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Acidentes no trânsito
Mães perdem filhos e clamam por justiça
Mães de jovens mortos em acidentes de trânsito clamam por Justiça, após longos anos de espera e dor

Por Ana Cristina Andrade

Aparecida Storel de Souza perdeu a filha Vanessa Elisabete de Souza, em 2002. A jovem estava grávida e a criança morreu

Crédito: Divulgação

Aparecida Storel de Souza perdeu a filha Vanessa Elisabete de Souza, em 2002. A jovem estava grávida e a criança morreu

Na madrugada do dia 7 deste mês completou quatro anos que a jovem Beatriz Menezes Vieira, que estaria agora com 22 anos, morreu vítima de acidente de trânsito quando voltava de uma festa de casamento.

Ela era passageira de um carro VW Gol, cujo motorista perdeu o controle da direção e o veículo capotou. Beatriz ficou presa embaixo do carro, agonizando segundo uma amiga, e ele fugiu a pé sem prestar socorro.

Em julho deste ano, dia 27, fez 19 anos que Vanessa Elisabete de Souza morreu ao sofrer acidente de moto na estrada velha Piracicaba/Tupi. Ela deixou uma filha com um ano e oito meses e estava grávida de cinco meses - o bebê também morreu.

O acusado de causar esse acidente, segundo populares contaram à família, estava com sinais visíveis de embriaguez e foi tirado do local, pela polícia, porque corria o risco de ser linchado.

Sônia Regina Menezes e Silvana Aparecida Storel de Souza, mães de Beatriz e Vanessa, respectivamente, clamam por Justiça. Sem condições para contratarem um advogado, segundo elas, contam mesmo com a competência do Poder Judiciário local.

No caso da Beatriz, o inquérito policial só foi relatado quase três anos após o acidente - em fevereiro de 2020 -, depois que o delegado Fábio Rizzo de Toledo assumiu o 4º DP. Até então, não havia nenhuma notícia do andamento da ocorrência.

O dono do carro onde a jovem estava, e que permanece em liberdade, compareceu alguns dias depois no DP, acompanhado de um advogado, e disse que seu veículo havia sido "fechado" por outro.

Na época, segundo a polícia, ele teria que apresentar testemunha, o que não ficou esclarecido se localizou ou não alguém que presenciou o acidente.

Uma amiga de Beatriz, também vítima deste acidente, disse que após a tragédia a namorada do dono do carro disse para ela - antes de o socorro chegar - que o casal ia embora porque ele estava com receio de ser preso.

Consta que a polícia chegou a ir à casa dele, mas não o encontrou. Porém, todos os depoimentos estão no inquérito policial. Sônia Regina, que não consegue relembrar o caso sem que as lágrimas escorram por seus olhos, diz que, como mãe, não consegue entender porque uns casos são resolvidos tão rápido e outros são tão demorados.

"O que a família da vítima espera é que a Justiça seja feita para que a gente possa seguir a vida. Enquanto vemos que teve coisa errada, e que não foi feita Justiça, não temos paz", declara.

Ela conta que nunca foi procurada pela família do dono do carro e tentou conversar com ele, pacificamente, para ouvir sua versão. "Eu até cheguei a procurá-lo, mas ele me bloqueou nas redes sociais dele. Acredito que se não houvesse nada de errado, ele não teria motivo para fazer isso", acrescenta.

"Eu espero que a Justiça olhe por nós mães, pela família que sofre com a perda, porque nós somos as vítimas e precisamos da atenção da Justiça. Tenho esperança na Justiça, mas é preciso olhar mais pela gente e os casos serem resolvidos mais rápido, principalmente quando é acidente de trânsito".

Apesar de tanta dor, Sônia diz que não deseja o mal para o rapaz. "Se ele fez algo errado, bebeu, se estava tirando racha aquele dia terá que pagar pelo erro dele porque tirou uma vida. Ele deixou um buraco profundo numa família, que nunca mais será a mesma. Não tenho ódio, mas só quero que a Justiça seja feita".

Situação do momento

Ela diz que chegou ir ao Fórum tentar saber de alguma coisa, mas não conseguiu nada. Segundo apurou a Gazeta, o caso da Beatriz ainda está em fase de inquérito policial - não houve denúncia ainda.

Ele corre pela 3ª Vara Criminal, permanece em fase de diligências e tramita em segredo de Justiça.

Terminadas as diligências complementares, o Ministério Público fará uma análise de como ficará estabelecida a conduta criminosa (se o rapaz vai responder por homicídio culposo, sem intenção de matar, ou doloso, com intenção). 

“Não deu nada para ele”, diz mãe de vítima que morreu grávida

"Fico tão triste, porque perdi minha filha e ele saiu na mesma hora", desabafa Silvana Aparecida Storel de Souza, mãe de Vanessa Elisabete de Souza, esta última vítima fatal de acidente de trânsito em 2002.

“Ele”, segundo a mãe, é o motorista de um Fiat 147 que, segundo Silvana, na noite do acidente dava “cavalos-de-pau” pelo bairro e, ao tentar sair do local, atingiu em cheio a moto de Vanessa.

A vítima, grávida de cinco meses na época, estava na garupa e seu marido pilotava a moto. Com a pancada, Vanessa foi parar embaixo do páralamas do carro e sua virilha foi rasgada. A criança, segundo informações transmitidas para a família, saiu pela abertura feita na virilha da mãe. No dia do enterro, o bebê estava enrolado em uma faixa e deitado no tórax da mãe - foram enterrados juntos.

Para Silvana, restou criar a filha mais velha de Vanessa - na ocasião com um ano e oito meses. Um choque que não sai da mente de Silvana.

"Não consigo mais assistir televisão quando falam de casos iguais ao da minha filha, de que um motorista bêbado causou a morte de alguém. Tenho tanto trauma que quando ouço a sirene do resgate passo mal", declara.

"Minha filha só trabalhava, era promotora de vendas, era uma menina maravilhosa, não me conformo que esse cara não pagou por isso", reclama.

“Naquele dia minha filha estava saindo do trabalho dez minutos mais cedo, porque estava com dor de dente. Ele (autor) saía de uma festa. Quem o viu no local disse que ele não parava de pé de tão embriagado que estava. A polícia colocou ele rápido na viatura, porque corria risco de ser linchado”, recorda-se.

Silvana diz que nunca teve contato direto com o autor. “Uma vez, no Fórum, quando eu tentava ter informação, meu genro me mostrou ele e disse: 'esse aí que matou a Vanessa'. Só peço Justiça”, completa.

Caso foi encerrado

A Gazeta apurou que o autor do acidente foi condenado, na época, a cumprir dois anos de pena no regime aberto pelo crime de homicídio culposo - sem intenção de matar - e em 2004 teve suspenso seu direito de dirigir.

Houve recurso e foi reconhecida a prescrição. Em 2009 foi extinta a punibilidade dele, ou seja, o processo foi encerrado. A reportagem não teve acesso ao laudo com o resultado de dosagem alcoólica.