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Crise hídrica
PCJ lança campanha para combater situação caótica
Objetivo é alertar a população sobre a necessidade do consumo consciente de água potável, sem desperdício

Por Romualdo Cruz Filho

 Slogan é

Crédito: Mateus Medeiros

Slogan é "A água é para todos. A estiagem também"

A Agência das Bacias PCJ lançou oficialmente ontem em Piracicaba o Movimento PCJ pelo uso eficiente da água, com o slogan “A água é para todos. A estiagem também”. O objetivo é alertar a população sobre a necessidade do consumo consciente de água potável, sem desperdício, uma vez que a estiagem tem se agravado, com a redução expressiva do volume de chuvas no período mais seco do ano.

A perspectiva dos técnicos do setor é de que em 2022 a estiagem possa ser ainda mais agressiva, com consequências imprevisíveis no abastecimento à população devido à falta de água, se nada for feito.

“Vale lembrar que em 2013, um ano antes da grande estiagem de 2014, que causou um tremendo estresse em todo o Estado de São Paulo, com o risco iminente de desabastecimento, os reservatórios estavam com um volume de água superior ao atual. Isso significa que, se nada for feito, em 2022 poderemos ter o maior estresse hídrico da nossa história”, enfatizou o prefeito Luciano Almeida, que também é presidente do Comitês PCJ estadual e federal. Ele observou ainda que o cenário crítico é decorrente também do crescimento desordenado da cidade.

Almeida contou que estão sendo realizados, no âmbito dos Comitês das Bacias PCJ, estudos para a criação de uma barragem no rio Corumbataí, com a finalidade de ampliar a quantidade de água armazenada para o consumo do município. “Estamos trabalhando em parceria com o Governo do Estado e iniciamos a fase de mapeamento de áreas potenciais e discussões internas sobre o melhor caminho a seguir, viabilizando assim o projeto. Foram levantados sete pontos passíveis de intervenções. Mas se trata de um processo longo, que precisa levar em consideração questões ambientais e desapropriações, por isso o estudo tem que ser criterioso”.

Para enfrentar o problema, Almeida disse também que o PCJ já investiu cerca de R$ 500 milhões em infraestrutura para redução de perdas, com a construção de represas, adutoras, preservação de rios e nascentes. “Temos que retomar essa postura de combate. Estamos entrando em um processo de emergência e chegando ao limite”. Ele conclamou a população para que cada um faça a sua parte. “Isso não depende apenas do comitê e da prefeitura, mas sim de cada um de nós, se quisermos um bom abastecimento. Temos de dar mais atenção a esse bem tão precioso, que é a água”.

Sérgio Razera, diretor-presidente da Agencia das Bacias PCJ, explicou que a questão é complexa, pois envolve 76 municípios que dependem dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que compõem os mananciais que abastecem a região.

 

“São 5,8 milhões de pessoas que vivem em função dessas fontes hídricas, por isso nosso olhar precisa levar em consideração o contexto geral da região, o que envolve o setor industrial, agrícola e a sociedade civil”.

Segundo ele, o problema das bacias envolve também o Estado de Minas Gerais, onde nasce o rio Piracicaba, o Governo Estadual e Federal. “Muitas instituições participam desse processo, com 11 câmaras temáticas, equipes técnicas e mais de mil pessoas trabalhando para contribuir no aprimoramento da gestão das águas gerenciadas pelos Comitês PCJ”.

Alexandre Vilella, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, explicou que a gestão da água precisa ser feita gota-a-gota, uma vez que os reservatórios do Sistema Cantareira estão com apenas 32,8% do seu volume total, em decorrência da estiagem mais intensa neste ano em relação ao ano passado. O Rio Piracicaba conta com uma vazão atual de 17,6 m3/s, enquanto sua vazão histórica média é de 57,2 m3/s.

“Mesmo assim, temos garantido uma vazão média para as bacias de 11,5 m3/s, que é uma conquista do sistema de gestão dos Comitês, pois assegura as condições mínimas de abastecimento”. Segundo ele, a tendência, de acordo com indicadores, é que haja uma queda de 30 a 50% do volume médio de chuvas nos próximos meses, em decorrência do fenômeno La Niña.

“Temos que aprender a conviver com as mudanças climáticas, pois até dezembro deveremos ter chuvas esparsas e de pouco significância para os reservatórios”.