Últimas Notícias
Clima seco
Queimadas crescem 74,7%
De janeiro a 25 de agosto foram 725 ocorrências, enquanto que no ano passado ocorreram 415 queimadas

Por Ana Cristina Andrade

Corpo de Bombeiros já atendeu 725 ocorrências de fogo em vegetação este ano

Crédito: Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba

Corpo de Bombeiros já atendeu 725 ocorrências de fogo em vegetação este ano

Os períodos de maior ocorrência de incêndios em vegetação no Estado de São Paulo ficam entre os meses de junho e outubro. O clima seco provoca também queimadas agrícolas.

Em Piracicaba, de 1º de janeiro até o dia 25 deste mês, o Corpo de Bombeiros já atendeu 725 ocorrências de fogo em vegetação, praticamente a soma do mesmo período de 2019 (380 registros) e 2020 (415). Isso representa, comparando agosto de 2021 com o mesmo período de 2020, um aumento de 74,7%.

É também, de acordo com o Corpo de Bombeiros local, foram mais do que ocorreu no ano de 2020 inteiro, período em que foram registradas 613 ocorrências e, ainda, superior ao total de 2019, ano em os bombeiros atenderam 587 chamadas.

A chuva de ontem e a previsão do tempo para hoje em Piracicaba, segundo o Climatempo, que é de sol com muitas nuvens durante o dia, porém com período nublado com chuva a qualquer hora, quebram um pouco esse ciclo das queimadas, mas não impede que elas voltem a ocorrer quando o tempo esquentar.

Para o comandante dos Pelotões de Bombeiros de Piracicaba, tenente, Michael Leme Beraldo, se for fazer uma expectativa, do jeito que vem aumentando esse tipo de ocorrência, até dezembro, deverá passar de 1.000 combates.

Estrutura da corporação

O Corpo de Bombeiros de Piracicaba possui os quartéis da avenida Independência, do Areão e a sede que é na rua Almirante Barroso, ao lado do Ministério Público. "Na sede há um caminhão com dois bombeiros. No Areão também há um caminhão com três profissionais e na Independência, tem outro com três e, às vezes, quatro bombeiros", explica.

Além disso, de acordo com o comandante, a corporação conta com os bombeiros inscritos na Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar), autorizada pelo Estado, por um período de oito horas, baseado nos dias e horários mais críticos.

"Para não escalarmos uma equipe da 0h às 6h, ou até as 8h, pois pode não acontecer nada de madrugada, então escalamos mais dois ou três para compor uma viatura somente para combate ao fogo em mato. Hoje, temos 12 militares que estão atuando diretamente nesse trabalho, mais eu e o motorista", destaca o tenente.

Apesar de os números expressivos serem somente de Piracicaba, os bombeiros locais atendem também o entorno, além de outras cidades da área do 16º Grupamento. "Esse efetivo também atua em grandes ocorrências como em Torrinha, Santa Maria da Serra, São Pedro, Água da Prata, entre outros municípios com serras onde o fogo se propaga muito rápido", destaca.

Trabalho educativo

"As nossas ações não são somente o combate a incêndios, mas são ações preventivas de forma educativa. Vamos ao trânsito entregar folders com orientações para que os motoristas não joguem cigarros na beira das pistas, por exemplo, revela o tenente Beraldo.

"Devido à baixa umidade relativa do ar e alta temperatura, a chance de propagação de incêndio é muito grande, além dos danos que serão causados à natureza", explica. Nas escolas, segundo ele, são feitas ações educativas pelo cabo Guaracy que é bombeiro educador.

Métodos de combate

Os bombeiros costumam usar, no combate a incêndios em vegetação, três tipos de equipamentos: um é o abafador, mais conhecido como "vassoura de bruxa", principal ferramenta para controle direto do fogo.

É um utensílio de uso manual, com cerca de 2,5 metros de cabo de madeira de eucalipto, e com lâmina de borracha usada para abafar as chamas. O segundo método é a bomba costal, igual uma mochila e que tem um lançador para o bombeiro ir bombeando e jogando água.

"A bomba costal é usada para apagar pequenos focos. Se é uma área onde a viatura consiga acessar podemos usar o lance de mangueira". Tem uma quarta opção, de acordo com o oficial do Corpo de Bombeiros, que é por meio da aeronave.

