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Índia recebe primeira carga de ajuda médica; Brasil não autoriza vacina russa Sputnik V
O primeiro a avião com ajuda médica para a Índia, com 100 respiradores e 95 concentradores de oxigênio britânicos, chegou nesta terça-feira (27) à Índia, que multiplica recordes de contágios e mortes por covid-19, enquanto o Brasil, outro país muito afetado pela doença, negou a permissão para a importação da vacina russa Sputnik V

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O primeiro a avião com ajuda médica para a Índia, com 100 respiradores e 95 concentradores de oxigênio britânicos, chegou nesta terça-feira (27) à Índia, que multiplica recordes de contágios e mortes por covid-19, enquanto o Brasil, outro país muito afetado pela doença, negou a permissão para a importação da vacina russa Sputnik V.

O porta-voz do ministério indiano das Relações Exteriores, Arindam Bagchi, tuitou fotos do material quando era retirado de um avião da companhia alemã Lufthansa em Nova Délhi e elogiou um exemplo de "cooperação internacional".

Nove contêineres com 495 concentradores de oxigênio, 120 respiradores não invasivos e 20 respiradores manuais serão enviados esta semana, anunciou a Alta Comissão do Reino Unido em Nova Délhi.

No momento em que o mundo, com mais de um bilhão de doses administradas, intensifica as campanhas de vacinação para frear a pandemia, no Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou um pedido de vários estados para importar a vacina russa Sputnik V, ao considerar que o imunizante carece de dados técnicos para verificar sua segurança e eficácia.

"Jamais permitiremos, sem que existam as devidas provas necessárias, que milhões de brasileiros sejam expostos a produtos sem a devida comprovação de sua qualidade, segurança e eficácia ou, no mínimo, em face da grave situação que atravessamos, uma relação favorável risco-beneficio", declarou Antonio Barra Torres, presidente Anvisa.

Para agilizar a vacinação, uma dezena de estados do Norte e Nordeste do Brasil assinaram contratos com o Fundo Soberano da Rússia (RDIF), que financiou o desenvolvimento da Sputnik V, para a compra de 37 milhões de doses.

A rejeição dos pedidos de importação é "um retrato desse momento, do que foi possível analisar até o momento", ponderou Bara Torres.

De acordo com o Centro Gamaleya, instituto russo de pesquisas em epidemiologia e microbiologia que fabricou a vacina, a Sputnik V foi aprovada por mais de 60 países.

O Brasil, de 212 milhões de habitantes, acumula mais de 390.000 mortes por covid-19 e até agora conseguiu vacinar 27,3 milhões pessoas com a primeira dose e 11,6 milhões com a segunda.

Com uma população de 1,3 bilhão, a Índia, que na segunda-feira registrou um recorde mundial de 352.991 pessoas infectadas em um único dia e um recorde nacional de 2.812 mortos, mergulhou no caos em questão de dias em função da variante local.

Em Nova Délhi, em confinamento por mais uma semana, testemunhas descrevem corredores de hospital lotados de macas, e os familiares exigem, em vão, oxigênio ou a internação de seus parentes infectados. Alguns morrem na porta do hospital

Com mais de 192.000 mortes, a Índia é o quarto país em número de óbitos, atrás dos Estados Unidos (572.361), Brasil (390.797) e México (214.947).

No total, mais de 3,1 milhões de pessoas perderam a vida no mundo desde dezembro de 2019.

A situação na Índia é "mais do que desesperadora", declarou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"A OMS está fazendo tudo o que pode, fornecendo suprimentos e equipamentos essenciais, especialmente milhares de tanques de oxigênio, hospitais de campanha móveis pré-fabricados e suprimentos de laboratório", garantiu.

A Austrália decidiu suspender os voos procedentes da Índia até 15 de maio devido à intensidade da pandemia no país asiático.