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Estiagem
Nova crise hídrica
Gestores falam da necessidade de se adotar medidas preventiva

Por Erick Tedesco

Ontem, às 16h20, a vazão  do Piracicaba era 15,82 metros cúbicos de água por segundo (m3/s)

Crédito: Mateus Medeiros

Ontem, às 16h20, a vazão do Piracicaba era 15,82 metros cúbicos de água por segundo (m3/s)

Não vai faltar, já está faltando água", disse Osmar da Silva Júnior, superintendente do Daee (Departamento de Água e Energia Elétrica) em live que discutiu os efeitos da estiagem atual e seus possíveis impactos para o próximo ano, com risco de uma nova crise hídrica em 2022.

O rio Piracicaba que o diga, superintendente. Ontem, às 16h20, a sua vazão era 15,82 metros cúbicos de água por segundo (m3/s). Estava com apenas 0,94 centímetro de altura, no trecho que corta a cidade. Em alguns pontos dá até para atravessar a pé de uma margem à outra, passando pelas pedras expostas do leito. Também às 16h20, o Corumbataí, principal fonte de abastecimento de Piracicaba, registrava vazão de 2,21 m3/s e 0,71cm de altura.

Como disse o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, os mananciais da região estão "exauridos". Ele atentou para a gravidade do momento e informou que existem municípios que já estão enfrentando restrições do consumo de água devido à estiagem mais severa.

Saltinho, na semana passada, estava transportando água em caminhões-pipa, de outras cidades, poços e represas particulares, para abastecer a população. A represa Carmelindo Lopes está com volume baixo de água por causa da falta de chuva. Charqueada informa que não há risco de racionamento, por enquanto, mas estão sendo tomadas medidas que consistem no monitoramento dos níveis dos mananciais de abastecimento e em obras constantes para evitar a perda de água na distribuição. São em torno de seis mil ligações de água no município.

Francisco Lahóz recomenda o uso consciente da água e orienta a adoção de medidas preventivas imediatas, como: parcerias com a Defesa Civil para o cadastramento de caminhões pipa para momentos de escassez extrema; mapeamento de reservatórios particulares na zona rural; identificação de cavas de mineração e análise química da água ali armazenada para possível uso em emergências (como já foi feito na crise de 2014/2015); cadastramento de empresas que aluguem tubulações de engate rápido para poder levar água de um ponto a outro; e combate às perdas visíveis com o apoio da população na busca por vazamentos nas residências e em locais públicos.

Na visão do Consórcio PCJ, iniciar desde agora ações de contingenciamento é se preparar para a estiagem de 2022, que "tende a ser mais forte a que estamos verificando nesse ano, já que há forte possibilidade de repetição da ocorrência do 'La Niña', que arrefece as águas do Oceano Pacífico e diminui a quantidades de chuvas no Sul e Sudeste do Brasil".

O presidente do Conselho Fiscal do Consórcio PCJ, Júlio Lopes atentou para a necessidade de planejamento de ações regionais, já que numa crise hídrica os impactos serão sentidos por todos, e o coordenador da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas dos Comitês PCJ, Vinicius Rosa, afirmou: "Devemos utilizar toda criatividade e tecnologia possível para que a água das chuvas que ocorrem em nossa região hidrográfica fique aqui, realimentando o lençol subterrâneo. Vamos salvar o planeta, iniciando por salvar uma gota de água".