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Netanyahu pede calma após confrontos em Jerusalém
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu calma em Jerusalém neste sábado (24), após os confrontos mais graves em anos entre judeus de extrema direita, palestinos e forças de segurança, e pediu que o país se prepare "para todos os cenários" possíveis em Gaza

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu calma em Jerusalém neste sábado (24), após os confrontos mais graves em anos entre judeus de extrema direita, palestinos e forças de segurança, e pediu que o país se prepare "para todos os cenários" possíveis em Gaza.

O dia de sábado correu tranquilo após os tumultos da noite de sexta-feira marcados por confrontos na Cidade Santa, manifestações na Cisjordânia ocupada e foguetes disparados da Faixa de Gaza, aos quais Israel retaliou.

Para evitar novos distúrbios em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado e anexado por Israel, centenas de agentes foram posicionados ao redor da Cidade Velha no início da noite, de acordo com a polícia.

"Acima de tudo, queremos manter a lei e a ordem pública. Agora, exigimos que a lei seja respeitada e peço a todas as partes que se acalmem", declarou Netanyahu em um comunicado, após uma reunião de emergência com autoridades de segurança israelense.

"Queremos manter a liberdade de culto como todos os anos para todos os habitantes e todos os turistas de Jerusalém", disse o primeiro-ministro em referência à oração na Esplanada das Mesquitas, o lugar sagrado do Islã, em pleno mês do Ramadã.

Os confrontos começaram na sexta-feira à noite nas proximidades da Cidade Velha de Jerusalém, um dia após uma noite de incidentes entre judeus de extrema direita, que protestaram gritando "Morte aos árabes", palestinos e forças de segurança. O saldo: mais de 120 feridos.

A polícia e os jovens palestinos entraram em confronto após a última oração na sexta-feira, que reuniu dezenas de milhares de fiéis na Esplanada das Mesquitas. Os agentes de segurança realizaram várias prisões.

Outros incidentes ocorreram em diferentes bairros palestinos de Jerusalém Oriental, na passagem de fronteira de Qalandiya, que liga Israel à Cisjordânia, e em Belém, na Cisjordânia ocupada.

Mais tarde naquela noite, pelo menos 36 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza - um enclave palestino geograficamente separado da Cisjordânia ocupada e de Jerusalém - em direção a Israel, de acordo com os militares israelenses. O escudo antimísseis que protege a nação israelense interceptou seis projéteis, enquanto outros caíram em terrenos baldios.

Em retaliação, tanques, caças e helicópteros israelenses atacaram, segundo o exército, posições do Hamas, o movimento islâmico armado que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e que nos últimos anos aceitou uma trégua após três guerras contra Israel (2008, 2012 e 2014).

"Na Faixa de Gaza, dei a ordem para a preparação para todos os cenários", afirmou Netanyahu neste sábado.

O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, também declarou que o exército "estava preparado para uma eventual escalada". "Se a calma não for mantida no sul, Gaza será duramente atingida e os responsáveis serão os líderes do Hamas", alertou em um comunicado.

Confrontado com a tensão crescente com o enclave palestino, o chefe do Estado-Maior israelense, Aviv Kochavi, decidiu adiar uma visita aos Estados Unidos que já estava planejada.

Após os confrontos de quinta-feira, os mais violentos dos últimos anos na Cidade Santa, o braço militar do Hamas deu seu apoio aos palestinos em Jerusalém Oriental, alertando Israel: "A centelha que você acender hoje será o estopim para a próxima explosão diante do inimigo".

Os confrontos nos últimos dias em Jerusalém começaram depois que a polícia impediu que a população se sentasse nos degraus ao redor do Portão de Damasco, onde os palestinos costumam se reunir durante o período do Ramadã.

E como os judeus de extrema direita planejaram se manifestar perto deste grande portão que leva à Cidade Velha, muitos palestinos viram isso como uma provocação e uma tentativa de assumir o controle deste lugar simbólico.