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Carinho e proteção
A batalha dos protetores
Pessoas que atuam no resgate de animais relatam desafios

Por Larissa Souza

Uma das principais dificuldades no resgate é adaptar animais que sofreram com grandes traumas

Crédito: Mateus Medeiros

Uma das principais dificuldades no resgate é adaptar animais que sofreram com grandes traumas

O olhar de carinho e gratidão de um animal - essa é a principal recompensa dos protetores independentes, pessoas que atuam no resgate e tratamento de animais, não só os que estão em situação de rua, mas também os que enfrentam perigo em suas próprias residências.

Esse é o caso de Patrícia Chiarini, que começou a contribuir com a causa animal há 17 anos. Hoje possui um abrigo com aproximadamente 100 animais. Além do grande tempo de atuação, Patrícia é referência no acolhimento de animais com deficiência. Atualmente, em seu abrigo, há seis animais que têm mobilidade reduzida.

De acordo com ela, uma das principais dificuldades no resgate é adaptar animais que sofreram com grandes traumas, principalmente relacionados à violência. Durante sua trajetória, ela acolheu diversos desses animais, um deles, inclusive, que era utilizado em rinhas.

O processo de adaptação dele foi um dos mais difíceis, segundo ela. Mas, com o tempo, ele acostumou-se com sua presença e, apesar de ainda conviver separado dos outros animais, não demonstra agressividade com os moradores da casa. “Ele me aceita bem. Quando falo com ele, parece um neném”, conta.

Encontrar abrigo para os animais também é um desafio, segundo Patrícia, visto que há um número muito grande de resgates. No ano passado, ela resgatou 80 animais.

Outra dificuldade, segundo a protetora Fernanda dos Santos, conhecida pela página e canal Patas Curadas, é a falta de auxílio por parte do Poder Público e de grandes empresas para os protetores, visto que o processo de resgate e cuidado inclui a medicação, castração, vacinação, entre outras coisas, que não são baratas. “Falta um incentivo, um olhar diferente para os protetores independentes”, afirma.

A enfermeira Fernanda divide seu tempo entre trabalho, vida social e o resgate de animais há cerca de três anos e meio. Nesse período, já participou do resgate de diversos animais, inclusive a de sete cavalos, que estavam presos em uma área cercada quando o fogo do terreno ao lado a invadiu. Fernanda conseguiu entrar na área, retirar os cavalos, e levá-los para um lugar seguro.

A protetora também acha que falta conhecimento da população sobre os deveres acerca dos cuidados de um animal. “A luta dos animais é de todos, da sociedade como um todo”, diz Fernanda.

Apesar das dificuldades e desafios, para Fernanda, o sentimento de resgatar e cuidar de um animal é único. “Todo o resgate que eu faço, é com muito amor. Quando você o resgata, o sentimento é de gratidão o tempo todo”, disse, emocionada.

Trabalho de formiguinha

Além do resgate, há outros processos que também fazem parte da proteção dos animais, entre eles, a parte de divulgação, o que inclui a criação de postagens com informações sobre animais lesionados, a divulgação de rifas para a causa animal e o incentivo a doação responsável.

A protetora Adriana Marques Nascimento tem uma forte atuação nesta parte. “O trabalho do protetor é feito por várias pessoas”, conta.

Quando encontra um animal, Adriana divulga a foto dele nas redes sociais para buscar um lar temporário para acolhê-lo. Depois, ajuda a encontrar um tutor para ele.

Mesmo depois de conseguir um lar para o animal, permanece em contato constante com o tutor para conferir se o animal está sendo bem cuidado. “Também não é uma coisa que você vai destinar o animal e depois esquecer ele”, explica.

Adoção responsável

Antes de adotar um animal, é fundamental ter a certeza de que consegue acolhe-lo e atender a todas as suas necessidades.

Um animal precisa de espaço, carinho, cuidados veterinários e atenção, então, é preciso separar um tempo para oferecer para esse animal.

Se o animal tem deficiência, é importante informar-se sobre suas necessidades, e lembrar que eles precisam de cuidados constantes.

Maltratar animais é crime

Mesmo com a existência da lei 9.605/1998, que criminaliza atos de violência contra animais, ainda há muitas pessoas que praticam esse tipo de crime.

De acordo com a Guarda Civil, desde maio deste ano, foram recebidas 180 denúncias de maus-tratos a animais. A pena para o crime é de dois a cinco anos de reclusão.

A denúncia pode ser feita pelo 156, da Prefeitura, ou 153, da Guarda Civil.

Canil Municipal de Piracicaba

Além da vacinação, a castração é fundamental para a saúde do animal, além de auxiliar no controle da população de animais do município.

Esse serviço é oferecido de forma gratuita pelo Canil Municipal de Piracicaba. O agendamento para as cirurgias (segunda, terça, quinta e sexta-feira) é feito nas Unidades de Saúde e no Poupatempo Municipal.

Às quartas-feiras, o canil oferece um atendimento especial para ONGs e protetores, que pode ser feito por meio de e-mail, informando os dados do animal, o nome do tutor, os documentos de identificação e o comprovante de endereço.

Como ajudar

Patrícia Chiarini - Facebook - Paty Chiarini Pets

Fernanda Santos - Facebook - Patas Curadas