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Biden mantém 'posição de irracionalidade' sobre Venezuela, diz chanceler
O presidente americano, Joe Biden, "optou por manter uma posição de irracionalidade", ao desconhecer o governo venezuelano de Nicolás Maduro - afirmou o chanceler Jorge Arreaza, que, ainda assim, tentou restabelecer o contato com a nova Casa Branca

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O presidente americano, Joe Biden, "optou por manter uma posição de irracionalidade", ao desconhecer o governo venezuelano de Nicolás Maduro - afirmou o chanceler Jorge Arreaza, que, ainda assim, tentou restabelecer o contato com a nova Casa Branca.

Os Estados Unidos lideram a pressão contra o presidente socialista com uma avalanche de sanções que se intensificaram no governo anterior do republicano Donald Trump, e que inclui um embargo de petróleo desde 2019.

Ministro das Relações Exteriores desde 2017, Arreaza garantiu em entrevista à AFP que o país está "aprendendo a conviver, superar, contornar, driblar as sanções", que "têm causado muito dano".

Ele disse que Maduro está aberto para normalizar as relações com Washington. Observou, no entanto, que o novo governo "optou por manter uma posição de irracionalidade", ao considerar como presidente da Venezuela o líder da oposição Juan Guaidó, após a reeleição de Maduro em 2018. Os críticos do herdeiro político de Hugo Chávez alegam que as eleições foram fraudulentas.

"Enviamos mensagens", disse o chanceler na entrevista concedida à AFP em seu gabinete em Caracas.

"Não tivemos contato, ou resposta positiva, à mão estendida pelo presidente Maduro, mas notamos menos agressividade", na comparação com o governo Trump.

Arreaza se lembrou de uma conversa com Elliott Abrams, o principal diplomata da gestão Trump para assuntos venezuelanos. Nela, foi advertido de que, após o fracasso da estratégia de um golpe de Estado, Washington exerceria "pressão máxima" para conseguir a queda de Maduro no longo prazo.

"Me disse "vão ficar sem petróleo, sem gasolina, sem eletricidade, sem comida, até que, no fim, o povo não aguente e vocês deixem o poder"", relatou Arreaza.

Ao que ele disse ter respondido: "Você me fala de uma maratona, vamos ver quem é melhor, porque os venezuelanos são os melhores maratonistas da história da independência, e o presidente Nicolás Maduro vai escapar do pelotão".

Durante décadas, os Estados Unidos foram o principal cliente do petróleo venezuelano, que teve de ser redirecionado para outros países, após as sanções.

Mas até isso é um problema, explicou Arreaza, já que muitas empresas temem ser punidas pelo governo americano por fazerem negócios com a Venezuela.

"Perseguem os navios, você tem que, praticamente, fazer uma tática irregular, uma guerrilha no mar para poder fazer o petróleo chegar aos seus legítimos compradores".

"Tivemos que fazer as coisas sem levantar suspeitas", reconheceu Arreaza, acrescentando: "Mas é isso que faz quem compra petróleo venezuelano".

Antes da intensificação das sanções, a Venezuela já atravessava uma severa crise econômica atribuída pelos especialistas às políticas do chavismo e a uma colossal corrupção.

Aliados como Rússia e China foram essenciais para manter o governo respirando, o qual, segundo o chanceler, não adquiriu uma dívida que "comprometa as finanças do país".