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Pandemia
Covid-19: alívio requer cautela
Mesmo com o recuo de óbitos, de novos casos e de internações, o piracicabano não deve relaxar na prevenção, diz secretário de Saúde

Por José Ricardo Ferreira

Crédito: Divulgação

"Não é momento de relaxar", aponta secretário Filemon Silvano

O secretário municipal de Saúde, Filemon Silvano, sabe que a pandemia do novo coronavírus dá sinais evidentes de recuo em Piracicaba. “Hoje vivemos um período de menor confirmação de casos, menor taxa de ocupação dos leitos nos hospitais e, principalmente, a redução no número de óbitos na cidade”, aponta ele.

Porém, reforça, não é momento de relaxar. “A pandemia não acabou, mas falta pouco. Aqui na cidade teve seu maior pico de incidência da Covid-19 há pouco mais de três meses. Apesar dessa aparente melhora na situação da pandemia, é preciso que a população não deixe de tomar cuidados básicos como o uso de máscara, álcool em gel e evitar aglomerações de pessoas”, reforça Filemon que é graduado em Biomedicina pelo Centro Universitário Lusíada (Unilus) e pós-graduado em Patologia Clínica pela Faculdade União das Américas.

Ele demonstra bastante segurança quando o assunto são as vacinas contra o coronavírus. “Podemos dizer que Piracicaba é uma das poucas cidades do Brasil com sistema de vacinação eficiente e acelerado. Tivemos muito apoio da iniciativa privada e instituições para que isso fosse possível e somos imensamente gratos. O sistema de agendamento online e a centralização da maior parte das aplicações da vacina no Ginásio Municipal foram ações importantes”, afirmou.

Até a última sexta-feira, Piracicaba havia atingido a marca de 500.582 doses aplicadas, sendo 310.870 em primeira dose, 178.987 em segunda dose e 10.725 em dose única.

“Nos últimos dias tivemos problemas com o recebimento de doses da vacina, para idosos em terceira dose e doses para maiores de 18 anos em primeira dose, mas são problemas técnicos de outras esferas como o governo do Estado e do Ministério da Saúde. Acreditamos que nos próximos dias, estes problemas estejam sanados e as doses de vacina voltem a chegar na cidade normalmente e, assim, imunizarmos toda população o quanto antes”, aguarda o titular da Saúde.

Houve momentos que pensou que a batalha seria vencida pelo vírus? “Em momento algum pensamos nisso. Temos uma equipe de profissionais de saúde capacitada e que está dando seu melhor para atender a população desde quando começou a pandemia. Quando assumimos percebemos que era necessário dar suporte a estes profissionais, bem como a população que vinha se contaminando pela Covid-19. Criamos diversas frentes para combater a doença, com o Projeto Respirar, ampliação da quantidade de leitos de UTI e Enfermaria inclusive com a construção de 42 leitos Covid-19 em menos de 60 dias (Anexo da UPA Piracicamirim), decretos para restrição de circulação de pessoas e evitar o rápido contágio da população pelo vírus, força-tarefa para combater festas clandestinas e aglomerações pela cidade, além de campanhas de conscientização a população. Nós nunca paramos e não vamos parar enquanto não vencermos esta batalha contra a Covid-19”, declarou de forma enfática o secretário.

Investimentos

O orçamento 2021 da pasta da Saúde em Piracicaba é de R$ 439,8 milhões. No país, porém, a pandemia teve impactos negativos nos investimentos, isto é, verbas para obras, compras de equipamentos e outras melhorias que não incluem as despesas fixas foram prejudicadas.

O secretário reconhece que isso, infelizmente, é uma realidade da atual conjuntura. “Sim, a pandemia prejudicou e ainda tem prejudicado os investimentos não só na área de saúde, mas em todos os setores da administração pública municipal”, afirmou ele.

“Além da pandemia que tem consumido a maior parte do dinheiro proposto para investimento, os repasses feitos pelos governos Federal e Estadual diminuíram consideravelmente. De janeiro a agosto deste ano, conseguimos investir apenas R$ 6,5 milhões”, apontou o secretário.

