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UE adota novas sanções contra Junta militar de Mianmar
A União Europeia estabeleceu nesta segunda-feira (19) novas sanções contra 10 membros da junta militar no poder em Mianmar e duas empresas que a financiam em condenação à repressão violenta dos protestos pró-democracia

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

A União Europeia estabeleceu nesta segunda-feira (19) novas sanções contra 10 membros da junta militar no poder em Mianmar e duas empresas que a financiam em condenação à repressão violenta dos protestos pró-democracia.

A Junta enfrenta protestos quase diários para exigir o retorno à democracia e reprime violentamente esse movimento de contestação. Pelo menos 737 pessoas foram mortas e mais de 3.000 presas, segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP).

A situação caótica desde o golpe, que derrubou o governo civil liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro, será discutida em uma cúpula de países do Sudeste Asiático no sábado em Jacarta e o líder da Junta deve participar.

Marcando sua postura de condenação, a UE acrescentou à sua lista de sancionados 10 novos membros da Junta considerados diretamente envolvidos na tomada de decisões e, neste contexto, responsáveis pelo enfraquecimento da democracia e do Estado de Direito em Mianmar.

As duas empresas punidas são Myanmar Economic Holdings Ltd (MEHL) e Myanmar Economic Corporation (MEC).

A decisão foi validada pelos ministros das Relações Exteriores do bloco, segundo fontes diplomáticas.

O princípio dessas novas sanções foi decidido em 22 de março, quando os ministros europeus sancionaram onze pessoas, incluindo o chefe da Junta, o general Min Aung Hlaing.

Na semana passada, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou temores de um conflito generalizado como na Síria e exortou os Estados a "tomarem medidas imediatas, decisivas e eficazes" para forçar a Junta a pôr fim à repressão.

Mais recente exemplo do clima no país, um jornalista japonês acusado de divulgar informações falsas foi preso, assim como dezenas de outros repórteres desde o golpe de Estado. O Japão exigiu sua libertação.

Yuki Kitazumi foi preso no domingo e, segundo um porta-voz da embaixada japonesa, transferido de uma delegacia de polícia para a prisão de Insein, conhecida por abrigar presos políticos.

Diplomatas pediram para visitar o jornalista independente na prisão, mas a permissão ainda não foi concedida.

"Pedimos a Mianmar que liberte essa pessoa o mais rápido possível. Faremos todo o possível para proteger esse cidadão japonês", declarou o porta-voz do governo japonês, Katsunobu Kato, a repórteres.

Esta é a segunda vez que Kitazumi é preso desde o golpe. Em fevereiro, ele foi brevemente detido durante uma intervenção da polícia de choque contra manifestantes.

A imprensa tem sido alvo das forças de segurança, pois as autoridades tentam controlar as informações, restringindo o acesso à Internet ou revogando as credenciais de alguns meios de comunicação.

Pelo menos 65 jornalistas e fotógrafos foram presos desde o golpe, 34 dos quais permanecem atrás das grades, de acordo com a organização Reporting ASEAN.