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Merenda escolar
Dossiê da CPI vai ao Ministério Público
Empresa contratada para fornecer refeições nas escolas é investigada por denúncias relacionadas à falta de pagamento de salário, rescisão e benefícios trabalhistas

Por Larissa Souza

 Aproximadamente 60 merendeiras realizaram nova manifestação na terça (24)

Crédito: Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba

Aproximadamente 60 merendeiras realizaram nova manifestação na terça (24)

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda, da Câmara de Vereadores, fará um dossiê com denúncias de irregularidades praticadas pela empresa Nutriplus, como a falta de cumprimento do contrato emergencial celebrado entre a empresa e a Prefeitura entre 2020 e início de 2021. O documento será apresentado ao Ministério Público como denúncia.

A Nutriplus, contratada para fornecer refeições nas escolas, está sendo investigada pela CPI desde fevereiro por denúncias relacionadas à falta de pagamento de salário, rescisão e benefícios trabalhistas. Mesmo sob investigação, a empresa foi recontratada de forma emergencial, o que está gerando manifestações.

Além das denúncias referentes ao contrato anterior, as manifestantes também relataram irregularidades no abastecimento das escolas e na atuação da nova equipe da merenda. Na última segunda-feira, diversas escolas estaduais e municipais precisaram suspender as aulas devido à falta de alimentos.

Ontem, a Gazeta acompanhou o trajeto do caminhão da Nutriplus que levou os produtos para as escolas e verificou que os problemas relacionados ao abastecimento continuaram no período da manhã. As escolas estaduais Professor Abgail de Azevedo Grillo e Monsenhor Jeronymo Gallo precisaram dispensar seus alunos, por volta das 10h, por causa da falta de merendeiras e de alimentos. Uma delas, a E.E. Professor Abgail de Azevedo Grillo, só recebeu os produtos alimentícios às 11h30. Os funcionários que dirigiam os caminhões estavam vestidos com uniformes de outra empresa.

A prefeitura disse, em nota, que “nenhuma escola municipal teve interrupção em suas atividades por falta de merenda”. O Executivo disse, ainda: “Há problemas pontuais, que, reforçamos, não influenciaram no atendimento aos alunos. A expectativa da Secretaria de Educação é que até o final desta semana esses problemas sejam completamente sanados”.

A prefeitura afirmou que acompanha e fiscaliza o fornecimento da merenda pela Nutriplus, serviço que teve início anteontem, 23/08. “A expectativa é que esse processo de adaptação da empresa possa ser o mais rápido possível e que o atendimento aos estudantes seja oferecido com a qualidade que a Administração exige, seguindo e respeitando o contrato”.

Ontem, a merendeira Estefania Catarina Alves Ponce observou que a nova equipe contratada não foi treinada e não está seguindo o cardápio nutricional definido pela Secretaria Municipal de Educação. “Há funcionários sem EPI, sem toca, batendo tempero e deixando acumulado na geladeira, isso não pode”, relatou.

Novo ato

Na manhã de ontem, um grupo de aproximadamente 60 merendeiras realizou uma nova manifestação em frente ao Centro Cívico, com representantes do Fetercesp (Federação dos Trabalhadores em Empresas Coletivas). Elas estavam vestidas com avental, toca higiênica e máscara. Nos cartazes, pediam: “Fora Nutriplus #HCM” e “Fora Nutriplus, acerta o que nos deve”. Algumas levaram tampas de panelas. O ato reivindicou a volta da empresa HCM (Horto Central Marataízes).

O grupo fará outro ato amanhã, em frente ao Fórum, às 13 h. (Larissa Souza).