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Justiça russa proíbe quase todas as atividades da organização de Navalny
A Justiça russa proibiu nesta terça-feira (27) quase todas as atividades do Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK) do opositor preso Alexei Navalny, que não poderá mais, por exemplo, publicar conteúdos na internet ou organizar manifestações

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

A Justiça russa proibiu nesta terça-feira (27) quase todas as atividades do Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK) do opositor preso Alexei Navalny, que não poderá mais, por exemplo, publicar conteúdos na internet ou organizar manifestações.

O diretor do FBK, Ivan Zhdanov, disse nas redes sociais que um tribunal de Moscou proibiu a organização de publicar conteúdos na internet, usar os meios públicos, organizar manifestações, participar de eleições e recorrer a depósitos bancários.

Pouco antes, o serviço de imprensa do tribunal de Moscou afirmou que "algumas atividades" do FBK foram proibidas, sem mais detalhes. O caso é julgado a portas fechadas.

As organizações vinculadas com Alexei Navalny estão ameaçadas de serem declaradas "extremistas" após um pedido neste sentido do Ministério Público. Se o cenário for concretizado, isto significaria duras penas de prisão para os colaboradores e apoiadores do opositor.

O MP acusa estas organizações de buscarem "criar condições da desestabilização da situação social e sociopolítica" na Rússia, "acobertados por slogans libertários".

"Os objetivos reais de suas atividades são criar as condições para mudar os fundamentos da ordem constitucional", afirmou o MP em 16 de abril.

O termo "extremismo" tem uma definição muito ampla na lei russa, o que permite às autoridades lutarem contra organizações da oposição, grupos racistas ou terroristas, assim como contra movimentos religiosos como as Testemunhas de Jeová.

Na segunda-feira, a Justiça russa ordenou a suspensão das atividades do FBK e dos escritórios de Navalny em toda Rússia.

A Alemanha, que assim como outras capitais ocidentais exige a libertação de Navalny, condenou a decisão por considerá-la "incompatível com os princípios do Estado de Direito".

Por sua vez, a ONG Anistia Internacional disse que foi "um ataque cínico de uma audácia e magnitude sem precedentes". "O objetivo é claro: esmagar o movimento de Alexei Navalny enquanto ele definha na prisão".

O FBK é conhecido pelas suas investigações sobre a corrupção dos círculos de poder na Rússia.

Em janeiro, fez sua investigação mais importante, na qual acusou o presidente Putin de ter um opulento "palácio" à beira do Mar Negro. O vídeo foi assistido mais de 11 milhões de vezes no YouTube e obrigou Putin a desmentir pessoalmente a acusação.

Militante anticorrupção e grande inimigo do Kremlin, Navalny está detido em uma colônia penitenciária por um velho caso de fraude que o opositor denuncia como político.

Navalny encerrou na sexta-feira uma greve de fome de 24 dias para protestar contra as más condições de sua detenção, devido ao agravamento de seu estado de saúde.

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