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Polarização em Israel na véspera de eleições marcadas pela campanha de vacinação
Governo de direita liderado por Benjamin Netanyahu ou coalizão contra ele? Ou talvez um novo beco sem saída? Israel comparece às urnas na terça-feira (23) para as quartas eleições legislativas em menos de dois anos, com uma intensa campanha de vacinação contra a covid-19 como pano de fundo

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

Governo de direita liderado por Benjamin Netanyahu ou coalizão contra ele? Ou talvez um novo beco sem saída? Israel comparece às urnas na terça-feira (23) para as quartas eleições legislativas em menos de dois anos, com uma intensa campanha de vacinação contra a covid-19 como pano de fundo.

Um ano depois do início da pandemia, Israel parece a caminho de superar a covid-19 graças a uma grande campanha de imunização que permitiu administrar as duas doses necessárias em 49% da população.

Uma "vitória", clama o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, também vacinado, mas não imunizado contra uma derrota eleitoral.

O último ano também foi marcado pelo início de um processo contra o primeiro-ministro por corrupção e abuso de poder, o que estimulou um movimento de protesto social em todo o país, encarnado pelas manifestações de sábado à noite diante da residência de Netanyahu em Jerusalém.

A menos de 24 horas das eleições, dois lados se enfrentam: aqueles que são a favor e os contrários a Netanyahu. Mas como o sistema eleitoral proporcional favorece o acesso ao Parlamento de pequenos partidos, cada ala apresenta subdivisões.

As pesquisas mais recentes atribuem ao Likud (direita conservadora) de Netanyahu quase 30 cadeiras das 120 do Kneset (Parlamento), contra 20 para seu opositor centrista Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, e quase 10 para os partidos de direita liderados por Gideon Saar e Naftali Bennett, seguidos por dezenas de micropartidos.

Para formar o governo, tanto o lado de Netanyahu como o de Lapid precisam alcançar a maioria absoluta (61 cadeiras) e evitar novas eleições.

Para isto, o primeiro-ministro espera uma aliança com a direita religiosa e a extrema direita, enquanto o Yair Lapid almeja uma coalizão com os partidos de esquerda, centro e da direita decepcionada com o primeiro-ministro.

"A questão é saber se teremos um resultado que permita a um dos lados - os partidos pró-Netanyahu e os que tentam formar uma coalizão sem Netanyahu - ter uma vantagem clara. No momento parece que nenhum dos dois conseguirá", afirma Dahlia Scheindlin, especialista em pesquisas políticas em Israel.

Apesar de tudo, ela acredita que Netanyahu tem no momento "mais possibilidades" de permanecer como chefe de Governo após as eleições.

Para formar o Executivo, Netanyahu conta com o apoio de dois partidos ultraortodoxos e com o novo "Partido Sionista Religioso", liderado por Itamar Ben Gvir, uma personalidade crucial da extrema-direita que pode conseguir sua entrada no Parlamento.

Mas estes apoios seriam insuficientes para formar um governo, o que demonstra a importância para Netanyahu de obter o apoio de Naftali Bennett, líder da direita radical. Mas sem que este obtenha um resultado eleitoral muito bom, algo que o colocaria em posição de força para impor-se como chefe de Governo ao invés de Netanyahu.

No domingo, Bennett compareceu a uma emissora de televisão para "assinar" um documento que afirma que não se uniria a um governo liderado por Yair Lapid, mas sem assumir um compromisso com Netanyahu.

Caso os anti-Netanyahu não consigam alcançar a marca de de 61 deputados, eles tentarão, se possível, uma aproximação dos partidos árabes para desalojar o "rei Bibi", como os partidários chamam o primeiro-ministro.