Ela utiliza o líquido gerador de espuma, que é igual a um detergente, e que forma um filme em cima da vegetação impedindo, assim, a entrada do oxigênio. Além de resfriar, ainda abafa o fogo.

Orientações

Os bombeiros orientam a população a não jogar as bitucas de cigarros no mato e muito menos limpar matos de terrenos usando fogo. Não é possível afirmar, segundo o tenente Beraldo, mas acredita-se que grande parte dos incêndios é de origem criminosa. "Para se ter ideia do que as pessoas fazem, no ano passado estávamos combatendo incêndio com o Águia, na serra de São Pedro. A equipe do helicóptero se desdobrando por cima, bombeiros por terra, e visualizamos um homem pondo fogo no mato. Só faltou levar um jato de água na cabeça, mas não se importou e ficou pondo fogo", lembra.

Atear fogo é crime

Destruir ou danificar as demais formas de vegetação natural, em área considerada de preservação permanente, sem autorização de órgãos ambientais, é crime previsto no artigo 38 da Lei 9.605. Existe, em toda a extensão rural de Piracicaba e região, uma fiscalização feita pela Polícia Militar Ambiental, principalmente em áreas com cana-de-açúcar.

E foi baseada nisso que a corporação aplicou, só no último dia 25, três multas na área rural de Mombuca (SP), num total de quase R$ 2,4 milhões. Numa única propriedade, a multa foi de R$ 2.014.155,00.

Nesta última, a autuação incluiu até mesmo os aceiros em desconformidade, ou seja, menor que 6m e com manutenção inadequada.

O aceiro é uma espécie de atalho de um terreno, em volta de propriedades ou matas, feito para impedir a propagação de incêndios.

Umidificador pode reduzir o desconforto

Quando a crise alérgica aperta, a primeira atitude de algumas pessoas é colocar uma vasilha com água ao lado da cama ou uma toalha molhada na guarda da cama. Mas não existe nada cientificamente comprovado que esses métodos funcionem, segundo a médica Otorrinolaringologista Érica Ortiz.

"O bom mesmo é colocar o umidificador de ambiente. Porém, não é aconselhável colocá-lo muito próximo ao local onde a pessoa dorme. Ao redor do umidificador aumenta a proliferação de micro-organismos como fungos e ácaros. Se a pessoa for alérgica a fungos, por exemplo, as inflamações respiratórias vão piorar", explica.

Além disto, segundo ela, pode haver um choque térmico devido à queda da temperatura durante a madrugada. A melhor opção, de acordo com ela, seria deixar o umidificador num corredor próximo aos quartos ou num banheiro, que fica no quarto, e preferencialmente em níveis superiores de algum móvel alto como a cômoda.

"Se não for possível deixar o umidificador fora do quarto, colocá-lo mais distante da cama", orienta. Ela também alerta que quem tem alergia a fungos não deve usar o umidificador.

A opção individual para o período de seca severa seria lubrificar as narinas. Ela diz que existem várias as opções desde o tradicional soro fisiológico ao gel de solução fisiológica.

"Há também o hidratante nasal feito com soro e ácido hialuronico que permite uma melhor lubrificação nasal sem efeito de sensação de 'nariz sujo ou melado'. Cada indivíduo se adapta melhor a um determinado lubrificante nasal. Estes lubrificantes estão disponíveis em farmácias e podem ser comprado sem receita médica", diz a especialista.

Érica diz também que usar soro fisiológico com muita frequência pode irritar a mucosa nasal e reduzir os anticorpos que ficam sobre a mucosa no muco nasal. Então, o gel ou o hidratante ajuda bastante o ressecamento e pode ser usado conforme a necessidade.

Existem pessoas, de acordo com a doutora Érica, que chegam a sentir dores de cabeça neste período devido à seca. Para essas pessoas, a inalação com o soro fisiológico morno já alivia o sintoma.

“Muitos adultos e crianças desencadeiam crises de rinite e/ou asma neste período, o que confunde o diagnostico de Covid-19, gerando uma grande ansiedade", ressalta.

”Os indivíduos alérgicos respiratórios precisam procurar o especialista para manter o controle da alergia, e assim não desencadearem maior hiperatividade e piora dos sintomas nesta fase de clima seco", completa.