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A filosofia do judô
Medalhas em Jogos Olímpicos desde 1984 fortalecem o esporte, falam professores de Piracicaba

Por José Ricardo Ferreira

Professor Edinho Everaldo fala sobre presente e futuro do judô

Crédito: Mateus Medeiros

Professor Edinho Everaldo fala sobre presente e futuro do judô

O judô brasileiro se despediu dos Jogos Olímpicos de Tóquio com duas medalhas de bronze. Daniel Cargnin (até 66 kg) e Mayra Aguiar (até 78 kg) mantiveram a tradição do esporte que está presente nos pódios desde Los Angeles-1984. Poderia ter sido melhor, claro, mas a pandemia atrapalhou os treinos e as competições pré-Jogos. Um problema que todas as modalidades enfrentaram.

Para o veterano professor sansei Beninho Mattos, as medalhas, mesmo poucas, fortalecem o esporte. Pessoas que não conheciam o judô ficaram incentivadas. Em todos os Jogos o judô traz medalhas, segundo lembra ele.

Ele frisou que a categoria feminina foi bem, o que não ocorreu com o masculino que precisaria de mudanças. “Deixou muito a desejar”. Beninho espera que ocorram algumas mudanças.

Para as próximas Olimpíadas certamente haverá acertos para daqui a três anos em Paris (França). “O judô nacional tem equipe gabaritada e ótimos técnicos”.

O judô, disse ele, tem técnicas e filosofias na formação do indivíduo. Trabalha disciplina e autoconfiança para crianças e adultos. É um esporte, disse ele, muito simpático a outras modalidades.

Piracicaba, disse ele, não tem formado muitos talentos, infelizmente, segundo o veterano na modalidade. Ocorreram, segundo ele, muitas contratações de atletas de outras localidades e isso teria desestimulado os judocas da cidade.

Beninho decidiu “se aposentar” do judô após 55 anos dedicados ao esporte, sendo 48 como professor. Lutou e deu aulas. “Contribui com o esporte”, disse. Mas não descarta novas atuações a convite de associações.

Ele participou como atleta e treinador de inúmeras competições trazendo medalhas para a cidade, inclusive nos Jogos Abertos e Regionais. “Muitas vezes campeão dos Regionais, individual e por equipes, e dos Abertos por equipe”. Além disso, nessas competições revelou muitos atletas.

“Nos últimos 11 anos a dedicação foi para a nossa academia Heisei. Agora encerramos as atividades após muitas histórias e vitórias”, disse o professor que é faixa coral 6º Dan.

Maior visibilidade

O professor Edinho Everaldo entende que a conquista do bronze, que foi a terceira medalha em Olimpíadas de Mayra Aguiar, foi muito importante para o esporte. “Impacta positivamente no judô brasileiro. Maior visibilidade e importância da modalidade no setor esportivo nacional. Sendo o judô, a modalidade que mais conquistou medalhas olímpicas para o Brasil na história”, apontou ele.

Ao todo o judô contabiliza 24 medalhas sendo quatro de ouro, três de prata e 17 de bronze nos Jogos Olímpicos.

Na ativa, Edinho é o responsável pela Academia Edinho Company. É professor Kodansha 6°Dan pela confederação e federação da modalidade. Também treina a equipe de alto rendimento de Piracicaba. Atua ainda no Clube de Campo de Piracicaba, Baroneza de Rezende, Colégio CLQ, Escola Maple Bear e no projeto social “Amigos do Judô”, no bairro Bosque dos Lenheiros.

“O judô sempre teve um número grande de adeptos. Com conquistas de medalhas a modalidade ganha uma procura pelas pessoas devido à exposição na mídia e também sobre os benefícios educacionais do judô”, disse ele.

Em relação ao futuro, o professor acredita que o judô passará por renovações para o novo ciclo olímpico. “Espero que isso possibilite mais conquistas de medalhas olímpicas”, afirmou.

Em relação à cidade, Edinho explica que Piracicaba está passando por uma transição no modelo de "esporte de base", onde realmente se faz a formação. “E onde sempre atuei de forma incisiva, fomentando e levando o judô nos bairros mais afastados do centro. Mas a modalidade necessita de investimento para seu crescimento”.

A pandemia do novo coronavírus dá sinais de recuo, mas nos momentos de pico ela atrapalhou os esportes. “Por ser esporte de contato, tivemos a liberação há pouco tempo para retomada aos treinos de equipes e em grupo. Mas não ficamos parados. Houve treinos individualmente e preparação física. Adaptações e criatividade para realização dos treinos, visando estar capacitados para a volta das competições”, afirmou.

História

Os judocas medalhistas

Munique -1972: Chiaki Ishii (bronze na categoria -93 kg)

Los Angeles -1984: Douglas Vieira (prata na categoria -95 kg), Walter Carmona (bronze na categoria -86 kg),Luiz Onmura (bronze na categoria -71 kg)

Seul -1988: Aurélio Miguel (ouro na categoria -95 kg)

Barcelona -1992: Rogério Sampaio (ouro na categoria -85 kg)

Atlanta -1996: Aurélio Miguel (bronze na categoria -95 kg)

Henrique Guimarães (bronze na categoria -65 kg)

Sydney -2000: Tiago Camilo (prata na categoria -73 kg)

Carlos Honorato (prata na categoria -90 kg)

Atenas - 2004: Leandro Guilheiro (bronze na categoria -73 kg), Flávio Canto (bronze na categoria -81kg)

Pequim - 2008: Ketleyn Quadros (bronze na categoria -57 kg), Leandro Guilheiro (bronze na categoria -73kg), Tiago Camilo (bronze na categoria -81kg)

Londres - 2012: Sarah Menezes (ouro na categoria -48 kg),Mayra Aguiar (bronze na categoria -78 kg), Felipe Kitadai (bronze na categoria -60 kg), Rafael Silva (bronze na categoria +100 kg)

Rio - 2016: Rafaela Silva (ouro na categoria -57 kg), Mayra Aguiar (bronze na categoria -78 kg), Rafael Silva (bronze na categoria +100 kg)

Tóquio - 2020: Daniel Cargnin (bronze na categoria -66 kg), Mayra Aguiar (bronze na categoria -78 kg).

Mayra: a dama do judô brasileiro

A gaúcha Mayra Aguiar conquistou feito inédito na manhã no dia 29 de julho nos Jogos Olímpicos de Tóquio após conquistar medalha de bronze na categoria meio-pesado (até 78kg). Ela venceu a sul-coreana Hyunji Yoon, que foi imobilizada por 20 segundos no Nippon Budokan, templo das artes marciais na capital japonesa. A judoca se tornou a primeira mulher do país a conquistar três medalhas olímpicas em um esporte individual. Ela já havia levado o bronze nos Jogos de Londres (2012) e na Rio 2016.

Mayra também se tornou a única judoca brasileira, no feminino e masculino, a subir no pódio em três edições dos Jogos Olímpicos. Foi a 24ª medalha conquistada pelo judô na história das Olimpíadas.