uma situação de praga, não ocorra uma destruição de todas as árvores, já que cada espécie reage de uma forma. O doutor reitera que os profissionais da área recomendam que tenha no máximo 10% de uma espécie em uma cidade. “Tem inseto que não ataca todas as espécies, por isso, se der alguma praga, não serão todas prejudicadas”, esclarece.

A frutificação dessas árvores é motivo de alegria tanto para os moradores, quanto para as aves, que também garantem a manutenção das árvores.

Mendes explica que o morcego é um dos animais que realiza esse trabalho no ambiente urbano. Ele se alimenta dos frutos e depois deixa sementes em outras localidades.

Segundo o doutor em ciências florestais, além do valor nutritivo dos frutos, essas árvores também contribuem para a limpeza do ar. O seu tronco, as folhas e até os frutos retiram poluentes do ar, que aderem a essas superfícies.“Principalmente as folhas pilosas. Elas têm uma capacidade maior de deixar os poluentes presos”, conta. Esses poluentes ficam presos na folha, até que, em um dia de chuva, são levados pela água.

Para Mendes, não é possível dizer se o número de árvores frutíferas da cidade é suficiente, já que cada bairro tem sua necessidade, mas ele acredita que “sempre dá para melhorar”. “A gente poderia pensar em um plano para o enriquecimento da diversidade, com a inclusão de árvores de outras espécies, como a uvaia e a cabeludinha”, argumentou.