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Biodiversidade
Produção agroecológica, sem agrotóxicos
Procura por alimentos sem agrotóxicos tem aumentado em Piracicaba

Por Larissa Souza

Cliente pode acompanhar de perto o manejo dos alimentos que comprará

Crédito: Mateus Medeiros

Cliente pode acompanhar de perto o manejo dos alimentos que comprará

“Solo e planta sadia, ser humano saudável”, esse é o lema da Chácara Brasil, localizada na rodovia Margarida da Graça Martins, que trabalha com uma produção de base agroecológica, sem o uso de nenhum tipo de agrotóxico. O plantio de dois hectares é composto por uma variedade de hortaliças, legumes, cogumelos, além de 20 tipos de frutas.

De acordo com o engenheiro agrícola João Paulo Brasil, um dos integrantes da equipe da chácara, o principal benefício desse tipo de plantação é a conservação dos valores nutricionais do alimento. “Ele incorpora uma quantidade muito maior de nutrientes”, explicou Brasil.

Na chácara, a produção é consorciada, isto é, em uma área são plantados diferentes tipos de alimentos. A escolha do que será plantado é feita com base na sazonalidade de cada planta ou vegetal. “A nossa preocupação é manter o solo vivo e gerar uma grande biodiversidade”, disse o engenheiro.

Além das verduras, legumes e hortaliças convencionais, a produção da chácara também é constituída pelas Pancs (Plantas Alimentícias não Convencionais), vegetações que não são consumidas por grande parte da população. “Deixamos de comê-los por considerar eles ‘mato’, sendo que são altamente nutritivos”, comentou Brasil. Exemplos desse tipo de alimento são as flores de cosmos e a planta ora-pro-nóbis.

De acordo com o agrônomo, a procura por alimentos sem agrotóxicos tem aumentado cada vez mais, principalmente por famílias. Mensalmente, a chácara vende cerca de duas toneladas de produtos.

A Chácara Brasil também oferece para os frequentadores a possibilidade de se associar. Os associados podem participar do plantio e do manejo do alimento que consumirão.

O diretor comercial Castellane Ferreira é um desses associados. Ele passou a comprar alimentos sem agrotóxicos há cerca de 15 anos. Hoje, além de comer uma variedade de hortaliças e leguminosas, também é adepto ao consumo das Pancs.

Para ele, o principal benefício de ser um cliente de uma produção agroecológica é acompanhar de perto o manejo dos alimentos que comprará. “Eu preciso me preocupar com a origem do alimento que coloco na boca”, comentou.

Natália Guimarães Neves também tem essa preocupação desde que começou a cursar biologia. A bióloga é uma cliente da chácara há aproximadamente três anos. Entre os produtos que não podem faltar em suas compras, estão hortaliças, legumes e o cogumelo shimeji. “São produtos que respeitam e trazem benefícios para o meio ambiente. Além disso, são produzidos de acordo com cada estação, respeitando a safra. Assim o alimento fica mais saboroso e nutritivo”, afirmou.

Ela também incentiva sua filha, a pequena Beatriz Helena, de um ano e três meses, a conhecer, desde cedo, a origem do alimento que vai comer. “Levo-a sempre na chácara e também tenho uma hortinha em casa. Ela já observa a gente plantar, colher e comer”, contou.

Turismo rural e pedagógico

Além de vender alimentos, a chácara também promove visitas técnicas para escolas e grupos que têm interesse em conhecer mais sobre o modo de produção agroecológica. Essas visitas também abordam a importância da preservação dos bens naturais e do meio ambiente.

“As pessoas precisam entender que o solo não é um recurso eterno”, disse João Paulo Brasil.

Horta do bairro Santa Rita

Outra opção para quem procura por produtos de base agroecológica é a horta do bairro Santa Rita, localizada na rua Luiz Guidotti, número 32. A horta de 200 mil metros quadrados produz hortaliças, legumes e alguns tipos de Pancs.

De acordo com o agrônomo Daniel Melmam, um dos integrantes da equipe que atua na horta, a produção agroecológica traz benefícios para a saúde e o solo.

Ele explica que, quando um pesticida ou agrotóxico é utilizado no solo, essa substância pode atingir os lençóis freáticos e chegar até o rio Piracicaba, contaminando a água e os peixes do rio. “Quando um ser humano come esse peixe, ele pode estar ingerindo uma carga alta de metais pesados”, explicou.

Segundo o agrônomo, a ideia da equipe da horta, que também é composta por Camila Rossetti, Bruna Azevedo e um colaborador, é, futuramente, é também utilizar o espaço da produção para atividades educativas. “É importante que eles venham aqui buscar alimento, mas que também tenha uma troca (de conhecimento)”, falou Melmam.