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36 campos de futebol
Escassez de chuva e queimadas levam São Pedro à Situação de Emergência

Por Romualdo Cruz Filho

Problema mais grave está sendo a concentração dos eventos no tempo

Crédito: Divulgação

Problema mais grave está sendo a concentração dos eventos no tempo

O prefeito de São Pedro, Thiago Silvério da Silva, decretou na quarta-feira (15) Situação de Emergência na cidade, devido à escassez de chuva na região, o que resultou em uma estiagem crítica, classificada pelas autoridades ambientais como de Nível 1, o que afeta a qualidade de vida de todo o município, com prejuízo à saúde da população.

De acordo com o comandante da base de Bombeiros de São Pedro, Ricardo Sanches Migatta, que atende São Pedro, Águas de São Pedro e Charqueada, este ano, de janeiro ao dia 14 de setembro, já foram queimados o equivalente a 36 campos de futebol de mata natural na região. "O volume representa 300 mil metros quadrados", explicou.

Migatta disse também que o problema mais grave está sendo a concentração dos eventos no tempo. "Em um período curto entre uma queimada de forte impacto e outra, tivemos que combater o fogo na Serra da Torrinha, na divisa com São Pedro, Charqueada e Itirapina, no Morro do Fogão e na Serra de São Pedro", conta. Dados dos Bombeiros registram que em 2020 foram 154 focos de incêndio na região. Este ano, já foram 137 até o dia 14 de setembro.

"O desastre ora classificado deriva da seca prolongada verificada na região, provocando grave desequilíbrio hidrológico e estabelecendo uma situação de anormalidade que afeta todo o território do município. Em especial a diminuição da vazão de água dos mananciais que abastecem os reservatórios municipais, todos eles em níveis bastante críticos, o que, somado à onda de calor atípica para o período e a baixa umidade relativa do ar, acaba por comprometer seriamente o sistema público de abastecimento à população", diz o decreto 7.281.

A situação de desastre ambiental, segundo o decreto, exige ações de socorro e assistência humanitária diferenciada à população afetada. A medida legal visa também à redução da burocracia no caso de aquisições de bens necessários para enfrentamento da crise, bem como a solicitação de recursos financeiros dos governos estaduais e federais para ações emergenciais.

Migatta destacou que, apesar do acirramento da estiagem, a população continua com o abastecimento de água regularizado. "Nenhuma residência está sendo prejudicada. O decreto é uma precaução do poder público para dar a assistência necessária a toda a população", concluiu.

A Defesa Civil do Município vai coordenar também um trabalho de assistência social junto à população afetada pelo desastre com apoio de voluntários. A medida permite também o uso de fontes de água localizadas em áreas particulares pelo poder público, a fim de não deixar a população desabastecida. O decreto tem validade de 180 dias.

 

Águas de São Pedro

A Prefeitura de Águas de São Pedro e a Raízen firmaram parceria para o desenvolvimento de campanha contra queimada com o tema "Quem ama a terra não chama o fogo". O lançamento será amanhã (18), na praça Dr. Octávio de Moura Andrade, das 8h ao meio-dia. Haverá a distribuição de panfletos aos cidadãos sobre o tema.