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Perseverança
Batalha contra o câncer
A luta é constante contra a doença e a favor do prolongamento da vida

Por Ana Cristina Andrade

Giovanna Rafaela Roque Costa, de três anos, é uma menina sorridente

Crédito: Divulgação

Giovanna Rafaela Roque Costa, de três anos, é uma menina sorridente

O câncer em mulheres, seja ele de mama, útero, rim, pâncreas, coluna, ou em qualquer outro órgão, não escolhe idade. É uma doença que assusta a partir do momento em que se recebe a notícia e o tratamento é imprevisível (a paciente pode, ou não, ser curada).

É uma luta constante contra a doença e a favor do prolongamento da vida. Embora o mês de outubro seja dedicado exclusivamente à prevenção do câncer de mama, neste domingo, a Gazeta traz histórias de duas mulheres que tratam o câncer de mama e de uma criança que precisou extrair um rim.

A primeira é Daniela Travaglini Anastácio, 46, doceira e confeiteira, que diz que quando ouve a frase "quem procura, acha" se enquadra perfeitamente nela, porque nunca examinou a própria mama.

Até que, em fevereiro de 2019, após um alerta feito num exame preventivo, ela tocou suas mamas durante o banho e percebeu que estava com um caroço em uma delas.

Como havia feito uma mamografia fazia seis meses, numa consulta num Posto de Saúde, ela foi indicada para um ultrassom de mama. Veio o diagnóstico: era câncer.

"Seis antes eu havia passado por consulta com ginecologista, levei a mamografia e foi dito que estava tudo em ordem, mas, ginecologistas só costumam olhar os laudos e não as imagens. Fui a um mastologista e foi visto que havia o tumor", revela.

Feito a biópsia, constou que era maligno e agressivo. "Foi um choque, um baque", lembra a doceira. Diante do médico oncologista, e acompanhada do filho, o especialista explicou que talvez fosse preciso retirar a mama toda.

"Menos mal. Foi feito só o quadrante, mas foram retirados 11 linfonodos (são pequenas estruturas que funcionam como filtros para substâncias nocivas)", diz Daniela.

Dois, segundo ela, estavam afetados. Por isso, teve que fazer quimioterapias. "Tinha dia que eu entrava para tomar banho e chorava muito porque não sabia como seria minha reação ao tratamento, mas, ao mesmo tempo, eu não demonstrava para ninguém. Eu queria me tratar e viver o que me restasse", declara.

Chegou a fase da queda de cabelos, conforme previsão do médico oncologista, mas ela conta que tratou logo de raspar a cabeça. "Me amei careca. Só usei lenço na primeira semana", revela.

No meio do tratamento com a quimio, Daniela precisou fazer eletrocardiograma e foi obrigada a interromper as sessões. É que esse tratamento havia afetado 50% do seu coração.

"Aí meu mundo desabou, chorei muito e me desesperei porque até enquanto estava tratando eu sabia que havia uma chance de eu sair dessa. Falei com meu oncologista e ele disse que a doença ele já havia retirado. Restava, então, eu pedir a Deus que o câncer não tivesse espalhado para outro lugar", explica.

Analisando seu caso, o médico viu que era possível fazer mais algumas quimioterapias da branca e ela fez. "Graças a Deus deu certo, tomei 12 vacinas para evitar que o câncer volte. Este mês estou fazendo todos os exames e até agora está tudo bem, graças a Deus".

Mais luta pela frente

Três meses após a descoberta do câncer de Daniela, a família foi abalada por outra notícia: o marido dela estava com câncer de intestino e as reações dele foram piores - ele ficou 40 dias no hospital.

Hoje, ele usa bolsa de colostomia e na época, segundo ela, o difícil foi a dificuldade financeira, porque o casal estava desempregado.

"Eu não sabia nem como ia pagar meu aluguel e as demais despesas, mas Deus supriu todas as nossas necessidades, pois cada dia era uma Organização Não Governamental que nos ajudava. Algumas pessoas venderam pizzas para nos ajudar. Deus colocou anjos em nosso caminho".

Para poder pagar algumas contas, hoje Daniela diz que se reencontrou na confecção de doces. "estou confiante que vai dar tudo certo.

