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Morre Paul Oquist, o americano braço direito do presidente nicaraguense
Paul Oquist, um americano que abraçou a causa sandinista e se tornou secretário da Presidência da Nicarágua e braço direito do presidente Daniel Ortega, faleceu nesta terça-feira (13) em um hospital de Manágua, informou o governo, que não revelou a causa do falecimento

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

Paul Oquist, um americano que abraçou a causa sandinista e se tornou secretário da Presidência da Nicarágua e braço direito do presidente Daniel Ortega, faleceu nesta terça-feira (13) em um hospital de Manágua, informou o governo, que não revelou a causa do falecimento.

"Paul Oquist partiu", informou a Presidência por meio de uma nota assinada por Ortega e a vice-presidente, Rosario Murillo. Ambos exaltaram os serviços de Oquist prestados ao país no campo internacional, que "conhecia tão bem e com os quais nos relacionava de forma profunda e extraordinária".

Oquist, cujo cargo tinha status de ministro, esteve "por trás de grande parte da gestão da política econômica e de políticas internacionais" da Nicarágua, afirmou em 2020 à AFP a ex-combatente guerrilheira e ex-deputada sandinista Dora María Téllez.

Segundo veículos de imprensa locais, o alto funcionário, de 78 anos, nascido em Oak Park, Illinois, e naturalizado nicaraguense na década de 1980, estava internado nos últimos dias em um hospital de Manágua, com sintomas associados à covid-19. A informação não foi confirmada pelo governo.

Segundo a revista Envío, da Universidade Centroamérica, "nos [anos] 80 foi o principal quadro de administração pública" do primeiro governo de Daniel Ortega com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, esquerda), após a vitória da revolução.

Ele desempenhou um papel importante nas negociações para conseguir a rendição de grupos insurgentes contrários ao sandinismo, patrocinados por Washington, segundo a publicação.

Após o retorno de Ortega ao poder em 2007, Oquist - doutor em ciência política e com várias pós-graduações - foi nomeado coordenador do Conselho de Política Nacional, uma dependência de consulta do governo.

Diz-se que esteve por trás da decisão de não decretar quarentena pela covid-19 na Nicarágua porque considerava que o vírus "é uma invenção dos países capitalistas para resolver problemas internos", disse Téllez.

Em redes sociais foram divulgadas recentemente fotos de Oquist em um local turístico do país durante o feriado da Semana Santa.

Oquist foi um dos principais operadores de Ortega em diferentes fóruns internacionais, nos quais assegurava que os protestos opositores que pediam a saída do presidente em 2018 foram uma tentativa de golpe de Estado. Organismos humanitários estimam que a repressão tenha deixado mais de 328 mortos.

Essa defesa lhe rendeu ser um dos 24 funcionários do círculo de Ortega sancionados em outubro pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Foi responsabilizado por difundir "desinformação para acobertar os crimes do regime e a ocorrência de abusos horríveis aos direitos humanos".

Foi membro da comissão nacional para o inconclusivo projeto de construção de um canal interoceânico, cedida a um empresário chinês, que prometia investir 40 bilhões de dólares.

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