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Açúcar acumula 32% de inflação
Gazeta passou em quatro supermercados: o preço do quilo variou entre R$ 3,30 e R$ 4,50

Por Larissa Souza

Diminuição da área de cultivo da cana-de-açúcar é um dos motivos da alta, aponta a Apas

Crédito: Mateus Medeiros

Diminuição da área de cultivo da cana-de-açúcar é um dos motivos da alta, aponta a Apas

A pensionista Adriana Elisabete Paulino Ferraz passou a ter mais dificuldades para comprar açúcar desde que o preço do quilo do produto registrou altas superiores as do ano passado. Mesmo com o aumento, ela continua consumindo o produto, fundamental para adoçar seu café da manhã. "Estou tentando procurar marcas mais acessíveis, as que eu comprava antes não consigo mais", contou. De acordo com a APAS (Associação Paulista de Supermercados), de janeiro até agosto, o açúcar já acumulou 32% de inflação.

Em agosto, o produto encareceu 2,5% em comparação com julho, 0,52% a mais do que no mesmo mês de 2020, quando a APAS registrou um aumento em 0,98% no valor do produto.

A Gazeta passou em quatro supermercados da cidade, na região do bairro Piracicamirim e Central. Nos estabelecimentos visitados, o preço do quilo de açúcar variou entre R$ 3,30 e R$ 4,50.

Segundo a APAS, o aumento no valor do produto tem relação, principalmente, com as geadas, que causaram grandes impactos na safra de cana-de-açúcar de 2021.

Segundo o presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), Arnaldo Bortoletto, um levantamento feito pela cooperativa e a Única (União de Indústria de Cana-de-Açúcar) constatou que a seca e as geadas provocaram uma perda de cerca de 20% da safra de cana-de-açúcar de 2021 da região centro-sul. Com a perda, a macrorregião de Piracicaba, que geralmente mói 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ano, irá moer até 6,5 milhões de toneladas.

A APAS também aponta como motivo do aumento do preço do açúcar a diminuição da área de cultivo da cana-de-açúcar no Brasil que, segundo a associação, foi de 10%. "Os preços atrativos da soja e do milho no mercado internacional estimularam a ampliação do cultivo dessas culturas em detrimento de outras, como a cana-de açúcar", esclarece Diego Pereira, economista da APAS.

Ainda não é possível estimar quando o preço voltará a cair, de acordo com a associação. "Algumas projeções já sinalizaram um sensível equilíbrio no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mas devemos aguardar a próxima reunião do Copom para começar a sentir os movimentos do mercado", afirmou.

Café e leite

Outros produtos que registraram grande acúmulo de inflação foram o café e o leite, o primeiro com 20,21% e o segundo com 6,25%, no período de janeiro até agosto.