Últimas Notícias
Cidade
117 furtos de tampões em 2021
Furtos representam um aumento de 290% com relação ao ano passado inteiro, quando foram registrados 30 furtos

Por Ana Cristina Andrade

Cada tampa custa em torno de R$ 400,00 à empresa

Crédito: Mateus Medeiros

Cada tampa custa em torno de R$ 400,00 à empresa

A empresa Águas do Mirante registrou neste ano, de janeiro até a primeira quinzena de julho, 117 ocorrências de furtos de tampões de redes de esgoto de Piracicaba, instaladas nas calçadas ou no meio da via pública.

Isso representa um aumento de 290% com relação ao ano passado inteiro, quando foram registrados 30 furtos, e um gasto de R$ 117 mil já que cada tampa custa em torno de R$ 400,00 e com o trabalho da equipe o gasto, por reposição, é de R$ 1.000,00, segundo Laís Fonseca Gomes, coordenadora das áreas de Serviços e de Operações.

Uma tampa dessas, no caso a metálica, de acordo com Laís, pesa em torno de 25 quilos. "É desesperador porque dependemos que a população constate a ausência de um tampão e abra ordem de serviço. Porém, muita gente reclama e acaba não comunicando oficialmente", ressalta.

Esses tampões, segundo Laís, são os exclusivos de esgoto, mas existem os da Secretaria de Obras que são instalados na rede de drenagem e os criminosos levam também. Segundo ela, os furtos estão ocorrendo pela cidade inteira.

"Temos o modelo articulado que é mais difícil de ser removido, então o pessoal acaba levando os que não são articulados. Cada vez que temos que repor um tampão desses é um dinheiro que poderíamos usar em benefício da população", declara.

Com os R$ 117 mil gastos nos primeiros sete meses deste ano, segundo ela, dava para intensificar o projeto de lavagem de rede coletora, para evitar novas obstruções ou para aplicar o desengordurante na rede coletora para diminuir a quantidade de obstrução por gordura, que também é outro erro.

Esse aumento absurdo, de acordo com Laís, está completamente atrelado ao valor do metal. "Durante todo esse processo da pandemia, o custo do metal aqueceu muito no comércio. Para se ter idéia, um tampão que poderia ser vendido por R$ 5,00 ou R$ 10,00, está valendo quase cinco vezes mais", explica.

"Então, o principal motivo é que o comércio relacionado a essa matéria-prima aumentou muito de valor. Isso dá para sentir no dia a dia. Se uma pessoa contratar um serviço de serralheiro, por exemplo, e comparar com dois anos atrás, ele quase triplicou o valor tanto da matéria prima quanto da mão de obra", acrescenta.

"Como a gente acredita que eles furtam as tampas e vendem em ferros-velhos, conseguem de R$ 40,00 a R$ 50,00 em algo que para a gente custa R$ 1.000,00. A nossa maior dificuldade realmente é fazer com que esses comércios sucateiros não façam a compra", ressalta Laís.

De acordo com ela, a empresa tem pedido muito apoio á polícia de Piracicaba justamente para redobrar a fiscalização nos ferros-velhos. "A partir do momento que não tiver um comércio disso, as pessoas param de furtar. Se não tiverem onde vender, elas não terão interesse num material desses".

Perigo

O maior problema, segundo a coordenadora, nem chega a ser o financeiro, mas sim o risco de acidentes. "O tempo entre a pessoa furtar, a gente ser acionado e consertar, pode ocorrer um acidente e podemos ficar sabendo só depois do acontecimento. Se alguém se machucar ou morrer será uma vida em troca de migalhas num comércio ilegal", Analisa Laís.

"A população, se tiver noção desse risco de acidente, poderá nos ajudar a diminuir esse problema".

 

Dificuldades

A Águas do Mirante fazia uma compra de material que era relacionada ao uso mensal, sendo que também reformava os itens antigos. Agora, de acordo com Laís, praticamente está utilizando todo o estoque nesses furtados e está comprando muito mais conforme os furtos vão aumentando.

"Conforme foi aumentando o número de tampões furtados tive que aumentar também a compra, mas é uma dificuldade porque junto ao aumento do preço está uma escassez de matéria-prima no mercado. Então, um tampão que chegava em 20 dias está demorando até 90 dias para ser entregue”, salienta.

“Tivemos que nos reinventar, nos desdobrarmos, para encontrarmos mais fornecedores porque, como nosso estoque não estava suprindo a demanda de furtos, estava difícil de acharmos no mercado uma reposição”, afirma.

Um serviço que poderia ser atendido em tempo real, segundo a coordenadora, até para evitar o risco de queda de pessoas, principalmente crianças, acaba levando mais tempo para ser executado porque não se acha material com facilidade no mercado.

Acaba sendo um gasto desnecessário, de acordo com ela, porque esse material tem uma vida útil muito grande. “A gente já coloca ferro fundido justamente para durar muitos anos. Não deveria ser um ícone de obrigação eu investir numa coisa para evitar furto. Não faz muito sentido. Acabo investindo um dinheiro por causa de ladrão, quando poderia investir num benefício real”, revela.

 

20 mil tampões na cidade

Piracicaba tem 1.463 Km de redes de esgoto, o que resulta em mais de 20 mil tampões espalhados pela cidade. “É uma quantidade absurda de tampões que temos no município. São quilômetros e quilômetros com um tampão a cada 100 metros. Não que não seja necessário esse tipo de reforma. É que não é viável, financeiramente, eu acabar trocando tampões por causa de ladrões”, observa Laís.

Solução

“Para tentarmos diminuir a quantidade de furtos estamos intensificando o contato com a polícia, pois acreditamos que quando for pego pesado com os estabelecimentos que estão comprando os itens, o número de furtos irá reduzir.

“Estamos investindo na parte de responsabilização social também, porque esse trabalho de orientação acaba não chegando no individuo que furta, mas chega num morador que está vendo alguém estranho mexendo num tampão e pode acionar a polícia”.

A função do tampão, segundo ela, é justamente acessar a rede coletora para fazer reparos. Por isso tem que ser de fácil acesso para os funcionários e, com essa facilidade, os ladrões levam.

“ Para por algo mais pesado, como concreto, tiro a serventia dele. Ao invés de ter um acesso rápido à rede eu acabo transformando em um acesso difícil. Se for um tampão pesado vou ter que enviar um equipamento para abrir porque na força humana não vai conseguir”, destaca.

“O caminho mais certeiro é a responsabilidade social, que a população entenda o quanto é grave e a polícia nos ajude no sentido de descobrir os estabelecimentos que fazem a compra. Com o gasto que tivemos esse ano na reposição de tampas de redes de esgotos furtadas poderíamos fazer várias ações preventivas com um valor que está literalmente indo para o lixo”, completa Laís.

 

Dois registros

A Polícia Civil de Piracicaba informou que, segundo pesquisa feita pela Delegacia Seccional, há apenas dois boletins de ocorrência sobre furto de tampa de bueiros e que estão na UPJ - Unidade de Polícia Judiciária -, no setor de investigação, para diligências necessárias.

Também houve lavratura de um flagrante referente ao mesmo crime, registrado no Plantão Policial da rua do Vergueiro. O delegado Américo Rissato informou que a polícia está diligenciando e investigando.

“Fizemos várias operações conjuntas com a Polícia Militar e a Guarda Civil e estamos atentos e esse tipo de furto. Visitamos todos os ferros-velhos da cidade e neste caso específico fizemos uma força-tarefa. Estamos direto fazendo esse trabalho”, declarou.