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O que há para saber sobre a água de Fukushima
O governo japonês formalizou nesta terça-feira (13) sua decisão de despejar no oceano mais de um milhão de toneladas de água tratada, mas ainda radioativa, da devastada usina nuclear de Fukushima Daiichi, uma operação que pode durar décadas

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O governo japonês formalizou nesta terça-feira (13) sua decisão de despejar no oceano mais de um milhão de toneladas de água tratada, mas ainda radioativa, da devastada usina nuclear de Fukushima Daiichi, uma operação que pode durar décadas.

As autoridades e especialistas asseguram que este despejo no Oceano Pacífico não representa riscos para a saúde humana ou para o meio ambiente, mas ONGs e pescadores locais se opõem fortemente ao projeto.

China e Coreia do Sul também estão insatisfeitas.

Cerca de 1,25 milhão de toneladas de água contaminada estão armazenadas em mais de 1.000 cisternas perto da usina nuclear Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, devastada por um terremoto e tsunami em 11 de março de 2011.

A água vem da chuva, de camadas subterrâneas ou foi usada para resfriar os núcleos dos reatores nucleares que entraram em fusão após o tsunami.

Antes de ser descartada, a água é tratada com um Sistema Avançado de Processamento de Líquidos (ALPS), para remover a maioria das substâncias radioativas (radionuclídeos), mas não o trítio, que não pode ser removido com as técnicas disponíveis atualmente.

O trítio só é perigoso para a saúde em doses muito altas, de acordo com especialistas. Ele se desintegra 50% após 12 anos (uma a duas semanas no corpo humano), emitindo radiação beta de baixa energia.

Como a capacidade de armazenamento do local vai saturar no segundo semestre de 2022, uma decisão teve que ser tomada com urgência sobre a água "tritiada".

Em janeiro de 2020, um grupo de especialistas contratado pelo governo defendeu sua dissolução progressiva no oceano, descartando assim a solução alternativa, que consistia na evaporação no ar.

O despejo de água tritiada no mar "já é praticado no Japão e no exterior" a partir de usinas em operação e, portanto, é "mais viável", estimaram os especialistas.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também considera esta solução "consistente" com as práticas "estabelecidas" em todo o mundo.

O porta-voz do governo japonês, Katsunobu Kato, assegurou nesta terça-feira que a diluição no mar, a ser monitorada pela AIEA, reduziria os níveis de trítio bem abaixo das normas nacionais e dos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) para água potável.

Organizações ambientalistas como o Greenpeace afirmam que a água de Fukushima contém outros elementos radioativos, como carbono-14, com o risco, segundo eles, de entrar na cadeia alimentar e danificar o DNA se as doses se acumularem no longo prazo.

Essas ONGs defendem o armazenamento sustentável até que a tecnologia de filtragem de água melhore.

Os pescadores japoneses temem que isso prejudique sua imagem.

"A mensagem do governo de que a água não é perigosa não chega ao público, esse é o grande problema", afirmou um diretor da associação sindical dos pescadores de Fukushima, consultado pela AFP há alguns meses.