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Traficantes usam política de Biden para impulsionar migração, afirma chanceler de Honduras
O ministro das Relações Exteriores de Honduras, Lisandro Rosales, disse nesta sexta-feira (9) que os traficantes de pessoas usaram a política de imigração do presidente americano, Joe Biden, para impulsionar o fluxo de migrantes sem documentos para os Estados Unidos

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O ministro das Relações Exteriores de Honduras, Lisandro Rosales, disse nesta sexta-feira (9) que os traficantes de pessoas usaram a política de imigração do presidente americano, Joe Biden, para impulsionar o fluxo de migrantes sem documentos para os Estados Unidos.

O chanceler indicou também que "afeta muito" o governo de Honduras o fato do presidente Juan Orlando Hernández ter sido acusado por tráfico de drogas em um tribunal de Nova York, quando "tudo o que fez" foi lutar "de frente" contra o crime organizado.

Segue um resumo da entrevista do chanceler hondurenho à AFP após um diálogo bilateral em Washington entre delegações de alto nível de ambos os países sobre migração, anticorrupção e reconstrução após os furacões Eta e Iota:

- As prisões de pessoas sem documentos dispararam ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos. Os traficantes aproveitaram a chegada de Joe Biden ao poder para levar os migrantes?

"Infelizmente, os números mostram que sim. Em novembro, havia 10.000 hondurenhos detidos na fronteira sul dos Estados Unidos e em março, 41.000, com um aumento após a posse do presidente Biden (em 20 de janeiro). Os coiotes aproveitaram a mensagem de que a questão da migração seria abordada de forma abrangente e isso os fez usar as crianças como escudo humano."

- Quantos menores hondurenhos cruzaram ilegalmente para os Estados Unidos?

"Temos um número preliminar não oficial de cerca de 4.000 nos últimos dois meses, mas está aumentando a cada dia."

- A que você atribui essa nova onda de migração?

"O que vemos é que 98% dos detidos na fronteira sul são provenientes das áreas impactadas pelos (furacões) Eta e Iota (de novembro passado), que em Honduras deixaram prejuízos de cerca de 2 bilhões de dólares."

- O que você conversou com Ricardo Zúñiga, enviado de Biden para o Triângulo Norte da América Central?

"Ele demonstrou um interesse especial pela migração, obviamente, mas também pelo plano de reconstrução e como os Estados Unidos podem ajudar. Acredito que devemos aproveitar a reconstrução para gerar oportunidades que mantenham os cidadãos hondurenhos em seu país."

- A congressista americana Norma Torres implorou a Biden que não desviasse fundos para a América Central devido à "corrupção" e "má governança".

"Há 31 anos os Estados Unidos decidiram canalizar seus recursos por meio de ONGs e agências que possuem no país. Não recebemos um centavo do governo dos Estados Unidos diretamente. O que queremos é que 100% ou 98% das ajudas cheguem a quem precisa. Reduzir a burocracia e fazer projetos alinhados às necessidades dos países anfitriões."

- O presidente Hernández foi indiciado por tráfico de drogas em um tribunal de Nova York, no qual seu irmão e ex-deputado foi condenado à prisão perpétua por esse crime. Como isso afeta o governo de Honduras?

"Afeta muito, porque causa dano à reputação de instituições que provaram exatamente o contrário. Em 2011, 87% das drogas que entraram nos Estados Unidos passaram por Honduras e agora apenas 3%, então obviamente o negócio de alguém foi prejudicado e eles querem vingança. O problema é que assassinos confessos ganham credibilidade em um tribunal dos Estados Unidos e isso lhes permite dizer o que querem contra um presidente que só fez agir direta e frontalmente no combate ao crime organizado."

- O irmão do presidente não é o responsável pelo tráfico de drogas?