Últimas Notícias
INTERNACIONAL
UE inicia ação contra AstraZeneca por atrasos em entrega de vacinas
A União Europeia (UE) iniciou uma ação judicial contra o laboratório sueco-britânico AstraZeneca por violação de seus compromissos na entrega de vacinas anticovid, anunciou nesta segunda-feira (26) a Comissão Europeia, enquanto o grupo considerou a medida "infundada"

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

A União Europeia (UE) iniciou uma ação judicial contra o laboratório sueco-britânico AstraZeneca por violação de seus compromissos na entrega de vacinas anticovid, anunciou nesta segunda-feira (26) a Comissão Europeia, enquanto o grupo considerou a medida "infundada".

"Os termos do contrato não foram respeitados e a empresa não está em condições de aplicar uma estratégia confiável para garantir as entregas no prazo fixado", disse um porta-voz do Executivo europeu.

A AstraZeneca entregou no primeiro trimestre 30 milhões das 120 milhões de doses acordadas com a UE. Neste segundo trimestre, espera entregar 70 milhões das 180 milhões doses inicialmente planejadas.

A ação judicial foi lançada na sexta-feira em nome da UE e dos seus 27 Estados-membros, "que concordam de forma unânime" com a decisão, acrescentou o porta-voz da comunidade, sem dar detalhes sobre o processo.

Trata-se de uma ação de urgência apresentada em um tribunal de primeira instância francófono de Bruxelas, segundo soube a AFP. A primeira audiência está prevista para a quarta-feira.

O contrato da UE com a AstraZeneca, cuja versão censurada foi tornada pública, é um contrato regido pela lei belga, no qual o laboratório, a Comissão e os países do bloco se comprometem a resolver eventuais litígios "perante a jurisdição exclusiva dos tribunais estabelecidos em Bruxelas".

O grupo farmacêutico reagiu, considerando nesta segunda-feira que a ação judicial é "infundada" e garantindo que se defenderia "com firmeza".

A AstraZeneca assegurou que "respeitou totalmente" seu contrato com Bruxelas e disse que espera ter "a oportunidade de resolver esta disputa o mais rápido possível", segundo um comunicado.

"Vacinas são difíceis de fabricar (...) Estamos avançando para atender aos desafios técnicos e nossa produção está melhorando", argumentou o laboratório, ao especificar que o aumento de sua produção vai demorar.

"O que é importante para nós neste caso é garantir a entrega rápida de um número suficiente de doses a que os cidadãos europeus têm direito e que nos foram prometidas com base no contrato", afirmou o porta-voz europeu.

Numa eventual ação cível, que duraria vários meses, os europeus poderiam pedir "a rescisão do contrato por incumprimento, com indenização, ou o cumprimento [das entregas], o que é improvável", avaliou na semana passada o advogado belga Arnaud Jansen, que estudou o contrato.

A cláusula em que o laboratório se compromete com o "melhor esforço razoável" (obrigação de meios) "deve estar no cerne" do caso, segundo ele.

A AstraZeneca, por sua vez, deve argumentar que tinha outros contratos a honrar com o Reino Unido, onde a vacina foi autorizada no final de dezembro, um mês antes do que na UE, segundo a mesma fonte.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reiterou nesta segunda-feira seu apoio à AstraZeneca, descrita como "uma parceira muito sólida do Reino Unido".

A Comissão lançou em 19 de março um procedimento de resolução de litígios contratuais para resolver o conflito com a AstraZeneca, e anunciou que não ativou a opção à disposição da UE, no contrato, de adquirir 100 milhões de doses adicionais.

O uso da vacina da AstraZeneca foi restrito na maioria dos países da UE devido a casos raros de trombose que pode provocar. A Dinamarca deixou de usá-la por completo.