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Dia Mundial
Pão, o companheiro diário
Em Piracicaba são consumidos cerca de 400 mil pães francês por dia

Por Romualdo Cruz Filho

Além de ser o alimento mais popular do mundo, o pão é também o mais versátil

Crédito: Mateus Medeiros

Além de ser o alimento mais popular do mundo, o pão é também o mais versátil

Se o Dia Mundial do Pão foi instituído somente no início deste século (2000), sua história vem do tempo dos deuses egípcios (4 mil a.C.). Entre sua função básica de matar a fome dos comuns mortais e se tornar um dos símbolos da imortalidade, em sua dimensão bíblica, o pão tem também seu lado engraçado. Levi Roccia, presidente da Associação da Indústria de Panificação e Confeitaria de Piracicaba e Região (Apapir), entidade que agrega cerca de 80 associados, lembra que o pão francês ou filãozinho, por exemplo, foi criado para resolver briga de criança.

“Os mais velhos se lembram do tempo em que só havia bengala nas padarias (para quem não sabe, é uma espécie de filãozinho tamanho família, produto comercializado até hoje, só que em menor escala) e como suas extremidades eram disputadas pelas crianças. Todas elas queriam o bico ou a bundinha do pão, como eram popularmente chamadas, e só havia uma bengala para dividir, ou seja, dois bicos. Nas grandes famílias, a solução para este problema não era nada fácil. Com o surgimento do pãozinho francês, a disputa foi equacionada pelos padeiros e cada criança passou a ter direito aos dois bicos", conta.

Filho de padeiros e confeiteiros (Admir Roccia e Cecília Medeiros Roccia), Levi traz no sangue o gosto pelo setor. "É uma vocação e acima de tudo, um aprendizado passado de geração para geração. Nasci no meio do fermento e da farinha de trigo. Não existe nada mais familiar para mim do que o cheiro de um pão assando e o prazer de ver o produto quentinho no cesto".

Esta mesma filosofia ele tenta manter viva contratando jovens em seu quadro de funcionários. "Nossa fábrica funciona também como uma escola. Alunos que passam pelo Sistema S, nos cursos de padeiro ou confeiteiro, acabam sendo incorporados em nossas equipes para que possam se profissionalizar de fato e, futuramente, abrir seus próprios negócios, como tem acontecido. Assim mantemos essa cultura sempre viva e com grande perspectiva de futuro".

Hoje Levi toma conta de duas padarias e uma fábrica de pães, que abastece Piracicaba e região. Antes de o sol nascer seus produtos já estão na estrada e vão integrar também a mesa de famílias das cidades vizinhas. Com uma produção mensal para alimentar cerca de 50 mil pessoas e uma diversidade de 150 produtos, distribuídos entre confeitos, salgados e pães, suas unidades absorvem cerca de 69 profissionais, entre padeiros, auxiliares, atendentes e pessoal do administrativo. "Nossa produção mensal consome cerca de 20 toneladas de farinha de trigo, duas toneladas de açúcar e 500 quilos de fermento, fora insumos de confeitaria e chocolataria".

Ele observa ainda que, além de ser o alimento mais popular do mundo, o pão é também o mais versátil e hoje integra as iguarias das mesas de todas as classes sociais, devido à diversificação, para atender aos nichos mais exigentes. "As bases são apenas três: a massa francesa (salgada), a massa doce e a com margarina. A partir delas, entram as criações, desde as mais simples às mais requintadas", explica.

Segundo ele, em Piracicaba são consumidos cerca de 400 mil pães francês por dia. Um mercado forte, em pleno desenvolvimento, o que o levou a investir nas mais modernas tecnologias para encher de sabores e atualizar permanentemente esse produto milenar e divino.