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Equador, entre o pupilo de um socialista e um ex-banqueiro conservador
Andrés Arauz ou Guillermo Lasso. O Equador vai escolher seu próximo presidente no segundo turno do próximo domingo (11) entre um economista de esquerda e um ex-banqueiro pró-mercado, em um duelo de gerações e estilos que designará o sucessor do impopular Lenín Moreno

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

Andrés Arauz ou Guillermo Lasso. O Equador vai escolher seu próximo presidente no segundo turno do próximo domingo (11) entre um economista de esquerda e um ex-banqueiro pró-mercado, em um duelo de gerações e estilos que designará o sucessor do impopular Lenín Moreno.

Arauz não existiria para a política sem Rafael Correa. O popular ex-presidente (2007-2017) colocou suas expectativas neste ex-assessor econômico - a quem descreve como brilhante - para recuperar o poder para o socialismo após a ruptura com o governo de Moreno.

Nascido em Quito, Arauz se formou em Economia nos Estados Unidos. Tem mestrado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de Quito e cursava um Doutorado no México, que foi interrompido no ano passado para lançar sua candidatura.

Ele completou 36 anos em 6 de fevereiro, um dia antes de ganhar o primeiro turno (32,72% contra 19,74% para Lasso) e se mantém como favorito para a eleição de domingo. Se for eleito, será o governante mais jovem da América Latina atualmente e das últimas quatro décadas no país.

Durante o governo de Correa, foi assessor econômico e chegou à direção do Banco Central. Arauz promete retomar o rumo traçado por seu mentor, mas com "transformações e melhorias". Ao contrário do ex-presidente, um crítico radical da política externa dos Estados Unidos a qual chama com desdém de burocracia financeira internacional, Arauz criou pontes com o FMI e o embaixador de Washington em Quito.

O candidato pela coalizão União pela Esperança (Unes) oferecerá um auxílio de 1.000 dólares para um milhão de famílias na primeira semana de gestão. Arauz, que se declara "católico", também viveu parte de sua infância em Moscou, onde seu pai, um contratista de serviços de petróleo, estudava. Foi lá que aprendeu russo e a tocar piano e acordeão. Além disso, fala francês e inglês.

Ele garante que seu governo vai incorporar "valores contemporâneos do século XXI como a igualdade de gênero, o respeito ao meio ambiente e o papel da tecnologia na sociedade". Arauz é casado com Mariana Véliz, que espera seu segundo filho.

Guillermo Lasso, de 65 anos, é um ex-banqueiro conservador que prega o livre comércio e lidera o anti-correísmo. Ele perdeu as eleições contra a esquerda em 2013 e 2017.

"O Equador tem que fazer parte da Aliança do Pacífico, com pleno direito e da forma mais urgente possível", disse ele à AFP.

Nasceu em Guayaquil (sudoeste), onde se vinculou desde muito jovem à Bolsa de Valores para pagar seus estudos em um colégio católico. Seu trabalho consistia em anotar "os preços das ações em um quadro".

Apesar de não ter completado seus estudos em Economia, conseguiu se destacar no setor financeiro, no qual ocupou a presidência executiva do Banco de Guayaquil, um dos principais do país. Em 2012 se retirou do setor para fundar o movimento Criando Oportunidades (Creo), que emergiu como o maior opositor a Correa.

A esquerda sempre traz à tona seu passado de banqueiro em um país que sofreu no final dos anos 90 o colapso do sistema financeiro, devido a um esquema fraudulento de empréstimos. Centenas de milhares de equatorianos migraram e o país adotou o dólar como moeda em 2000.

Lasso promete incentivos fiscais, créditos de 1% de juros e um reajuste progressivo do salário mínimo até chegar aos 500 dólares. Também planeja criar dois milhões de empregos e construir 200.000 casas rurais.

Magro e de cabelos grisalhos, prefere usar jeans, camisas de cores juvenis e tênis. Há pouco tempo entrou no TikTok para atrair os eleitores mais jovens.