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Despedida
Choque e comoção no velório da família Silveira Mello
Familiares e amigos lamentavam profundamente o trágico acidente aéreo ocorrido na manhã do dia anterior

Por Romualdo Cruz Filho

A cerimônia foi organizada pela Abil Grupo Reunidas

Crédito: Mateus Medeiros

A cerimônia foi organizada pela Abil Grupo Reunidas

O sentimento geral das pessoas que compareceram na manhã de ontem ao velório dos Silveira Mello, no Espaço Beira Rio, era de choque. Familiares e amigos lamentavam profundamente o trágico acidente aéreo ocorrido na manhã do dia anterior, que levou à morte o empresário piracicabano Celso Silveira Mello Filho (71), sua esposa, Maria Luiza Meneghel Silveira Mello (73), os filhos Celso Meneghel Sileira Mello (46), Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin (48) e Fernando Meneghel Sileira Mello (46), mais o piloto, Celso Elias Carboni (39), e o copiloto Giovanni Dedini Gullo (24).

A cerimônia, organizada pela Abil Grupo Reunidas, seguiu regras rigorosas de segurança para receber pessoas do Brasil inteiro, que estiveram na cidade para a despedida. Os corpos da família foram sepultados no Cemitério da Saudade por volta das 16h. Os corpos do piloto e do co-piloto permaneceram durante toda a manhã no Instituto Médico Legal (IML) para perícia médica, sendo que o primeiro teria como destino o Cemitério Parque da Ressureição e o segundo, aguardava definição da família.

O acidente ocorreu por volta das 8h41, e se deu numa área da reserva Jequitibá, a poucos metros de um condomínio residencial e também da Faculdade de Tecnologia (Fatec), região do bairro Santa Rosa. Eles estavam a bordo de uma aeronave particular, modelo King Air B250, fabricada em 2019 pela Textron Avation. Quinze segundos após a decolagem, do Aeroporto Municipal Pedro Morganti, o avião se desgovernou, caiu e explodiu.

Todos os destroços da aeronave foram retirados do local e encaminhados aos órgãos competentes para perícia a fim de se identificar as possíveis causas da tragédia, com resultados previstos para serem divulgados em até 90 dias. O prefeito de Piracicaba, Luciano Almeida, que acompanhou todo o trabalho no local do acidente, decretou luto oficial de três dias pelas mortes.

A esposa do governador João Dória, Bia Dória, esteve no velório representando o governo do Estado de São Paulo. O governador escreveu em sua conta do Twitter: “Desoladora a morte do empresário Celso Silveira Mello, da sua esposa, Maria Luiza, e seus três filhos, em acidente de avião em SP. Aos familiares, meus sentimentos nesse momento de dor. Minha solidariedade também às famílias do piloto e copiloto do avião que perderam suas vidas”.

Celso Silveira Mello é irmão de Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Cosan, Raízen e Comgás. Ambos são empresários de nome internacional e representam o setor sucroenergético brasileiro. Rubens esteve, com seus familiares, no velório. Chegou por volta das 10h, mas, devido ao momento delicado, resolveu não falar com a imprensa, bem como não se manifestou sobre as perdas e a tragédia nenhum dos familiares das vítimas. No entanto, autoridades da cidade e amigos expressaram seus sentimentos.

Lembranças e dor

Luciano Almeida, prefeito de Piracicaba: “Estou aqui para confortar a família neste momento difícil, que não se encerra hoje. Os próximos dias serão ainda mais difíceis para eles. Estamos e estaremos aqui para apoiar no que estiver ao nosso alcance. É um momento muito triste. Uma tragédia, com perdas irreparáveis”.

Roberto Morais, deputado estadual: “Estou chocado e muito triste. Minha família tinha uma amizade muito grande com o Celso. Quando ele era diretor da Usina Costa Pinto, ia muito em Charqueada, no bairro de Recreio, onde eu nasci, acompanhar os jogos do time da usina. Meu pai tinha um armazém e nos finais das partidas Celso fazia questão de passar pela venda onde permanecia por horas conversando com os amigos. Estive recentemente com ele e tudo estava muito bem. Como empresário era muito importante para a economia mundial. Mas era uma pessoa humilde e gostava muito das pessoas simples. Com sua perda, Piracicaba está triste e chocada”.

José Coral, presidente do HFC Saúde: “Não estou conseguindo comer. Não estou conseguindo dormir. Ando muito nervoso com o que aconteceu. Acabou uma família de uma forma assim, tão inesperada e violenta. Família do setor energético que tanta riqueza tem gerado para o nosso país e para a nossa cidade. Rezo muito. Peço a Deus que dê conforto a essa família. Piracicaba perde muito. Triste. Triste. Triste. Assustador”.

Arnaldo Bortoletto, diretor da Coplacana e vice-diretor do XV de Piracicaba: Lamentável o fato ocorrido. Em um milhão de acidentes ocorre um nessas dimensões. Ficaram apenas como herdeiros noras e netos. Celso era um grande homem, muito prezado pelos seus funcionários, porque ele sempre estava preocupado com o bem-estar de cada um deles. Foi presidente do XV de Piracicaba e colocava amor em tudo o que fazia. Deixa um legado de dedicação, fé e trabalho. Mas a vida continua. A mensagem que ele nos deixa também é que devemos viver o dia de hoje, porque nada sabemos sobre o amanhã”.

Dito Giannetti, empresário: “É difícil falar qualquer coisa nesse momento em que perdemos grandes amigos e amigos dos meus filhos. Ele era um benemerente, que sempre se dedicou à cidade de Piracicaba, nos ajudando em tudo o que podia”.

Adilson Benedito Maluf, ex-prefeito de Piracicaba: “É duro falar, porque não tenho palavras. A benemerência é uma palavra que não pode ficar de fora quando citamos o nome de Celso Silveira Mello Filho. Quando o convidei para ser presidente do XV de Piracicaba, ele aceitou com todo o empenho, fazendo o melhor. Foi a fase de ouro do alvinegro. O encontro de Silveira Mello com Ometto resultou nesse fenômeno. Fui seu amigo de infância, fui também paraninfo na sua formatura de Administração de Empresa. Agora ele estava envolvido no projeto de restauração do Engenho Central. Piracicaba perde um homem que só pensou no bem, criando empresas, gerando empregos e riqueza para nossa gente. Perdemos uma família. Perdemos amigos. A cidade de Piracicaba perde”.

Pedro Kawai, vereador: “Foi minha a indicação, em 2016, para que Celso Silveira Mello Filho recebesse o título de Cidadão Preclarus, pela Câmara de Vereadores de Piracicaba. Sobre a tragédia, nunca vivenciamos de perto algo nessa magnitude. Não dá para acreditar.

Barjas Negri, ex-prefeito de Piracicaba: "É uma tragédia o que aconteceu com a família Silveira Mello, um empresário bem-sucedido e amigo da cidade. Eu o conhecia pessoalmente e chegamos a escrever juntos matérias no curso de economia da Unimep. Não tenho palavras. A cidade de Piracicaba vai demorar muito tempo para esquecer esta tragédia. A cidade tem que ser solidária neste momento tão triste".

Pedro Mizutani, membro do conselho de administração da Cosan: Ele disse à Revista Exame que Celso era uma pessoa reservada, mas que não abria mão de uma partida de futebol. “Tive o privilégio de trabalhar ao seu lado por 18 anos, e ele sempre foi desta maneira, quando estava em campo, fazia questão de ser gente como a gente”.