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Irã diz que enriquecimento de urânio a 60% é resposta ao 'terrorismo' nuclear de Israel
O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou nesta quarta-feira (14) que a decisão de seu país de elevar a 60% o enriquecimento de urânio a 60% é uma resposta ao "terrorismo" de Israel contra a central de Natanz

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou nesta quarta-feira (14) que a decisão de seu país de elevar a 60% o enriquecimento de urânio a 60% é uma resposta ao "terrorismo" de Israel contra a central de Natanz.

A ativação de centrífugas avançadas e a produção de urânio enriquecido "é a resposta para sua maldade", disse Rohani em uma mensagem dirigida a Israel.

"O que fizeram se chama terrorismo nuclear", afirmou, em referência a uma explosão na madrugada de domingo que deixou sem energia elétrica a principal instalação nuclear do Irã, no centro do país.

"O que nós fazemos é legal", completou.

Israel não confirmou nem desmentiu o envolvimento no ato, mas a rádio pública do país informou que foi uma operação de sabotagem do Mossad (serviço secreto), com base em fontes do serviço de inteligência não identificadas.

Rohani destacou que os organismos de segurança do Irã ainda não apresentaram um relatório definitivo, mas afirmou que o incidente parece "um crime dos sionistas".

O representante do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA) da ONU, Kazem Gharibabadi, escreveu no Twitter que o país iniciou as medidas preparatórias para permitir o enriquecimento.

"Prevemos acumular o produto (de duas cascatas de centrífugas dedicadas a 60% de urânio) na próxima semana", afirmou.

O anúncio do Irã na terça-feira sobre a intensificação do enriquecimento de urânio complica as negociações em curso em Viena que pretendem salvar o acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as potências mundiais, um pacto que o então presidente americano Donald Trump abandonou em 2018.

França, Alemanha e Reino Unido afirmaram nesta quarta-feira que o anúncio do Irã representa uma "grande preocupação" e um passo "contrário ao espírito" das negociações para salvar o acordo nuclear.

"Isto supõe uma grande preocupação, pois a produção de urânio enriquecido a níveis elevados representa uma etapa importante para a produção de uma arma nuclear, o que é contrário ao espírito construtivo e à boa fé das negociações", afirmaram os porta-vozes dos ministérios das Relações Exteriores dos três países, signatários do acordo nuclear de 2015.

Paris, Berlim e Londres advertiram ainda contra "qualquer escalada de qualquer ator" na crise nuclear iraniana após o incidente de Natanz.

A decisão iraniana aproximará o país da barreira de 90% de enriquecimento, que permite o uso militar e reduz o tempo para a construção de uma bomba atômica, um objetivo que a República Islâmica sempre negou.

Com base no acordo nuclear, o Irã se comprometeu a manter o enriquecimento em 3,67%, mas em janeiro aumentou o nível a 20%.

Israel promete com frequência que impedirá que o Irã desenvolva uma bomba atômica, o que considera uma ameaça para sua existência.

Além disso, o governo israelense é contrário aos esforços do presidente americano Joe Biden de retomar o que considera um acordo nuclear ruim entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (mais a Alemanha).