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Violência prossegue na Irlanda do Norte, apesar dos pedidos de calma
O governo britânico reiterou nesta sexta-feira (9) o pedido de calma, após a 10ª noite de confrontos violentos entre grupos de jovens e a polícia na Irlanda do Norte, onde as consequências do Brexit abalam uma frágil paz

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O governo britânico reiterou nesta sexta-feira (9) o pedido de calma, após a 10ª noite de confrontos violentos entre grupos de jovens e a polícia na Irlanda do Norte, onde as consequências do Brexit abalam uma frágil paz.

Desde que, em 30 de março, um grupo de jovens lançou coquetéis molotov contra uma viatura policial em Londonderry, os atos violentos não param de aumentar, especialmente nas zonas unionistas desta província britânica, onde os efeitos da saída da União Europeia provocaram um sentimento de traição e amargura.

Os incidentes reavivaram o fantasma de três décadas de violento conflito entre republicanos católicos e unionistas protestantes, que deixaram quase 3.500 mortos até a assinatura do acordo de paz da Sexta-Feira Santa de 1998.

Apesar dos pedidos de Londres, Dublin e Washington pelo fim da violência, a capital norte-irlandesa, Belfast, voltou a ser cenário de confrontos na quinta-feira à noite.

Em um distrito da zona oeste, a polícia foi alvo de coquetéis molotov e de pedras, quando tentava impedir que centenas de manifestantes republicanos se aproximassem dos unionistas. As forças de segurança usaram jatos d"água para dispersar a multidão.

Quase 60 policiais ficaram feridos desde o início destes distúrbios sem precedentes em vários anos na região.

Diante da situação, o governo britânico, cujo ministro para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis, viajou à região, repetiu os apelos de calma, que até o momento foram ignorados.

"A violência não tem nada a ver com a resolução dos problemas", insistiu o ministro dos Transportes, Grant Shapps, que classificou a situação como "muito preocupante".

"Temos que garantir que as pessoas conversem para resolver seus problemas, não por meio da violência", completou.

Na quinta-feira (8), os primeiros-ministros britânico, Boris Johnson, e irlandês, Micheál Martin, uniram-se aos líderes norte-irlandeses, tanto unionistas quanto republicanos, para condenar a violência "injustificável".

"É por meio do diálogo e do trabalho nas instituições adotadas pelo Acordo da Sexta-Feira Santa que devemos avançar", destacou o governo de Dublin.

A Casa Branca também pediu calma e alegou preocupação. O presidente Joe Biden, orgulhoso de suas origens irlandesas, já havia expressado preocupação com as consequências do Brexit para a paz na província.

Desde o acordo de 1998, existe uma "paz superficial", afirmou à AFP Fiona McMahon, uma moradora de Belfast de 56 anos. Mas o conflito "está muito arraigado, não é apenas pelo Brexit", completa.

Ao exigir a introdução de controles alfandegários entre o Reino Unido e a UE, a saída do bloco abalou o delicado equilíbrio entre as comunidades da província.