Mutação genética

A psicóloga Jacira Cardoso, que em sua profissão tinha contato com pessoas com câncer, lidou mais fácil com a situação. Lógico que o susto inicial e os temores surgiram, de acordo com ela, que garante que aprendeu a viver um dia de cada vez.

Porém, foi descoberto, a partir do câncer em uma mama que ela tem mutação genética, ou seja, podia passar de uma para outra. Em 2018 foram removidas as duas mamas - a esquerda foi extraída inteira, inclusive, o mamilo. Na direita foi feito o quadrante (o médico abriu e tirou as glândulas mamárias colocando o silicone).

Durante as aplicações, ela se viu obrigada a parar algumas vezes porque as veias estavam muito finas e foi colocado, então, um cateter implantado no tórax. Depois, ela teve pneumonia e precisou suspender o tratamento.

Em se tratando de um câncer genético, seis meses após a remoção das mamas, o especialista sugeriu que Jacira fosse submetida a uma esterectomia total, ou seja, retirada do útero, ovário, trompas, etc.

Em agosto de 2019, com quase 45 anos de idade, a psicóloga foi operada. Após isso, ela fez radioterapia na mama esquerda e quimioterapia na direita. Há três anos e meio ela se trata e vai tomar remédio de sete a dez anos.

Atualmente, ela é psicóloga voluntária num projeto chamado "Oncobelas", que atende somente mulheres com câncer (de mama ou outro tipo). Para conhecer mais é só pesquisar no Instagram como ONCOBELAS

Jacira dá dicas para outras pessoas, de como enfrentar o tratamento de cabeça erguida. "Eu focava na quimioterapia e tentava não deixar a ansiedade tomar conta de mim porque isso atrapalha o tratamento", diz.

"A gente tem que manter a cabeça centrada, o coração tranquilo, buscar ajuda psicológica e se for o caso fazer terapia", enfatizou.

Menina precisou extrair o rim

Giovanna Rafaela Roque Costa, de três anos, é uma menina sorridente, esperta, mas que no momento é limitada por causa do tratamento de câncer no rim esquerdo.

A saúde dela está tão debilitada que, até mesmo dentro de casa, os pais Gustavo Rafael Jardim Costa, 33, e Gislene da Silva Roque, 32, são obrigados a usar máscara 24 horas fazendo a troca a cada duas horas.

A descoberta do câncer ocorreu em junho do ano passado, perto de ela completar dois aninhos, e enquanto os pais aguardavam amenizar a pandemia do coronavírus para operá-la de hérnia umbilical.

Quando essa hérnia saía, os pais manualmente a colocavam para dentro. Certo dia, a situação agravou e a menina precisou ser internada. Como a médica pediatra que estava de plantão não conseguiu colocá-la no lugar foi acionado um especialista.

"Ela já estava molinha, quase desmaiando. Foi quando o médico apalpou a barriga dela e percebeu algo estranho. Pediu o ultrassom, que foi feito no dia seguinte, e foi logo solicitou uma tomografia, E o médico veio falar que era um tumor maligno no rim esquerdo", conta a mãe.

Giovanna ficou uma semana aguardando ser levada para um hospital, quando conseguiram a vaga no Centro Boldrini, onde foi realizada a cirurgia. "No Boldrini falaram que só a remoção do tumor não seria suficiente, porque havia afetado o rim inteiro, então foi retirado o rim inteiro".

Após a cirurgia foram seis meses de quimioterapia, sendo a última em dezembro de 2020. No início, ela era levada uma vez por mês e atualmente é uma vez a cada 60 dias. Gigi, como é chamada carinhosamente, perdeu todos os cabelos e vomitava bastante.

Agora, ela já está andando, o cabelinho cresceu e já consegue correr, mas exige cuidados. "Só saímos de casa para irmos ao hospital e para mais nada porque a imunidade dela ainda está baixa", explica a mãe.

Dormir com a filha, nem pensar, de acordo com Gislene. Só agora o oncologista liberou a vacina para os pais - a mãe já tomou. Gigi também não pode ter contato com animais de estimação.

Vendo o sofrimento da filha, os pais entraram em depressão, porém, juntos, encontraram forças e seguiram em busca da cura da pequena Giovanna.