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O observatório, com 30 anos de existência, recebia cerca de 1800 pessoas em uma noite

Por Romualdo Cruz Filho

O Observatório Astronômico Municipal foi tema de discussão na Câmara de Vereadores ontem à noite

Crédito: Mateus Medeiros

O Observatório Astronômico Municipal foi tema de discussão na Câmara de Vereadores ontem à noite

O Observatório Astronômico Municipal Elias Salum foi tema de discussão na Câmara de Vereadores ontem à noite. A falta de uma agenda para a retomada do serviço de observação dos astros no município levou o vereador Cássio Luiz Barbosa Fala Pira a propor uma Moção de Apelo à pasta de Educação para que o secretário Gabriel Ferrato se posicione a respeito.

Para o vereador, o tratamento dado ao local, com fechamento abrupto e sem planejamento, demonstrou o "pouco caso" com que o poder público trata a ciência astronômica em Piracicaba.

Segundo a moção 216/21, apresentada pelo vereador, desde março de 2020, o observatório permaneceu fechado ao público devido à pandemia da Covid-19, "porém, sem cuidados de proteção por parte do órgão responsável. Por isso, o local se tornou cenário de vandalismo e abandono, sofrendo cerca de 11 furtos desde então, além de ter os relógios de sol destruídos, as portas arrombadas e os vidros quebrados".

O observatório, com 30 anos de existência, recebia cerca de 1800 pessoas em uma noite. O documento afirma também que, segundo o astrônomo Nelson Travnik, responsável pelo observatório, o contrato venceu em julho deste ano e a prefeitura não o renovou, sob o argumento de que "está buscando uma nova localização".

Pela Moção fica evidente a falta de um prazo para a retomada do serviço, conforme respostas da própria Secretaria de Educação ao Legislativo, que não toca nesse aspecto da questão. No dia 24 de setembro último, a Secretaria de Educação respondeu ao requerimento 851/21, que pedia informações sobre o observatório, e as respostas são genéricas:

"A atual Administração Municipal recebeu as instalações do observatório em péssimo estado de manutenção e há muito tempo sem atividades por conta da pandemia" e que "nas atuais condições físicas do observatório não seria possível retomar as atividades" e que por fim "está estudando as alternativas".

Cássio Luiz defende que, "apesar de ter recebido da maneira como se encontra, estamos com mais de nove meses da atual administração, e tudo o que se precisaria ter feito seria a renovação do contrato por um prazo de tempo mais curto, até providenciar a manutenção, mesmo que depois, com tempo e tranquilidade, se aplicasse um novo projeto".

Depoimento

Paulo Sérgio Bretones, professor da Universidade Federal de São Carlos, no departamento de Metodologia de Ensino, faz críticas severas ao fechamento do observatório.

"Não haveria necessidade por vários motivos. Inicialmente pelo respeito à história e ao legado desse profissional [Nelson Travnik] que dedicou quase 30 anos de sua vida a atividades educacionais pela cidade, de maneira constante, envolvendo estudantes, professores e o público em geral. Faltou diplomacia, no meu entender".

Segundo ele, mesmo considerando a intenção da prefeitura de mudar o observatório de lugar para melhorar o equipamento público, não seria necessário cortar o vínculo com o astrônomo, que poderia continuar suas atividades junto às escolas. "Infelizmente o público interessado em astronomia ficará sem acesso por um bom tempo a esse conteúdo como era apresentado, pois dependia quase que exclusivamente de sua coordenação e ele seguiu um novo rumo, com outros projetos, devido ao seu dinamismo. Ele é considerado por mim como um mestre que me incentivou em minha carreira, com seu ânimo, competência, conhecimento e constância nas atividades", conclui