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7 de Setembro
Dia de manifestações
Polícia civil instaurou um inquérito para investigar ato de vandalismo na frente da Igreja São Benedito

Por Larissa Souza

Movimento 'Pro-Brasil' foi que levou mais pessoas à praça José Bonifácio

Crédito: Mateus Medeiros

Movimento 'Pro-Brasil' foi que levou mais pessoas à praça José Bonifácio

A praça José Bonifácio foi ponto de encontro de dois grupos de manifestantes no Dia da Independência, um contra e o outro de apoio ao governo Bolsonaro. Durante as manifestações, a igreja Catedral de Santo Antônio realizou a missa com as portas fechadas. A polícia militar e a guarda civil acompanharam os dois atos.

O primeiro ato do dia marcou a 27ª edição do Grito dos Excluídos que, esse ano, reivindicou, entre outras coisas, o "Fora Bolsonaro". A concentração começou às 8 h e, por volta das 9h15, o grupo saiu em passeata até a Igreja São Benedito. "Nós entendemos que a política econômica colocada em curso pelo governo Bolsonaro é a grande responsável pela situação de empobrecimento do povo brasileiro", explicou o professor Adelino Francisco de Oliveira, membro do Conselho Diocesano da Pastoral de Piracicaba. Ele também apontou o modo de enfrentamento da pandemia, assumido pelo presidente, como prejudicial para a população. "Há uma pesquisa de médicos que estima que a gente teria mais de 400 mil mortos a menos se tivesse tido uma política de saúde pública", comentou.

A manifestação foi organizada por representantes de entidades pastorais da cidade, partidos políticos e movimentos estudantis. "A nossa expectativa é dar esse recado da necessidade de a gente ter uma mudança na política do país, que hoje é extremamente impopular e tem levado o nosso povo à morte, de fome, de bala e de Covid-19 também", disse Gabriel Colombo, secretário político do PCB (Partido Comunista Brasileiro), um dos organizadores do ato. A vereadora Rai de Almeida (PT) também participou da manifestação.

"Nós estamos dando aqui o nosso grito por liberdade de expressão, contra a discriminação dos movimentos sociais, em defesa da democracia e do Estado de Direito, e o fora Bolsonaro", disse.

Os manifestantes seguravam cartazes com frases como "Fora Bolsonaro", "Por emprego, vacina e educação" e "Chega de holocausto ambiental".

Para o conselheiro tutelar Leonardo Alves, que participou do ato, a atuação do governo está diminuindo a qualidade de vida dos mais pobres. "Vejo cada vez mais a vida da população onde eu moro piorar e eu acho que eu tinha que estar presente aqui nesse momento", comentou.

Durante a passeata, duas pessoas derrubaram uma mistura de água, farinha e corante vermelho no chão, representando sangue. Segundo Isaac Roston, que faz parte da organização do Grito dos Excluídos, o líquido representava "sofrimento" e "as mais de 80 mil pessoas que morreram de Covid-19". Em frente à igreja São Benedito, o grupo ficou em silêncio durante um minuto em respeito às mortes provocadas pela Covid-19 e depois utilizou um microfone para proferir palavras de ordem. Segundo um participante, a manifestação foi encerrada por volta das 10h30.

Movimento 'Pro-Brasil'

Com roupa verde e amarela e bandeiras do Brasil, o grupo pró-governo ocupou praticamente metade da praça José Bonifácio a partir das 10 h. O ato, que reuniu aproximadamente 6 mil pessoas, teve como principal reivindicação a liberdade de expressão. "Ninguém pode ser preso porque exprime suas opiniões. Pessoas que são comprovadamente culpadas são soltas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e quem expõe seu ponto de vista está sendo preso", comentou Márcio Corrente, participante do ato.

Durante a manifestação, pessoas subiram em um trio elétrico para dizer palavras de ordem em defesa da liberdade de expressão e em apoio ao presidente Jair Messias Bolsonaro. O trio também tocou o Hino Nacional Brasileiro e o Hino da Independência do Brasil.

A "defesa da liberdade" também foi a motivação do presidente do Conselho Consultivo da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luiz Carlos Furtuoso, para participar da manifestação. "Precisamos que as pessoas respeitem as leis e não as usem em seu benefício", comentou.

Arnaldo Bortoletto, presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), reforçou a crítica ao STF e elogiou a atuação do presidente. "Precisamos mostrar que o Bolsonaro é um presidente justo e está fazendo o que povo quer, dando a cara pra bater, gerando renda, emprego e botando os corruptos na cadeia", falou.

A empresária Antonia Spigolon, que foi ao ato com seu marido e neto, acredita que era um "dever de todo cidadão" participar da manifestação realizada pelo grupo. "Nós estamos aqui para somar, mostrar nosso descontentamento com o que está acontecendo na política, e em apoio ao nosso presidente Bolsonaro", falou.

Além das roupas e bandeiras, os manifestantes também levaram cartazes com frases como "Exigimos uma nova Constituição Federal", "A Suprema Corte de Justiça ameça as nossas liberdades" e "Supremo é o povo". Grande parte dos cartazes tinha tradução em inglês, abaixo da frase em português.

O presidente do HFC Saúde, José Coral, que também esteve no ato, criticou a atuação do Governo do Estado de São Paulo e do STF. "A briguinha do Governo Paulista com o federal só prejudicou. Agora estamos em uma miséria, tem quase 20 milhões de desempregados. Nós vamos atuar todo dia por mudanças porque não pode continuar assim, com o pessoal do Supremo mandando no país, soltando os bandidos", disse.

Por volta das 10h40, o grupo saiu em passeata, deu uma volta no entorno da Catedral e voltou para o local da concentração. Ao final do ato, eles fizeram uma oração.

Durante a manifestação, uma carreata com aproximadamente 300 veículos, entre carros, motos e caminhões, passou pela praça buzinando. Grande parte deles segurava bandeiras do Brasil pela janela.

Inquérito contra vandalismo

A polícia civil instaurou um inquérito para investigar ato de vandalismo na frente da Igreja São Benedito, patrimônio da cidade tombado pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba). A escadaria e o chão da igreja foram manchados com um líquido vermelho, e um muro, ao lado do prédio, foi pichado com a frase "Fora Bolsonaro". No local, também foram colados desenhos com críticas ao Bolsonaro.

O ato foi denunciado por Ronaldo Francisco Aguarelli, pároco da Catedral de Piracicaba e responsável pela Capela São Benedito. De acordo com o B.O (Boletim de Ocorrência), o pároco recebeu fotos do local, já vandalizado, por volta das 13 h. Segundo o titular do 1º DP (Distrito Policial de Piracicaba), Vagner Romano, a polícia civil apurará os fatos, com base em imagens registradas no dia.

Nas redes sociais, o ato foi atribuído aos manifestantes do Grito dos Excluídos, que estiveram no local até as 10h30. O professor Adelino Francisco de Oliveira disse que o muro já estava pichado há alguns dias e que não viu nenhum integrante do coletivo jogar o líquido vermelho na escadaria. "Quem dera o debate sobre a escadaria e o sangue lavável também fosse um debate sobre o sofrimento que existe em Piracicaba e ninguém vê", afirmou.