Região Metropolitana

Aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionada pelo Governo Paulista, a Região Metropolitana de Piracicaba (RMP) reúne o município e mais 23 cidades. É uma forma de todas essas cidades terem mais força para a reivindicação de recursos para suas demandas.

“A Região Metropolitana de Piracicaba já é uma realidade, um fato novo para todos os gestores públicos. Nós somos referência para as demais cidades desta e região e precisamos pensar em como suprir nossas demandas em consonância com as dos demais municípios. Estamos em conversa diariamente com os secretários de Saúde e prefeitos da região para entender a demanda geral e conseguirmos criar um plano de atuação, por meio de um Consórcio Intermunicipal de Saúde. É um início de trabalho, mas que trará muitos bons frutos a Piracicaba e região”, acredita o secretário.

Filemon lembra que a pandemia trouxe vários problemas para outras demandas na saúde. Ele espera que em breve haja normalidade nos demais procedimentos como a realização dos exames e a retomada das cirurgias eletivas.

“A pandemia paralisou estes procedimentos em toda a rede e deve ser o foco das ações nos próximos meses. Há muita gente precisando passar por estes procedimentos em diversas especialidades e as vagas para este atendimento, por hora, ainda são poucas”, explicou.

De acordo com o secretário de Saúde, já existem ações para otimizarem esses procedimentos, acelerar estas cirurgias, se possível, ainda este ano, e se necessário, criar de força-tarefa e até corujões para realização dos exames. “Além disso, será preciso estudar uma nova forma de otimização do sistema CROSS (regulação de vagas) para o atendimento regional mais eficiente e buscar a ampliação do atendimento em nosso Hospital Regional em todas as suas especialidades”.

Dengue

A luta contra a Covid-19 levou muitas pessoas a se esquecerem do mosquito da dengue, outro mal que afeta gravemente a saúde pública.

“A dengue é outro problema de saúde pública que nos preocupa muito já que no calor o período reprodutivo do mosquito fica mais curto e ele se reproduz com maior velocidade. É importante lembrar que a dengue ainda é sazonal, ou seja, seu índice maior ocorre nos meses de verão, quando o índice de chuva aumenta muito e também ao aumento da temperatura”, explica o secretário.

Em Piracicaba, apontou ele, “realmente tivemos muitos casos de dengue em 2020 e 2021, mais de 5 mil”. Tivemos, explicou Filemon, temperaturas nos meses de pico do mosquito (março/abril), em média de 30°C, alguns dias chegando a 33°C, temperaturas que favorecem a reprodução do mosquito.

Desde março de 2020 a pandemia do coronavírus desencadeou inúmeros outros problemas. “Por exemplo, as pessoas ficaram mais em seus lares e o pernilongo da dengue é intradomiciliar, logo, quanto mais pessoas dentro de suas casas, mais são as chances de se contaminar com dengue”, apontou o secretário.

“Por isso intensificamos o trabalho de vistoria de quintais, terrenos baldios, prédios abandonados e outros locais, bem como a busca e eliminação de criadouros do mosquito da dengue no trabalho porta a porta. Todo esse trabalho é desenvolvido por equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), por meio do Plano Municipal de Combate ao Aedes. Além disso, já estamos estudando a implementação de novas formas de combate a dengue”, adiantou Filemon.

Entre as novas formas está o programa Wolbachia, da Fiocruz/RJ, que é muito eficiente e menos oneroso aos cofres públicos.

A Wolbachia (uma bactéria) impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam no inseto.

Números da dengue

Os números da dengue na cidade explodiram no mesmo período desse ano ante a mesma fase do ano passado.

De acordo com banco de dados da Vigilância Epidemiológica Municipal, de 1º de janeiro a 17 de setembro de 2021, foram confirmados 5.246 casos de dengue, com um óbito na cidade. No mesmo período de 2020, foram confirmados 1.328 casos de dengue e nenhum óbito. Qualquer pessoa que tiver dúvidas sobre a dengue pode sana-las pelos telefones 3427-3351 ou pelo 156, segundo orientou o secretário.