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BCE/Lagarde: perspctiva de curto prazo segue comprometida por incertezas da covid
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse nesta quinta-feira (22) que a perspectiva de curto prazo da zona do euro segue comprometida por incertezas ligadas à pandemia de covid-19 e aos esforços de vacinação contra a doença

Por Estadão Conteúdo

Crédito: Divulgação/Internet

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse nesta quinta-feira (22) que a perspectiva de curto prazo da zona do euro segue comprometida por incertezas ligadas à pandemia de covid-19 e aos esforços de vacinação contra a doença.

Em coletiva de imprensa que se seguiu à decisão do BCE de manter sua política monetária inalterada, Lagarde ressaltou, porém, que a expectativa é de forte recuperação da atividade econômica da zona do euro ao longo de 2021, à medida que os esforços de vacinação progredirem e medidas de restrição forem retiradas.

Lagarde disse também que a inflação da região ganhou força nos últimos meses, graças a fatores temporários e a um aumento nos preços de energia, mas destacou que as pressões inflacionárias subjacentes permanecem contidas, num "contexto de significativa ociosidade e demanda ainda fraca".

Christine Lagarde disse, ainda, que o BCE poderá recalibrar suas compras de ativos para sustentar a economia, se necessário. Mais cedo, em decisão de política monetária, o BCE afirmou que continuará comprando ativos por meio do programa emergencial conhecido como PEPP em ritmo consideravelmente mais rápido do que nos primeiros meses do ano.

Na coletiva de imprensa, Lagarde também comentou que, no médio prazo, a recuperação da zona do euro deverá se sustentada pela retomada da demanda global.

Lagarde disse ainda que os consumidores da zona do euro permanecem cautelosos em função da pandemia de covid-19, mas ressaltou que dados de alta frequência apontam para retomada da economia no segundo trimestre.

Em relação ao primeiro trimestre, Lagarde acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) da região pode ter se contraído, uma vez que o aumento nos casos de covid-19 e adoção de medidas restritivas pesaram sobre a atividade econômica.

Inflação

A presidente do Banco Central Europeu projetou que a inflação na zona do euro "deve aumentar nos próximos meses", com volatilidade ao longo do ano. Segundo ela, as pressões sobre os preços aumentarão em 2021, com o retorno gradual da demanda e da oferta, conforme a vacinação contra a covid-19 se dissemine e restrições à atividade sejam retiradas.

Lagarde comentou, porém, que ainda é necessário um "amplo grau de acomodação monetária" para sustentar a economia. Ela voltou a comentar que seria "prematuro" discutir a diminuição da compra de ativos pelo banco central agora e que o tema não esteve em pauta na reunião de hoje.

Segundo ela, essas decisões sobre compras de ativos não seguem um calendário, mas dependerão dos indicadores. Lagarde ainda comentou o "claro e significativo" aumento nas compras pelo Programa de Compras de Emergência na Pandemia (PEPP, na sigla em inglês) e disse que isso continuará a ocorrer.

A presidente do BCE voltou a enfatizar a importância de uma política fiscal "ambiciosa e coordenada" para apoiar a zona do euro. "Reiteramos a urgência de implementação do Fundo de Recuperação da UE", disse, comentando, porém, que essa política fiscal deve ser "temporária e direcionada", apenas para sustentar a retomada atual.

Lagarde ainda falou sobre os movimentos do euro. Como costuma fazer, ela reiterou que o BCE "não tem meta" para a taxa de câmbio, mas notou que a questão é "monitorada de perto" pela instituição.